Marcelo Rebelo de Sousa rejeitou o convite para ser consultor da Federação Portuguesa de Futebol no Mundial de 2030, confirmou fonte de Belém ao Observador. O Presidente da República, diz a mesma fonte, foi de facto convidado pelo presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Pedro Proença, mas entendeu que “não fazia sentido ser consultor de uma entidade privada, ainda que de utilidade pública”. Marcelo terá ainda recusado um convite da FPF para participar num evento relacionado com o Mundial de 2026, devido ao envolvimento da marca Coca-Cola.

O Presidente da República não foi o único convidado, já que a ideia inicial seria que o antigo primeiro-ministro António Costa e os dois homólogos espanhóis, Pedro Sánchez, e, no caso, o rei de Espanha, fossem igualmente consultores. A razão do convite formulado pela FPF e a RFEF é  estes terem sido os promotores políticos da candidatura vencedora. “António Costa é presidente do Conselho Europeu, o primeiro-ministro espanhol está em funções, o rei é rei, por isso ninguém vai poder ocupar essa função”, explica fonte de Belém.

João Gabriel, antigo diretor de comunicação do Benfica e durante dez anos assessor de Jorge Sampaio em Belém, escreveu um artigo no Linkedin a criticar o facto de Marcelo ir ocupar este cargo: “Falta pouco mais de um mês para Marcelo Rebelo de Sousa deixar Belém. Dez anos depois sai de Belém sem perceber a natureza do cargo que ocupou! [Mário] Soares e [Jorge] Sampaio, apesar de um ser agnóstico e outro ateu, sempre compreenderam o peso histórico, cultural e social da Igreja Católica em Portugal e trataram-na com o respeito institucional que lhe é devido”.

Gabriel acusou Marcelo de ter “um horror visceral ao esquecimento” e de ser “incapaz de aceitar o recato que naturalmente sucede ao exercício de um cargo de Estado”. O antigo assessor em Belém acusou o atual Chefe de Estado de “prolongar a sua presença no espaço público através de uma das poucas instituições que garante visibilidade permanente — o futebol”. Fonte de Belém diz ao Observador que estas acusações não têm “qualquer fundamento” já que o convite de Pedro Proença, que de facto existiu, não foi aceite.