Depois da entrada de sonho, uma quase saída de pesadelo. Apesar da derrota no desempate por penáltis na final da Supertaça e da eliminação da Taça do Rei saudita frente ao Al-Ittihad de Sérgio Conceição, o Al Nassr foi concentrando todas as atenções na Liga dos Campeões 2 asiática e no Campeonato. Na primeira foi um autêntico passeio, na segunda também estava a ser – até que um empate fora com o Al-Ettifaq mudou por completo a trajetória da formação de Riade, que teve depois três derrotas consecutivas que tornaram o título quase uma miragem. Quase, entenda-se. E o deslize do líder Al Hilal com o Al-Riyadh, que se encontra em lugares de despromoção, tornou-se uma janela de oportunidade para o conjunto de Ronaldo, João Félix e companhia consolidarem a recuperação na prova e chegarem ao terceiro triunfo consecutivo que deixasse de novo a equipa apenas a cinco pontos do rival direto com a segunda volta toda por disputar.

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Apesar desse cenário, Jorge Jesus continuava a ser tudo menos um treinador “tranquilo”. Primeiro houve a polémica com o Al Hilal, com uma suposta frase atribuída ao técnico a tornar-se “caso nacional”. “Estou a tentar encontrar soluções. A equipa não estava psicologicamente preparada e isso refletiu-se nos recentes resultados. Não tenho por hábito desculpar-me com as arbitragens, prefiro focar-me no trabalho. Procuro soluções, não desculpas. O Al Nassr não tem a força política que o Al Hilal tem…”, teria referido o português. “Estive três anos no Al Hilal, ajudei a ganhar tudo o que havia para ganhar, não sou ingrato, não quis desvalorizar nada, gosto muito de estar na Arábia Saudita que está sempre a crescer desde que cheguei aqui pela primeira vez em 2018/19. Por isso, não ponham frases na minha boca que não disse. Agradeço ao Al Hilal por tudo mas agora estou num contexto diferente. Peço que me respeitem”, disse mais tarde.

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Mais recentemente, Jesus assumiu outro problema: as dificuldades do Al Nassr em termos de mercado. “Eu gostava de ter mais jogadores mas não está fácil. Fizeram-se aqui muitas asneiras e agora estamos a pagar… Falaram sobre o José Semedo e o Simão Coutinho [diretor desportivo], culparam-nos pelos maus resultados, amanhã culpam-me a mim. Essa campanha que foi feita apenas serve para tirar-nos da competição…”, tinha apontado. “O que eu quero e preciso é uma coisa, a realidade é outra. Ao longo da minha passagem pela Arábia Saudita [no Al Hilal], quando precisava de um jogador informava simplesmente a direção. No Al Nassr a situação é diferente…”, lamentou na antecâmara de mais uma jornada do Campeonato saudita.

O regresso de Sadio Mané, que se sagrou campeão africano de seleções numa final com vários insólitos à mistura em Marrocos, era uma boa notícia para o português mas o técnico continuava a ver lacunas no Al Nassr para retomar o momento da primeira volta com dez vitórias consecutivas a abrir a competição antes dos 11 pontos consecutivos perdidos. Agora, e num encontro que terminou pela margem mínima sem mostrar o “amasso” que a equipa deu em largos momentos do encontro, chegou o terceiro triunfo e essa boa nova: faltando reforços, a chegada do senegalês ao conjunto de Riade faz mesmo muita diferença…

Apesar de estar apenas a dois pontos do Al Nassr na Liga, e contando com alguns dos bons jogadores extra sauditas da prova mesmo sem grande mediatismo como Victor Hugo, Zambrano, Fulgini ou Roger Martínez, o Al-Taawoun teve poucos argumentos para travar a enxurrada de futebol ofensivo dos visitados e conseguiu apenas ir adiando o golo inaugural. Ronaldo acertou no poste logo a abrir (2′), Simakan marcou após assistência de Ronaldo mas o golo foi anulado (4′), Ronaldo também marcou em novo lance invalidado por fora de jogo (20′), Maylson conseguiu evitar com duas grandes intervenções os festejos de Ronaldo (26′) e Sadio Mané (43′) mas o 1-0 acabou por chegar ainda antes do intervalo, com o avançado senegalês a fazer o cruzamento descaído sobre a esquerda para um desvio infeliz de Mohammed Al Dossari para a própria baliza a tentar cortar a bola que ia na direção de Ronaldo que acabou por trair Maylson (45′).

Esperava-se uma reação do Al-Taawoun, aquilo que houve foi ainda mais Al Nassr: capacidade de reação à perda, zonas de pressão altas a provocarem o erro, mais uma bola nos ferros agora de Sadio Mané depois de uma diagonal da esquerda para o meio (56′). No entanto, e apesar desse ímpeto ofensivo, a margem mínima mantinha-se, dando sempre aquele balão de esperança para um possível empate com mais risco que podia aparecer com o passar dos minutos entre mais capítulos de uma exibição memorável na carreira de Maylson, que voltou a anular as tentativas de Ronaldo e João Félix na área para segurar o 1-0 até ao final.