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O que mais Ndoye é perder tudo e todos por culpa própria (a crónica do Sporting-V. Guimarães)

Este artigo tem mais de 6 meses

Suárez voltou a ser letal na primeira oportunidade, Charles travou Sporting com oito defesas e, com Ioannidis e Quaresma de fora por lesão, minhotos conseguiram reviravolta épica dos descontos (1-2).

Ndoye entrou aos 78', fez o empate no segundo minuto de descontos e bisou para a reviravolta do V. Guimarães... aos 90+11'
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▲Ndoye entrou aos 78', fez o empate no segundo minuto de descontos e bisou para a reviravolta do V. Guimarães... aos 90+11'

Luis Eiras

▲Ndoye entrou aos 78', fez o empate no segundo minuto de descontos e bisou para a reviravolta do V. Guimarães... aos 90+11'

Luis Eiras

O arranque do ano não foi fácil, o que se seguia muito menos. Numa altura em que Rui Borges gostava de ter uma varinha para parar o tempo e dar espaço à recuperação de jogadores habitualmente titulares que fazem cada vez mais falta, o calendário voltava a surgir como principal adversário do Sporting em janeiro – não só pelo número de total de jogos possíveis mas também pela dificuldade e pela falta de margem de erro que os mesmos acarretavam. Nada era dado como adquirido num período marcado pelas muitas ausências e nem mesmo o discurso do técnico sempre à procura de soluções em vez de se queixar dos problemas conseguia ter essa resposta a todas as questões, como se viu no empate em Barcelos com o Gil Vicente. Agora, num outro outro registo e competição, seguia-se um V. Guimarães apostado em fazer história, chegar pela primeira vez à final da Taça da Liga – Allianz Cup e “vingar” a goleada sofrida no Minho a contar para o Campeonato.

V. Guimarães vence Sporting com dois golos nos descontos e está na final da Taça da Liga pela primeira vez na história

“Vai ser um mês de janeiro e início de fevereiro bastante intenso, com muitos jogos. Não temos as soluções todas e esperemos que voltem o mais rápido possível. Mais do que dar-nos soluções, tira-nos alguma sobrecarga de muitos dos jogadores que temos. Acaba por haver sobrecarga que pode tornar-se perigosa. Entra se calhar num espaço que não controlamos tão bem, das lesões musculares. Entramos nessa linha vermelha por causa da sobrecarga de jogos e nos mesmos jogadores. É esperar que haja mais soluções, que volte a malta que está de fora. Os que demoram mais a recuperar são as lesões traumáticas, que não controlamos. O máximo a que podemos olhar é às lesões musculares e não temos tido muitas. Também é um ano de CAN… O que controlamos, tentamos ao máximo ser melhores. O que não controlamos… Gestão? É complicado nesta fase, não temos as soluções todas e estamos na fase mais crítica da época…”, admitira o técnico, projetando um duelo frente à anterior equipa com um filme distinto do que houve há duas semanas.

“Será diferente do jogo do Campeonato. É um jogo a eliminar, o Vitória vai querer disputar a final da Allianz Cup e ganhar um troféu, até pela massa associativa e grandeza do clube. Será um jogo competitivo e diferente. Acredito que em alguns momentos será mais calculado, porque ambas as equipas querem estar na final. Apesar de todas as mudanças, estão a fazer um belíssimo Campeonato e foram a única equipa que ganhou ao FC Porto internamente. Vai ser um jogo competitivo, que vai exigir muito de nós. Nós, dentro do que temos disponível, tentaremos fazer um jogo bom e competente, não fugindo a tudo o que gostamos de ter na qualidade e no assumir do jogo”, assumira, sem pensar no último empate em Barcelos que deixou os leões a sete pontos do líder FC Porto e na derrota na última edição da prova nos penáltis frente ao rival Benfica.

“Os jogadores percebem que pode ser a disputa de um título. Queremos muito ganhar, a equipa está sempre com a ambição de estar nas finais e disputar troféus. Mais à frente voltaremos a focar-nos no Campeonato. É perceber que queremos competir e os jogadores mostram isso, apesar do resultado desse jogo em Barcelos. Querem competir, jogar e demonstrar o que são enquanto equipa e grupo. Não tem a ver com orgulho ferido mas sim com a ambição da equipa. Queremos é estar nas finais. Estivemos na época passada, não conseguimos ganhar todas. O futebol é isso, seguir, levantar e voltar a lutar. Eles não se cansam, querem acrescentar história, continuar na história do Sporting. Isso mete-os novamente nessa história”, destacava.

As palavras não passaram aos atos. Em mais um encontro em que perdeu Ioannidis na primeira parte e Eduardo Quaresma no segundo tempo (este com uma lesão que pode ser grave), os leões estiveram de novo em vantagem, desperdiçaram oportunidades sem fim e acabaram por cair em período de descontos com um bis de Ndoye que premiou o acreditar do V. Guimarães até a uma histórica presença na final da Taça da Liga. Disse um dia António Oliveira que, “por cada leão que cair, outro se levantará”. Em Leiria, mais uma vez, já não houve força para resistir a tanta contrariedade que é um autêntico remake da última época. Todavia, e entre o mérito dos minhotos na reviravolta, há muita culpa própria de um Sporting bicampeão que não pode ter defesas com movimentos na área como o que deu o empate nem sofrer um segundo golo aos 90+11′ numa transição ofensiva quando não tinha forças para mais. Para já, a derrota tem como implicação direta a perda da possibilidade de lutar por um título – mas a fatura pode ser mais pesada daqui para a frente.

Ficha de jogo

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Sporting-V. Guimarães, 1-2

Meia-final da Taça da Liga – Allianz Cup

Estádio Dr. Magalhães Pessoa, em Leiria

Árbitro: Luís Godinho (AF Évora)

Sporting: Rui Silva; Fresneda, Eduardo Quaresma (Rômulo, 67′), Matheus Reis, Maxi Araújo; Hjulmand, João Simões (Kochorashvili, 90′); Francisco Trincão (Luís Guilherme, 90′), Flávio Gonçalves (Morita, 67′); Ioannidis (Alisson, 24′) e Luis Suárez

Suplentes não utilizados: João Virgínia, Vagiannidis, Daniel Bragança e Rodrigo Ribeiro

Treinador: Rui Borges

V. Guimarães: Charles; Strata, Miguel Nóbrega (Thiago Balieiro, 59′), Abascal, João Mendes; Diogo Sousa (Samu, 59′), Gonçalo Nogueira; Oumar Camara (Telmo Arcanjo, 69′), Beni (Mitrovic, 79′), Saviolo e Nelson Oliveira (Ndoye, 79′)

Suplentes não utilizados: Juan Castillo, Miguel Magalhães, Rodrigo Duarte, e Fabio Gomez

Treinador: Luís Pinto

Golos: Luis Suárez (13′) e Ndoye (90+2′ e 90+1”)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Miguel Nóbrega (29′), Iván Fresneda (43′), Saviolo (56′), Kochorashvili (90+9′) e Abascal (90+10′)

O encontro começou sem oportunidades, sem muita baliza e com o V. Guimarães apostado em dar essa tal imagem diferente que tinha ficado da partida para o Campeonato. Estava melhor nas zonas de pressão, tinha capacidade para esticar jogo apostando quase sempre na velocidade de Saviolo e conseguia criar problemas nas primeiras e segundas fases de construção dos leões, que procuravam rodar a bola entre corredores mas sem espaços para fazer a diferença. Assim, os minutos iniciais ficaram resumidos a um remate de Ioannidis na área após bola parada que podia levar perigo mas bateu em Abascal (4′) e de um lance onde João Simões foi providencial com um corte na área quando Camara se preparava para o desvio (8′). À primeira chance, o primeiro golo: Francisco Trincão, que no minuto anterior tinha rematado de fora para defesa de Charles (12′), lançou Luis Suárez entre central e lateral e o colombiano atirou cruzado para o 1-0 (13′).

[Clique nas imagens para ver os melhores momentos do Sporting-V. Guimarães em vídeo]

O Sporting encontrava a sua zona de conforto no jogo frente a uma formação minhota que tentou reagir de imediato mas que estava agora na posição que mais queria evitar, não podendo arriscar muito sob pena de ser apanhada numa transição mas sabendo a importância que era colocar o jogo no meio-campo verde e branco. O que mudou? A paragem forçada pela lesão de Fotis Ioannidis, que deu tempo para que Alisson tivesse um pequeno período de aquecimento antes de entrar mas que acabou por “adormecer” os leões na saída a partir de trás, quase como se ninguém quisesse acreditar que havia mais uma baixa a ensombrar a equipa. Os minhotos, com mérito à mistura, aproveitaram para crescer, subindo as linhas das zonas iniciais de pressão e ganhando uma bola que terminou com o remate de Diogo Sousa perto do poste (26′).

Aos poucos o Sporting começava a recuperar a confiança no jogo. As combinações nos corredores laterais já iam saindo, a exploração da profundidade era uma arma que conseguia criar dificuldades ao adversário, a subida de linhas de pressão foi forçando ao aumento do número de erros. De forma quase natural, todo esse crescimento estendeu a passadeira ao ataque à baliza de Charles, brasileiro que é habitualmente suplente mas que teve duas intervenções fabulosas em minutos consecutivos a negar novo golo leonino – primeiro numa tentativa de longe e rasteira de Luis Suárez após recuperação de João Simões no corredor central (35′), depois num autêntico fuzilamento de Alisson após corte defeituoso de Strata que isolou o substituto de Fotis Ioannidis na área (36′). O intervalo chegaria mesmo com a vantagem mínima mas com o V. Guimarães a ter a sua melhor oportunidade nos descontos… num lance caricato: Abascal ia marcar uma falta antes do meio-campo, viu o adiantamento de Rui Silva, tentou o chapéu e guarda-redes fez uma defesa de recurso.

Ao contrário do que aconteceu na partida do Campeonato, Luís Pinto optou por não fazer nenhuma mexida ao intervalo apesar da desvantagem mas tentou algo diferente com a colocação de Saviolo no lado esquerdo do ataque frente a um Iván Fresneda que já tinha amarelo. Contudo, e apesar dessa tentativa de colocar o luso-belga em situações de 1×1, era o Sporting que conseguia fazer a diferença nos corredores laterais mas pela direita, com as arrancadas de Alisson a colocarem os minhotos em sentido e a darem uma boa chance para Trincão marcar se não fosse… a relva (48′). O encontro estava vivo, partia com facilidade com bolas nas duas áreas em poucos toques e voltava a ter Charles como grande protagonista, a defender de forma menos ortodoxa mas tão ou mais eficiente dois remates fortes e rasteiros de João Simões (52′) e Luis Suárez (55′). Se os minhotos ainda estavam na luta, o guarda-redes brasileiro era a justificação com cinco defesas e o ritmo só abrandou mesmo num choque de cabeças entre Samu e Eduardo Quaresma, que teve de sair.

Se a saída de Ioannidis ainda foi depois colmatada com as dinâmicas ofensivas que iam fazendo diferença, a longa paragem para a assistência ao defesa com respetiva definição da equipa (Morita também entrou para o lugar de Flávio Gonçalves, num reforçar do meio-campo que queria também proteger o central Rômulo) foi o capítulo final dessas dinâmicas, com o V. Guimarães a assumir mais esse comando do encontro e a conseguir evitar por mais ocasiões as saídas rápidas dos leões. As aproximações foram várias, as finalizações só iam chegando em remates de longe que saíam muito longe da baliza, só mais perto do fim Saviolo teve uma tentativa enquadrada ao segundo poste de cabeça para defesa de Rui Silva (80′). As várias paragens iam quebrando qualquer fio de jogo, Charles ainda travou um remate de Alisson (83′), um desvio de Matheus Reis ao primeiro poste (85′) e uma tentativa de Morita na pequena área (90′), o jogo não acabara.

Pouco depois da estreia de Luís Guilherme no lugar de Francisco Trincão, além da troca de Kochorashvili por João Simões, o V. Guimarães conseguiu a sua melhor jogada de envolvimento do encontro pela direita, Telmo Arcanjo deixou para o cruzamento de Gonçalo Nogueira e Ndoye, com um só movimento básico de avançado ao segundo poste, deixou Rômulo para trás para fazer o empate (90+2′). Tudo mudava mas com quase mais dez minutos para jogar e ascendente total anímico dos minhotos, que encontraram em Saviolo a força para uma cavalgada anormal com 111 minutos de jogo até à área com outra abordagem errática de Rômulo antes de um desvio infeliz de Morita que isolou Ndoye para o bis que decidiu o encontro (90+11′).

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