Não foi à primeira, nem à segunda, mas à terceira tentativa que a CGTP e o Governo estiveram reunidos no Palacete de São Bento para debater as alterações à legislação do trabalho. Tiago Oliveira saiu da reunião com Luís Montenegro com duas certezas, a primeira a de que “não é objetivo do Governo retirar o pacote laboral de cima da mesa” — a única opção viável para a central sindical — a segunda a de que, por causa disso, “a luta vai continuar“. E uma nova greve não foi descartada pelo dirigente sindical.

“A CGTP está completamente aberta e disponível para discutir com o Governo melhoria e avanços para o mercado do trabalho, mas recusa discutir o que se vai retroceder”, afirmou o secretário-geral da central sindical em declarações aos jornalistas em frente à residência oficial do primeiro-ministro, continuando a recusar entrar numa negociação idêntica à que a UGT mantém com o Governo, em que apresenta propostas para alterar o anteprojeto da reforma laboral apresentado no verão passado pelo executivo, mesmo depois de ter aderido à greve geral de 11 de dezembro, a primeira que juntou as duas centrais sindicais desde 2013.

Depois de uma reunião de mais de uma hora que contou com a presença da ministra do Trabalho e da Segurança Social, Maria do Rosário Palma Ramalho, Tiago Oliveira concluiu que “há realidades do mundo laboral que passam ao lado de quem está à frente do país“, repetindo que não é objetivo da CGTP negociar, em qualquer ponto, o conteúdo do pacote laboral, exigindo exclusivamente a sua total retirada por parte do Governo.

CGTP acusa Montenegro de “não conhecer o verdadeiro sentimento dos locais de trabalho”

“Foi uma conversa em que pudemos confrontar o primeiro-ministro e o Governo com o impacto que as medidas que estão no pacote laboral têm no mundo do trabalho”, descreveu ainda Tiago Oliveira sobre o encontro em São Bento, destacando a exposição a Montenegro daquilo que a CGTP considera ser a “normalização da precariedade com o alargamento dos contratos a prazo”.

“Quem está à frente do país tem que conhecer aquela que é a realidade da maioria”, apelou ainda o dirigente sindical, referindo que o primeiro-ministro “ou não consegue ter a verdadeira perceção porque não conhece o verdadeiro sentimento dos locais de trabalho ou então tem uma agenda e ambição próprias”.

“Vamos continuar a exigir do governo a retirada deste pacote laboral. Tal como no passado, continuamos a dizer que todas as formas de luta estão em cima da mesa”, adicionou, dando conta que a CGTP vai reunir o seu Conselho Nacional na próxima quinta-feira. “Vamos já começar a discutir a próxima resposta ao ataque que está em curso ao mundo do trabalho”, garantiu.

O secretário-geral da central informou ainda que não há nova data para a próxima reunião da Concertação Social, que estava marcada para 14 de janeiro, e que foi adiada “a pedido de alguns parceiro devido ao período eleitoral”.