O primeiro-ministro, Luís Montenegro, procurou este domingo evitar que a derrota de Luís Marques Mendes (que está a caminho de terminar a contagem dos votos em quinto lugar com uma votação a rondar os 10%) seja lida como uma derrota partidária do PSD, assinalando que os sociais-democratas pretendem continuar a governar e abstendo-se de se envolver na campanha eleitoral para a segunda volta, rejeitando apoiar publicamente qualquer um dos dois candidatos que seguem para o escrutínio de 8 de fevereiro, António José Seguro e André Ventura.

Numa declaração a partir da sede do PSD, em Lisboa, Montenegro reconheceu que o espaço político do PSD “não estará representado na segunda volta”, que se vai disputar entre um candidato “que representa o espaço político à esquerda do PSD” e outro “que representa o espaço político à direita do PSD”. Atribuindo a derrota de Marques Mendes a uma “divisão” dos votos no espaço político da direita (embora sem mencionar diretamente o liberal João Cotrim Figueiredo), Montenegro garantiu que nem o PSD nem o Governo se envolverão na campanha para a segunda volta.

“Nesta segunda volta não estará representado o nosso espaço político. Aceitamos essa escolha com humildade democrática. O PSD não estará envolvido na campanha eleitoral. Não emitiremos nenhuma indicação e nem é suposto fazê-lo”, disse Montenegro. “E quero dizer com toda a tranquilidade que faremos aquilo que foi também a vontade dos portugueses. O PSD foi escolhido para governar o país e é isso que fará nas próximas três semanas, como de resto nos próximos anos. O PSD estará a governar Portugal, as regiões autónomas, a maioria das câmaras municipais, no decurso de uma escolha legítima, livre, democrática dos portugueses.”

“O PSD não estará envolvido na campanha presidencial também no decurso de uma escolha legítima, democrática e livre dos portugueses”, acrescenta. “Aceitamo-lo com tranquilidade, com tolerância democrática. Evidentemente que não ficámos satisfeitos. Mas aceitamos aquela que é a escolha legítima, livre e democrática.”

Montenegro falou ainda da “forma particularmente empenhada e honrosa” com que Luís Marques Mendes “se apresentou aos portugueses”. Questionado pelos jornalistas, Montenegro procurou várias vezes evitar associar uma derrota de Marques Mendes a uma derrota do PSD. Reiterando que foi uma “escolha legítima” dos portugueses e que a opção do PSD “não teve acolhimento”, Montenegro disse assumir essa responsabilidade com a mesma tranquilidade com que, nas últimas quatro presidenciais, este espaço político teve “uma adesão diferente”.

“A democracia é isto”, acrescentou Montenegro, sublinhando que os portugueses fazem uma “distinção” entre as opções em cada eleição. “Os portugueses escolheram-nos para governar e vamos continuar a governar.”

A terminar a sua declaração, Luís Montenegro pediu que se evitem “jogos políticos” nas próximas três semanas. Garantindo que continua a achar que Marques Mendes era a “melhor opção”, Montenegro garante: “Aceito democraticamente não estar ativo e não participar nas três semanas de campanha eleitoral que vão agora decorrer.”

“É uma consequência da pronuncia livre e democrática do povo português”, acrescentou. “Não vale a pena andarem com jogos políticos. Aqueles que estão muito interessados em promover questões nas próximas três semanas não vão encontrar uma resposta diferente desta”, disse ainda Montenegro, esperando que nas próximas semanas o debate seja “elevado e esclarecedor”.