Em Fafe era quase irresistível atacar o filho da terra, Marques Mendes. E foi o que aconteceu. Numa quinta em Arões, freguesia onde casaram os avós paternos do social-democrata, Gouveia e Melo não teve contemplações e atacou o adversário: “Alguém nesta terra considera que é o fiel depositário de Sá Carneiro, que tem ligação espírita a Sá Carneiro. Mas não precisa de fiel depositário porque mostrou em vida o que era e as pessoas retiram disso os seus ensinamentos.”

Gouveia e Melo acabaria por acusar mesmo Marques Mendes de ter as prioridades de Sá Carneiro (que tinha como “primeira Portugal, a segunda o partido, a terceira o indivíduo”) completamente “invertidas“. O almirante diz que o candidato do PSD tem como prioridades “primeiro o indivíduo, depois o partido e só depois Portugal.” Ou seja: Mendes preocupa-se com a carreira dele, depois com o PSD e só depois com o país.

O almirante também não poupou  Cotrim e Ventura, que diz que não se podem arrogar de serem herdeiros de Sá Carneiro: “Sá Carneiro devia ter uma grande componente social, por isso o neoliberalismo não é um herdeiro do pensamento de Sá Carneiro. Era, aliás, um verdadeiro democrata e um partido com ideias anti-democratas não é certamente o herdeiro de Sá Carneiro.” Minutos depois acabaria por atirar de novo ao ex-presidente da IL, que teve uma quinta-feira dedicada aos idosos: “Eu não fui visitar os mais velhos porque as sondagens diziam que tinha mais votos nos jovens e que precisava de ir para junto dos mais velhos.”

Gouveia e Melo voltou depois a atirar-se à excessiva partidarização e atirou: “Este sistema tem medo de mim, porque eu digo a verdade.” O almirante diz que o que era necessário um “pacto de limpeza” na Administração Pública, onde proliferam os interesses partidários. O candidato diz que os “partidos são importantes para a democracia, mas não podem continuar assim. Temos de mudar de vida. Temos de criar um ar mais límpido da nossa democracia”.

Num dia repleto de críticas ao Governo, Gouveia e Melo volta a repetir que, quando vê falhas na Saúde, lembra-se da pandemia. E destaca que os militares foram escolhidos porque eram os “mais bem preparados” e tinham o “espírito”, sabiam “servir o país acima de tudo” e eram “verdadeiramente independentes.” Além de que tinham as “competências necessárias para gerir o processo complexo [de vacinação].”

Gouveia e Melo continua depois a puxar da sua experiência da Marinha para contrariar os que dizem que não tem expeirência. “Eu geri um orçamento de 850 milhões de euros. Um ativo e passivo de 8 mil milhões de euros. 10 mil homens. Fiz operações complexas que podem pôr em causa a posição nacional no contexto internacional. Por isso, tenham respeito. A minha experiência é servir Portugal. E a única coisa que ganhei foi o meu salário. “

Houve ainda um momento simbólico em que o trineto de Manuel Arriaga (Presidente na I República) ofereceu a Gouveia e Melo uma caricatura do trisavô feita por Bordallo Pinheiro. Ao púlpito subiu também Palmira Lobo, a quem o almirante chamou de “rainha do norte”, que foi a única conselheira nacional do PSD a votar contra o apoio a Marques Mendes no órgão máximo entre congressos do partido liderado por Luís Montenegro.