Acompanhe o nosso artigo em direto sobre a captura de Maduro
O Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e a sua mulher, Cilia Flores, estavam a dormir no seu quarto no complexo Forte Tiuna, quando foram capturados e levados pelas forças norte-americanas. A instalação, que é a maior infraestrutura militar do país, foi um dos locais bombardeados pelos Estados Unidos na madrugada deste sábado.
O Forte Tiuna funciona como o equivalente venezuelano ao Pentágono dos EUA, ou seja, um edifício que concentra vários órgãos ligadas à Defesa do país. É a sede do Ministério do Poder Popular para a Defesa, liderado por Vladimir Padrino López, o quartel-general do Estado-Maior do Exército venezuelano e a sede do centro de alimentação, que garante o fornecimento de comida no país.
O jornal colombiano El Espectador descreve o forte como “um dos pontos mais importantes para o Estado venezuelano”, funcionando “como um centro nevrálgico da estrutura militar do país” ligado diretamente aos “outros locais estratégicos do regime”.
Tal como acontece no caso norte-americano, o complexo fica localizado na capital do país. O forte, divide-se entre as paróquias (subdivisão equivalente às freguesias) de Coche e El Valle, ambas no sul do Distrito Capital.
Descrito como ocupando uma “grande extensão” pelo jornal colombiano El Tiempo, o espaço alberga também uma área conhecida como Ciudad Tiuna, um complexo habitacional que inclui espaços desportivos, urbanos, culturais e financeiros. Ao todo, destacou a televisão estatal VTV em abril do ano passado, o complexo conta com “mais de 10 mil habitações“, construidas pelo Ministério da Habitação num projeto lançado por Hugo Chávez. Dentro de Ciudad Tiuna, situam-se também as Residências Carlos Raúl Villanueva, que funcionam como a casa do pessoal ligado às Forças Armadas do país, quer sejam civis ou militares.
O Pátio de Honra da Academia Militar da Venezuela, localizado dentro do forte, era também frequentemente usado para os desfiles e demonstrações militares organizados pelo regime de Caracas e no qual Nicolás Maduro era presença assídua. Em novembro do ano passado, perante as crescentes ameaças de Trump, o Presidente da Venezuela envergou ali a “espada de Simón Bolívar”, prometendo resistir a eventuais agressões norte-americanas.
“Juro diante deste céu, juro diante do nosso senhor Jesus Cristo, que darei todo o meu esforço pela vitória da Venezuela contra as ameaças e agressões do imperialismo”, afirmou então Maduro.
Maduro vivia em “fortaleza” dentro do complexo, mas não é claro onde
À Fox News, Donald Trump contou que, à altura do ataque, Nicolás Maduro estava numa “casa que mais parecia uma fortaleza”, reforçada com “portas de aço” e que tentou fugir para um bunker situado ao lado do quarto desta casa. A agência Reuters menciona que o Presidente venezuelano vivia dentro de uma “casa segura”, que as forças da CIA replicaram para preparar o ataque. Porém, ainda não é claro onde ficava esta residência segura.
Trump: Maduro was inside a heavily guarded fortress with steel doors and a safe room. He tried to reach it but didn’t make it—we moved too fast.
No U.S. aircraft were lost, no one was killed. Timing was right, and we had to act.
— Tymofiy Mylovanov (@Mylovanov) January 3, 2026
Até outubro, a residência presidencial La Viñeta, destinada à vice-presidente mas que chegou a ser usada por Maduro, funcionava dentro do complexo. Porém, nesse mês, o edifício foi entregue numa cerimónia apresentada pelo próprio Nicolás Maduro ao serviço social “Grande Missão Avôs e Avós da Pátria”, dedicado a criar residências para idosos.
Ivan Simonóvis, antigo chefe da polícia da região metropolitana de Caracas preso pelo regime em 2002 e que fugiu em 2014 da prisão domiciliária e da Venezuela, alegou em agosto de 2024 que Maduro residia num “bunker”, conhecido pelo nome “Casa los Pinos”.
En los Alpes Bávaros de Alemania Hitler tenía “el nido del águila”, pero Hugo Chávez no se queda atrás.
El búnker llamada la “Casa los Pinos” que se construyó para Hugo Chávez pero la disfrutó muy poco, se ubica detrás del servicio de sanidad del ejército y el comando… pic.twitter.com/JqR75bJmH2
— Iván Simonovis (@Simonovis) August 25, 2024