Paulo Portas, antigo líder do CDS, revelou este domingo que vai votar em António José Seguro na segunda volta das eleições presidenciais. No seu espaço de comentário na TVI, Portas assumiu que a escolha será “fácil”.
“Votarei no candidato moderado como votaria em qualquer moderado que não foi aprovado na primeira volta se tivesse passado”, começou por dizer.
“Sei muito bem em quem nunca votaria para Presidente da República. Estamos a eleger o Chefe de Estado, que tem como missão unir o país, representar o melhor da nossa comunidade. Não me parece que o outro candidato, aquele senhor que grita muito, fosse para a presidência unir o que quer que fosse porque ele só sabe dividir, pôr uns contra os outros, dividir a nação em tribos, em raças, em etnias, em confissões religiosas, e isso é o contrário da função presidencial”, disse sobre André Ventura.
“Com Seguro terei certamente divergências doutrinárias. Com o senhor que grita muito as divergências são de outra natureza, têm que ver com o humanismo, com a doutrina social ou até com a catequese. Eu não olho para o ser humano como esse líder extremista olha”, atirou. “Nós já temos Trump à frente dos EUA e, portanto, do Ocidente, escusamos de ter uma imitação de Trump em Portugal”, disse ainda.
Portas deixou ainda elogios a Seguro, pelo papel que desempenhou como líder do PS quando Portugal pediu ajuda externa. “Seguro foi uma pessoa decente num momento muito difícil para Portugal, que foi a intervenção da troika. Sem a ajuda dele não teríamos conseguido fazer o acordo com a UGT na concertação social, a reforma laboral e a baixa do IRC. Ele foi desalojado de líder do PS por António Costa, não acho isso um título de fraqueza, acho um título de nobreza”, considerou.
Sobre a segunda volta, Portas defende que é uma eleição “entre o político que à esquerda é talvez o mais próximo do centro e um político que esta à direita da direita e que se junta ao extremismo que está na moda lá fora”.
O antigo líder dos centristas sublinhou também que o Presidente da República é o Comandante Supremo das Forças Armadas e que por isso não deve “interferir nas escolhas para chefes militares ou a fazer política dentro das Forças Armadas no sentido partidário”. As críticas estenderam-se ao Chega, por “esse partido extremado” ter proposto que os polícias sejam autorizados a ter filiação partidária. “Isso não é polícia, é milícia”.
O CDS anunciou que não vai apoiar ninguém na segunda volta. Já o presidente do CDS-PP, Nuno Melo, associou o posicionamento do Chega ao socialismo e comparou André Ventura a Donald Trump, apelando ao voto “em consciência” a 8 de fevereiro.