Alain Orsoni, ex-presidente do clube de futebol AC Ajaccio e antigo dirigente do movimento separatista da Córsega, foi morto a tiro após as cerimónias fúnebres da sua mãe na localidade de Vero, no sul da ilha francesa do Mediterrâneo. Os investigadores, à France 3 Régions, afirmaram que Orsoni, que tinha 72 anos, foi atingido por uma bala “à distância“.
Segundo as autoridades, citadas pelo mesmo meio de comunicação, tudo aconteceu pelas 16h00 locais (15h00 em Lisboa), hora a que Orsoni foi atingido mortalmente por uma bala no peito. No local, o padre da igreja de Vero, Roger Polge, contou à France 3 que se viveu “um momento de dor e tristeza”. “De repente, ouvimos um tiro e Alain cai morto”, contou o sacerdote. “O que se passa na nossa terra? A Córsega parece-me pior do que a Sicília, é inimaginável”, acrescentou.
O jornal Le Monde informou que o caso foi entregue à Procuradoria Nacional para o Crime Organizado, que abriu uma investigação por possibilidade de três crimes: “homicídio cometido por uma quadrilha organizada, conspiração criminosa para cometer um crime e participação em organização criminosa”.
Orsoni foi um dos líderes da Frente Nacional de Libertação da Córsega, um movimento de luta armada que defendia a independência da ilha. Nos anos 90, acabaria por sair e fundar o partido Movimento pela Autodeterminação, que liderou até 1996, ano em que saiu da ilha. O Le Monde contou que o político foi viver para o estrangeiro: primeiro para a Florida, depois para a Nicarágua.
Quando voltou à Córsega, em 2008, assumiu o cargo de presidente do AC Ajaccio, clube desta ilha que acabou por liderar por 17 anos. Saiu em junho de 2025 com o clube a descer de divisão administrativamente para a Liga Regional 2, sétima divisão do futebol francês, por problemas financeiros.
Poucos meses após tornar-se presidente do Ajaccio, Alain Orsoni foi alvo de uma tentativa de assassinato pelo grupo de crime organizado “Petit Bar Gang”, que levou à condenação de cinco dos seus membros em 2011.
Porém, os casos criminosos graves a atingirem a família Orsoni datam da década de 80 do século passado. Em 1983, Guy Orsoni, irmão de Alain, foi raptado na ilha mediterrânica e nunca foi encontrado, tendo sido declarado morto nesse ano. O filho do ex-dirigente morto esta sexta-feira, que tem o mesmo nome do tio desaparecido, também foi alvo de uma tentativa de assassinato, em 2018, com Pascal Porri, do “Petit Bar Gang”, a ser acusado deste crime.
Como vingança, o filho de Alain Orsoni foi apanhado nesse ano na posse de armas ilegais à porta do homem que o tentou matar, acabando por ser condenado a uma pena de prisão de 12 anos. Porri também acabou por ser condenado a 10 anos de prisão, embora por acusações de lavagem de dinheiro ligado ao gangue a que pertencia.