O militar da GNR condenado a 13 anos de prisão por burlas superiores a 400 mil euros e que se barricou na tarde de terça-feira no posto da GNR de Felgueiras entregou-se na manhã desta quarta-feira às autoridades.
O militar entregou-se à GNR pelas 07:40, disse à agência Lusa fonte policial.
A mesma fonte policial acrescentou à Lusa que o militar da GNR entregou-se na sequência do trabalho da equipa de negociadores, acrescentando que o mesmo se encontra bem e que na sua posse tinha uma arma que não a de serviço.
O homem vai ser agora conduzido à cadeia de Tomar.
O militar barricou-se na tarde de terça-feira no posto desta força policial em Felgueiras, e encontrava-se armado, adiantou o Jornal de Notícias e confirmou o Observador junto de fonte policial.
Trata-se de Sérgio Ribeiro, que foi condenado a 13 anos de prisão por burla a idosos, tendo-se fechado no interior do posto onde estava atualmente colocado quando os colegas tentaram executar o mandado de condução à cadeia de Tomar, para o cumprimento da pena.
O arguido, que se barricou ao início da tarde desta terça-feira, considera que a decisão judicial ainda não transitou em julgado, alegando estar por decidir um recurso.
No local esteve um forte dispositivo policial e uma equipa de negociadores vinda do Porto. Segundo afirmou a fonte policial ao Observador, foram montados “perímetros de segurança” junto ao posto de Felgueiras. Estiveram presentes equipas de intervenção tática e a célula de negociadores esteve em contacto com o barricado para tentar chegar a “uma solução pacifica da situação”.
Segundo o Correio da Manhã, o militar estava sozinho e na posse da sua arma pessoal e não ameaçou outras pessoas, mas terá dito que se iria suicidar, informação que não foi confirmada por esta mesma fonte da GNR.
O mesmo diário avançou que, inicialmente, o barricado colocou a exigência aos negociadores de ver a sua filha de quatro anos, mas que voltou atrás. Ao invés, quer uma resposta ao requerimento interposto pelo seu advogado para suspender a execução dos mandados de detenção. Segundo o Correio da Manhã, Sérgio Ribeiro “garante que está disposto a morrer se não houver decisão e que não aceita ir para a cadeia, acrescentando que se sente enganado pela justiça”.
Tribunal de Guimarães condena militar da GNR a 13 anos de prisão por burla e branqueamento
A 10 de novembro de 2022, Sérgio Ribeiro foi condenado pelo Tribunal de Guimarães a 13 anos de prisão por ser o instigador de um esquema de burlas superiores a 400 mil euros, sendo punido por dezenas de crimes de instigação de burla qualificada e de branqueamento de capitais. O militar foi ainda proibido do exercício de funções de GNR por um período de cinco anos.
Era um esquema familiar, já que o pai do militar foi condenado a 10 anos de prisão por crimes semelhantes. Tanto a mãe como a mulher de Sérgio Ribeiro foram condenadas a penas suspensas: a primeira a cinco anos por coautoria de alguns de crimes de burla e a segunda a quatro anos e meio pelo crime de branqueamento.
Após recursos, a pena viria a ser confirmada, primeiro, em junho de 2024, pelo Tribunal da Relação de Guimarães, e em março deste ano, pelo Supremo Tribunal de Justiça (STJ).
Na acusação, o Ministério Público (MP) sustentava que o esquema passou por o pai do GNR, “muito conhecido, considerado e com boa reputação na sua área de residência, acolitado pela sua mulher sempre que necessário, pedir dinheiro emprestado a pessoas que nele confiavam, geralmente pessoas de idade, enganando-as com uma simulada situação de urgência e aflição”.
Segundo o MP, através deste esquema de burlas, conseguiram mais de 400 mil euros, os quais permitiram uma vida de luxo ao filho (GNR) e à mulher, auditora de justiça.
Em relação à esposa do militar da GNR, o STJ manteve a pena suspensa de quatro anos e meio a que tinha sido condenada por branqueamento. Os pais do militar da GNR também foram condenados.
(Notícia atualizada às 8h53 de quarta-feira, 31 de dezembro)