O Tottenham ganhou um dos últimos seis jogos na Premier League e está no 14.º lugar, a seis pontos da zona de apuramento para as competições europeias e bem longe dos principais rivais. E se é certo que a época passada já não tinha sido brilhante para os spurs, a verdade é que a conquista da Liga Europa acabou por mascarar alguns fantasmas. Este ano, nada parece melhorar o filme de terror.

Esta quinta-feira, a equipa de Thomas Frank perdeu com o Bournemouth, somou a terceira jornada consecutiva sem ganhar e aumentou as vozes de alarme em relação ao jogo do próximo sábado contra o Aston Villa, a contar para a terceira ronda da Taça de Inglaterra. Depois do apito final, de forma algo surpreendente, acabou por ser o capitão a assumir o papel de falar diretamente aos adeptos — e deixar algumas farpas à estrutura do clube.

Numa publicação no Instagram, Cuti Romero começou por pedir desculpa aos adeptos, que “estão sempre lá e vão continuar a estar”. “Somos responsáveis, não há dúvidas sobre isso. Sou o primeiro a admiti-lo. Mas vamos continuar a encarar as coisas e a tentar dar a volta à situação, por nós e pelo clube. Em alturas como esta, deviam ser outras pessoas a falar, mas não o fazem — e isso acontece já há vários anos. Só aparecem quando as coisas estão a correr bem”, acrescentou, sendo que o texto original foi editado e na sua versão inicial referia que as tais pessoas dizem “algumas mentiras”, referência entretanto apagada.

“Vamos continuar aqui, a trabalhar, juntos, e a dar tudo o que temos para dar a volta à situação. Especialmente em alturas como esta temos de nos manter quietos, a trabalhar cada vez mais e a avançar, é parte do futebol. Se estivermos todos juntos será mais fácil”, terminou o central argentino, que está no clube desde 2021 e soma mais de 140 jogos pelo Tottenham em todas as competições.

Esta não foi a primeira vez, ainda assim, que Cuti Romero criticou abertamente a forma como o clube é liderado e gerido. Em junho, quando Ange Postecoglou foi despedido e substituído por Thomas Frank, o central escreveu também nas redes sociais que o Tottenham tem “vários obstáculos que sempre existiram e vão sempre existir”. Antes, em dezembro de 2024, já tinha criticado a ausência de investimento dos spurs em comparação com os principais rivais, defendendo que era preciso encontrar “os verdadeiros responsáveis” pelos maus resultados.

Cuti Romero à parte, ainda assim, é cada vez mais claro que o ambiente no universo do Tottenham não é o melhor. Também esta quinta-feira e depois da derrota com o Bournemouth, Micky van de Ven e João Palhinha trocaram palavras mais acesas com alguns adeptos presentes no Vitality Stadium, enquanto que Pedro Porro teve mesmo de ser intercetado por Guglielmo Vicario enquanto discutia com as bancadas. Mais tarde, o próprio Palhinha explicou o que se passou.

“Os adeptos estavam apenas a partilhar as frustrações connosco. Claro que compreendemos. Respeitamos muito os nossos adeptos, antes de tudo. Disse só que estamos todos a lutar pelo mesmo. Queremos ganhar, não só os jogadores como o staff e os adeptos”, indicou o médio português, que está nos spurs a título de empréstimo do Bayern Munique até ao final da temporada e marcou um golo de pontapé de bicicleta esta quinta-feira.

Pelo meio, e como o clube parece estar afundado numa espécie de Lei de Murphy em que nada corre bem, até os azares contribuem para o abismo. Antes do início do jogo com o Bournemouth, Thomas Frank foi visto junto ao relvado a beber café de um copo com o símbolo do Arsenal — o eterno rival do Tottenham que está atualmente na liderança da Premier League. O treinador explicou-se, garantindo que nem reparou, e o copo deve ter sido deixado pelos gunners no balneário visitante do Vitality Stadium depois da deslocação do passado fim de semana.

“Não reparei, definitivamente. Seria completamente estúpido da minha parte utilizar o copo se tivesse reparado. É um bocadinho triste para o futebol ter de ser questionado sobre isto. Nunca faria algo tão estúpido. Acho que estamos a caminhar na direção errada se temos de nos preocupar com o facto de eu ter bebido café de um copo com o símbolo de outro clube”, atirou o treinador dinamarquês.