A incerteza sobre as explosões que se começaram a ouvir na capital venezuelana em plena madrugada durou pouco, com Donald Trump a confirmar pouco depois na Truth Social que o ataque tinha sido realizado por forças militares dos EUA. Ao longo da manhã soube-se que Nicolás Maduro e a mulher tinham sido capturados pelas forças norte-americanas e mais pormenores começaram a surgir: estavam num forte militar e foram “arrastados” da cama.
Já se sabe onde os EUA querem “julgar” Maduro — em Nova Iorque —, mas não se sabe para já onde vai ficar detido depois de chegar a território norte-americano num porta aviões, o navio de guerra Iwo Jima. Também não se sabe qual será o destino de Cilia Flores, que está a ser levada, juntamente com o marido, para os EUA.
O que se sabe?
- Cerca das duas horas da madrugada, hora local em Caracas, seis da manhã em Lisboa, começaram a ouvir-se as primeiras explosões na capital venezuelana. Também foram avistadas e ouvidas aeronaves a voar a baixa altitude. Pouco depois, através de um comunicado, o Governo da Venezuela confirmou que a capital tinha sido atacada, assim como outros três estados venezuelanos, Miranda, La Guaira e Aragua. Falou de imediato numa “gravíssima agressão militar perpetrada pelo atual Governo dos Estados Unidos da América contra território e população venezuelanos”.
- Os EUA confirmaram ser os autores do ataque à Venezuela pouco depois das primeiras explosões serem ouvidas. “Os Estados Unidos da América realizaram com sucesso um ataque em grande escala contra a Venezuela e o seu líder”, confirmou o próprio Donald Trump na Truth Social, remetendo mais esclarecimentos para uma conferência de imprensa marcada para as 11h00, em Mar-a-Lago, 16h00 em Lisboa.
- Nicolás Maduro e a sua mulher, Cilia Flores, foram capturados pelos EUA na Venezuela, confirmou também o próprio Presidente norte-americano logo de madrugada, que começou por referir que tinham sido levado para “fora do país”. Horas depois, Pamela Bondi, procuradora-geral dos EUA, garantiu que os dois “enfrentarão toda a severidade da justiça americana em solo americano, em tribunais americanos”. Detalhou que Maduro foi acusado de “conspiração para narcoterrorismo, conspiração para importação de cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos explosivos, e conspiração para posse de metralhadoras e dispositivos explosivos contra os Estados Unidos”.
- Líder venezuelano e a mulher estavam em Forte Tiuna, uma instalação militar em Caracas, quando foram arrastados da cama e levados pelas forças norte-americanas. A informação começou por ser avançada por vários órgãos de comunicação e acabou a ser confirmada pelo próprio Donald Trump, que descreveu o local como “mais parecido com uma fortaleza do que com uma casa”, com “metal reforçado por toda a parte”. Também o líder do partido governista venezuelano, Nahum Fernández, disse à Associated Press que Maduro e a mulher estavam em casa, dentro da instalação militar quando foram capturados, apelidando esta ação de um sequestro.
- Foram as tropas de elite norte-americanas Delta Force que detiveram o Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, as mesmas responsáveis por deter o antigo líder do autoproclamado Estado Islâmico, Abu Bakr al-Baghdadi, numa missão em 2019.
- Maduro será julgado em Nova Iorque pelos crimes de que é acusado pelos EUA, uma vez que foi indiciado nesta cidade norte-americana, informação confirmada também pela procuradora-geral dos EUA.
- Há portugueses afetados? Foi o próprio Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) português a dar conta de que a comunidade portuguesa na Venezuela “se encontra bem e calma, embora naturalmente expectante” O Governo reafirmou o apelo à tranquilidade e precaução que dirigiu à comunidade portuguesa na Venezuela logo após os primeiros sinais do ataque norte-americano.
- Foi revelado que a data planeada para o ataque norte-americano não era 3 de janeiro, como veio a acontecer, mas que o ataque era “para ter sido há quatro dias”, segundo o próprio Presidente norte-americano. Foi “o estado do tempo” que levou a que operação militar fosse adiada e não tivesse acontecido a 31 de janeiro.
O que falta saber?
- Não é conhecido, para já, o local de destino de Nicolás Maduro nos EUA. Sabe-se que foi capturado pelos EUA e levado para o país, mas é ainda incerto o local para onde será levado dentro do território norte-americano. A Fox News avançou que o líder venezuelano deve ser presente a tribunal pela primeira vez já esta segunda-feira, pelo que poderá ser esse o seu destino.
- Também não é claro o que vai acontecer à mulher de Maduro, a primeira-dama venezuelana, Cilia Flores, que foi capturada com ele. No post que escreveu na rede social X, Pam Bondi usa o plural e diz que os dois elementos do casal foram “acusados” em Nova Iorque. No entanto, prossegue a elencar a lista de crimes pelos quais Maduro esta indiciado no singular. Não é claro quais serão as acusações a que Flores fica sujeita.
- O número de vítimas mortais e de feridos provocados pelo ataque continua rodeado de incerteza. Diosdado Cabello, ministro da Administração Interna venezuelano, referiu esta manhã que houve um “massacre” na Venezuela, avançando o registo de “mortes de civis”, mas desde então que não há informação adicional sobre tais vítimas.
- Também não é clara a dimensão dos danos provocados pelos mísseis lançados pelos EUA em Caracas e nos restantes locais atingidos. A contabilização dos estragos não está feita e não se sabe se mais estados venezuelanos foram afetados, sem ser os de Miranda, La Guaira e Aragua.
- Não são para já conhecidos os recursos exatos usados pelos EUA para levar a cabo esta ação militar na Venezuela. Não estão ainda contabilizados o número de mísseis lançados, nem quantos militares foram mobilizados.
- A maior incerteza é, neste momento, o destino da governação venezuelana. María Corina Machado já quebrou o silêncio e diz que a oposição está “preparada” para “tomar o poder”. Considera que Edmundo González deve “assumir de imediato o seu mandato constitucional e ser reconhecido como Comandante em Chefe da Força Armada Nacional por todos os oficiais e soldados que a integram”.