Era, literalmente, uma equipa completa de fora. Antoine Semenyo e Marc Guéhi, que chegaram durante esta janela do mercado de transferências, não estão inscritos na Liga dos Campeões nesta fase da competição mas havia ainda baixas por lesão como Rúben Dias, John Stones, Josko Gvardiol, Oscar Bobb, Nico González, Matheus Nunes, Kalvin Phillips ou Savinho e o castigo de Bernardo Silva. Ainda assim, mesmo perante este cenário, o Manchester City chegava à Noruega apostado em regressar aos triunfos depois da derrota no dérbi frente ao United para praticamente carimbar uma presença no top 8. Tinha tudo a favor, tudo acabou por ser do “contra”. No final, aquilo que sobrou foi mais um capítulo para a história do Bodö/Glimt.

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Ainda se recorda deste pequeno clube de uma cidade da parte norte da Noruega que tem menos de 50.000 habitantes e que há dez anos estava na Segunda Divisão? É provável que sim. Foi aquele clube que aplicou uma das derrotas mais pesadas da carreira de José Mourinho quando estava na Roma (6-1), foi aquele clube que bateu o FC Porto e o Sp. Braga na Liga Europa na última temporada, foi aquele clube que fez história para o país ao tornar-se o primeiro de sempre a chegar a uma meia-final europeia. Mas havia mais.

Apesar de partir sem vitórias em seis jogos na Liga dos Campeões, o Bodö/Glimt ganhou a Guerra dos Tronos frente ao Manchester City, mostrando como o inverno estava mesmo a chegar para a equipa de Pep Guardiola. Mais: naquela pequena cidade onde por esta altura do ano o sol praticamente não aparece, o cenário esteve sempre demasiado escuro para os antigos campeões europeus, incapazes de contrariar toda a dinâmica ofensiva dos noruegueses que chegaram ao intervalo já em vantagem por 2-0 com um bis de Kasper Hogh, avançado de 25 anos que inaugurou o marcador com um desvio de cabeça ao segundo poste depois de uma jogada de insistência (22′) e aumentou o avanço sozinho na área em mais uma jogada onde a defesa dos ingleses ficou demasiado exposta à transição 3×2 que voltou a ser letal para Donnarumma (24′).

Mesmo sem fazer substituições ao intervalo, Guardiola pensou que poderia mexer com as dinâmicas do jogo mas, já depois de um golo anulado a Hakon Evjen, foi o Bodö/Glimt que conseguiu mesmo aumentar a sua vantagem, num remate ao ângulo de Jens Hauge que deixou ainda mais o Aspmyra Stadion, lotado com pouco mais de 8.000 espectadores, ao rubro pelo tamanho da surpresa (58′). Cherki ainda reduziu pouco depois num remate de meia distância (60′) mas a expulsão de Rodri, com dois amarelos em minutos seguidos, deitou por terra qualquer hipótese de recuperação – e até foram os noruegueses a andarem perto da goleada, com mais um golo anulado por fora de jogo a Hogh e uma grande defesa de Donnarumma.

“Eles estiveram incríveis em termos defensivos. Têm o mesmo treinador nos últimos seis ou sete anos, têm os mesmos jogadores e isso dá-lhes grande consistência em tudo o que devem fazer. Estão de parabéns por isso. O Bodö/Glimt chegou na última época às meias-finais da Liga Europa e só mesmo uma grande equipa consegue chegar a esse patamar. Fecharam muito bem por dentro, deram-nos os corredores laterais e não temos jogadores para o 1×1 ou para fazer os movimentos de rutura. Tal como são tradicionalmente todas as equipas do Norte da Europa, têm muita qualidade e não podemos dizer mais nada”, referiu no final Pep Guardiola, apontando para a necessidade de inverter a série de resultados menos conseguidos.