Dois monumentos chineses que simbolizavam as relações de amizade entre o Panamá e a China foram demolidos na noite de sábado na cidade de Arraiján, situada na margem do Canal do Panamá. O paifang [portal] no “Mirador de las Américas” e o obelisco em celebração aos 150 anos da presença chinesa no Panamá foram mandados abaixo por ordem da autarca Stefany Peñalba, que alegou riscos estruturais visíveis na base e topo das obras, “o que levou à decisão técnica de realizar a sua remoção preventiva”.

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Portal e obelisco celebravam as relações entre os dois países

A decisão é tomada num momento de relações tensas entre o Panamá e os Estados Unidos, que disputa com a China a utilização do Canal do Panamá, por onde passa 5% do comércio marítimo mundial. As duas potências económicas são as principais utilizadoras deste canal — que liga os oceanos Pacífico e Atlântico. O Governo de Donald Trump já ameaçou mesmo retomar o controlo do canal, considerando haver uma influência crescente da China na operação.

A demolição, que estava prevista desde maio, foi descrita pelo Presidente do Panamá como uma “barbaridade” e algo “imperdoável”. O chefe de Estado disse ainda, através da rede social X, que está a coordenar a reconstrução do monumento com o Ministério da Cultura.

A embaixadora da China no Panamá, onde vivem 300 mil chineses, também já lamentou a destruição dos monumentos construídos em 2004. Xu Xueyuan afirmou que “a comunidade chinesa tentou chegar à fala diversas vezes com a autarca de Arraiján e estava disposta a financiar uma restauração completa do miradouro e do monumento. No entanto, não obteve resposta alguma”, disse, em publicação no X, onde partilhou vídeos de uma escavadora durante a demolição.

Por outro lado, a autarca de Arraiján disse num comunicado publicado no Instagram que a ação “permitirá o início da reforma completa do miradouro, um marco icónico que servirá como porta de entrada para o Panamá Ocidental”.

*Texto editado por Carlos Diogo Santos