A comunidade escolar da Secundária de Barcelinhos, em Barcelos, ameaça “endurecer” a luta se não for implementada, com caráter de urgência, uma solução que proteja alunos, funcionários e professores da chuva, no espaço exterior, anunciou esta sexta-feira um delegado sindical.
Em nota enviada à Lusa, Paulo Cunha, afeto ao Sindicato dos Professores da Zona Norte, disse admitir uma solução provisória, como toldos ou tendas, enquanto a cobertura exterior prevista no âmbito da empreitada de requalificação da escola não estiver instalada.
“A solução que os alunos encontram [neste momento] é estarem 20 ou 30 num WC contentor onde normalmente cabem quatro ou cinco pessoas. As restantes turmas ficam à chuva”, apontou.
Falou em crianças e adultos a trabalhar e a estudar “permanentemente encharcados”, sublinhando não ser aceitável que se vá para aulas “secar as roupas”.
A escola está, desde junho, em obras de requalificação integral, tendo sido instalados contentores para a realização das aulas.
Está prevista a instalação de abrigos provisórios, o que até agora ainda não aconteceu.
“Apenas queremos uma solução, mesmo que imperfeita, mesmo que menos estética, mas que nos abrigue minimamente. Alguma coisa tem de ser instalada urgentemente, pois não é normal nem razoável obrigar as adultos e crianças a trabalhar ou a estudar permanentemente encharcados. É desumano, inaceitável e intolerável manter isto em pleno inverno”, sublinhou Paulo Cunha.
O delegado sindical advertiu que, se não implementarem desde já uma cobertura provisória para abrigar alunos, funcionários e docentes, “não restará outra solução se não endurecer formas de luta”.
“Esperamos até a próxima segunda-feira para termos uma solução provisória que possa proteger e salvaguardar a comunidade escolar”, avisou.
Contactado pela Lusa, o presidente da Câmara de Barcelos, Mário Constantino, disse que a instalação da cobertura vai ser adjudicada na próxima semana, sendo depois o prazo de execução até um mês.
A cobertura significará um investimento de 150 mil euros.
“Não faz qualquer sentido estarmos a falar em soluções como toldos ou tendas, numa altura em que vamos adjudicar a instalação de uma cobertura que já de si será provisória, uma vez que será removida após a conclusão da requalificação da escola, prevista para julho ou agosto”, referiu.
Sublinhou que as obras na escola, orçadas em 13 milhões de euros, eram reclamadas “há longos anos” e que “não se pode querer sol na eira e chuva no nabal”.
“Qualquer obra acarreta transtornos. Compreendemos as queixas, mas estamos a trabalhar na solução. São mais 30 dias, no máximo”, referiu, apelando à compreensão daquela comunidade escolar.