É um cenário que Jorge Jesus ainda desconhecia. No espaço de pouco mais do que uma semana, o Al Nassr somou três jogos sem ganhar, entre um empate e duas derrotas, e não só perdeu a liderança do Campeonato como afastou uma ideia de superioridade que durava desde o início da temporada. Esta segunda-feira, portanto, só existiam duas hipóteses: ou a situação ficava ainda mais grave ou tornava-se finalmente mais simples.

Em Riade, o Al Nassr visitava o Al Hilal no dérbi da capital da Arábia Saudita e estava obrigado a ganhar para encurtar distância para a liderança do principal rival e não permitir que este fugisse no primeiro lugar. A quatro pontos da equipa de Simone Inzaghi, muito devido às três escorregadelas consecutivas, o conjunto de Jorge Jesus olhava para o confronto direto com a certeza de que ficar a sete pontos do topo da classificação podia ser uma forte machadada nas ambições de voltar a ser campeão nacional.

Não foi só um susto, é mesmo uma crise: Al Nassr perde, soma terceiro jogo sem ganhar e fica a quatro pontos do Al Hilal

Depois da derrota em casa com o Al Qadsiah na passada quinta-feira, o treinador português nem sequer precisou de muitas palavras para garantir que o Al Nassr tinha de dar uma resposta contra o Al Hilal. “Não há necessidade de um resumo muito grande. Fomos derrotados e demos ao adversário a oportunidade de ganhar graças a erros individuais óbvios na segunda parte. Precisamos de reagrupar antes do jogo contra o Al Hilal. Temos de começar muito melhor o jogo”, sublinhou, antecipando desde logo o primeiro reencontro com o clube que orientou em dois períodos distintos e de onde saiu em maio.

Assim, sem espaço para grandes surpresas, Jorge Jesus lançava Cristiano Ronaldo e João Félix no ataque, com Ângelo e Kingsley Coman nos corredores e Sadio Mané ainda ausente, já que está na CAN a representar o Senegal. Do outro lado, num Al Hilal que venceu todos os jogos em todas as competições desde setembro, Simone Inzaghi tinha Darwin como referência ofensiva, apoiado por Malcom e Al Dawsari, sendo que Rúben Neves era titular. Já Marcos Leonardo, antigo avançado do Benfica, começava no banco.

De forma natural, o jogo começou com muitas cautelas das duas equipas e assim se prolongou durante quase toda a primeira parte. Depois de um quarto de hora inicial quase sem aproximações às balizas, a primeira situação de perigo pertenceu ao Al Nassr, com Coman a rematar forte e cruzado para Mohammed Al Yami defender (20′). A equipa de Jorge Jesus beneficiava de algum ascendente, mas o dérbi mantinha-se muito dividido e equilibrado, com duelos consequentes no meio-campo e muitas batalhas.

Antes do intervalo, porém, a eficácia falou mais alto. João Félix soltou-se, tirou um passe perfeito para Coman e o francês tocou de primeira para Cristiano Ronaldo, que também de primeira atirou forte para abrir o marcador e chegar ao golo 959 da carreira (42′). No fim da primeira parte, o Al Nassr estava a vencer o Al Hilal graças ao único remate enquadrado do jogo.

Nenhum dos treinadores fez alterações ao intervalo e o Al Hilal pareceu regressar com vontade de depressa chegar ao empate, com Rúben Neves a ameaçar com um livre direto que passou por cima (50′). Pouco depois, o empate apareceu mesmo. Malcom foi carregado em falta por Mohamed Simakan dentro da grande área do Al Nassr e Al Dawsari, na conversão da grande penalidade, não falhou (57′). E a verdade é que o momento imediatamente a seguir ao penálti acabou por deixar tudo ainda mais complicado para Jorge Jesus e companhia.

Logo depois de Al Dawsari converter a grande penalidade, Rúben Neves tentou ir buscar a bola ao fundo da baliza para acelerar o reinício do jogo e foi atingido por Nawaf Alaqidi. O árbitro foi ao VAR, mudou o cartão amarelo inicial para um vermelho direto e expulsou o guarda-redes, deixando o Al Nassr em inferioridade numérica e obrigado a sacrificar Ângelo para colocar Mubarak Al Buainain na baliza.

A equipa de Jorge Jesus conseguiu organizar-se mesmo com menos um elemento e os minutos foram passando sem que tivesse de reagir a verdadeiros sobressaltos. Simone Inzaghi só fez as primeiras substituições já dentro do último quarto de hora, lançando Kanno e Pablo Marí para soltar Rúben Neves para o meio-campo, e o quase inevitável acabou mesmo por acontecer. Já nos derradeiros dez minutos, Neves cruzou na esquerda e Kanno apareceu a desviar de cabeça para carimbar a reviravolta (81′).

Até ao fim, o Al Hilal ainda aumentou a vantagem novamente de grande penalidade, desta feita por intermédio de Rúben Neves (90+2′). Cristiano Ronaldo foi mesmo substituído antes do apito final e a verdade é que o Al Nassr não conseguiu evitar a derrota, somando o quarto jogo consecutivo sem ganhar e ficando agora a sete pontos da liderança do Campeonato. E um inexplicável cartão vermelho direto de Nawaf Alaqidi, de um momento para o outro, pode ter custado a temporada à equipa de Jorge Jesus.