Preocupado com as pessoas e indignado pela forma como os imigrantes têm sido tratados por Donald Trump na sua cidade, Alex Jeffrey Pretti decidiu juntar-se aos protestos que têm levado muitos manifestantes às ruas de Minneapolis. Os pais incentivaram-no mas pediram-lhe para ter cuidado e “não fazer nada estúpido”. “Ele disse que ‘sabe disso’. Ele sabia…”, desabafou o pai, Michael Pretti, momentos depois de saber que o filho tinha sido morto a tiro pelo ICE, na manhã deste sábado.
Os pais, que falaram com a Associated Press, descrevem um homem que adorava atividades na natureza e gostava de se aventurar com Joule, o seu cão, que morreu recentemente. Era enfermeiro e trabalhava numa unidade de cuidados intensivos de veteranos. “Ele preocupava-se profundamente com as pessoas e estava muito chateado com o que estava a acontecer em Minneapolis e nos EUA. Ele sentia que protestar era a maneira de expressar a sua preocupação pelas outras pessoas”, disse o pai.
Um colega, que falou com o Guardian, corrobora a versão de Michael Pretti. “Ele queria ajudar as pessoas. Ele era muito simpático, ajudava muito — cuidava dos pacientes. Estou chocado”, disse Dimitri Drekonja. O colega no hospital e num projeto de pesquisa descreve Alex como um enfermeiro “extraordinário”, muito trabalhador, um espírito “contagioso” e sempre com uma piada pronta.
A entidade que representa os enfermeiros registados de Minnesota publicou uma longa nota de pesar onde lamenta a morte do colega. “Esta mensagem não é sobre política. É pela perda de uma vida demasiado cedo. (…) Quando um enfermeiro morre, todos nós sentimos”.
Nascido no estado de Illinois, Pretti não tinha registo criminal e os pais garantem que o filho nunca tinha tido problemas com a justiça, além de algumas multas de trânsito — antes da família, a polícia local tinha adiantado esta versão. Antes destes protestos, os pais, que vivem no estado vizinho do Wisconsin, pediram-lhe para ser cuidadoso.
“Tivemos essa discussão com ele há cerca de duas semanas: ‘Vai em frente e protesta, mas não te envolvas, não faças nada estúpido, basicamente”, lembrou Michael Pretti. Desde que o ICE matou Renee Good, também com 37 anos, que o norte-americano, como muitas outras pessoas, se envolveu em manifestações contra a “polícias dos imigrantes”.
O Departamento de Segurança Interna dos EUA justificou que Alex foi baleado porque se dirigiu aos agentes com uma pistola. “Os agentes tentaram desarmar o suspeito, mas o suspeito resistiu de forma violenta. Por temerem pela sua vida e dos colegas agentes, um agente disparou defensivamente. (…) O suspeito também tinha dois carregadores e não estava identificado — isto parece uma situação em que um indivíduo queria infligir danos e massacrar agentes da autoridade”.
Contudo, os representantes da polícia (e da Casa Branca) que explicaram a ação não esclareceram se Alex estava a empunhar a arma no momento em que foi intercetado e baleado. Os vários vídeos que circulam nas redes sociais não permitem esclarecer se o enfermeiro tinha um telemóvel, uma pistola ou outro objeto na mão quando foi rodeado por mais de cinco agentes fardados, com coletes anti-bala e cara tapada.
“Pelo que eu vi [do vídeo], ele estava a tentar ajudar a puxar alguém, o que tem tudo a ver com ele”, disse o colega Drekonja. A polícia local adiantou que o homem de 37 anos tinha licença de porte de arma no Minnesota, o que foi confirmado pelos familiares, que, ainda assim, dizem que não sabiam que ele transportava a pistola.
O pai só foi informado do tiroteio quando recebeu uma chamada da Associated Press. Depois de ver o vídeo, confirmou que o homem no vídeo parecia ser o seu filho e, por isso, tentou contactar as autoridades. “Não consegui obter informação de ninguém”, disse o pai. Só eventualmente é que um hospital confirmou que tinha um corpo cujo nome e descrição correspondia a Alex.
Poucas horas após a morte do enfermeiro, e apesar dos apelos das autoridades para não se dirigirem ao local, centenas de pessoas reuniram-se na rua onde tudo aconteceu para criar um memorial improvisado. “Estão a magoar as nossas pessoas, estão a levar os nossos filhos. Pedimos justiça e paz, para todos, não só para os Latinos, pedimos para toda a gente”, manifestou Fabiola Rodriguez à AP.
Alex Pretti… This is who Trump’s secret police killed today in Minnesota. He was a VA nurse. pic.twitter.com/dA0lZIZBYE
— PatriotTakes ???????? (@patriottakes) January 24, 2026