Depois de um início de sonho, os últimos dias do ano trouxeram o regresso ao pesadelo. O Al Nassr arrancou a temporada e a era-Jorge Jesus da melhor forma e, com dez vitórias nas primeiras dez jornadas, somou o melhor arranque de sempre no Campeonato da Arábia Saudita. Contudo, no penúltimo dia do ano, a equipa de Riade empatou em casa do Al Ettifaq (2-2) e deu início a uma série de quatro jogos sem vencer, com derrotas ante Al Ahli (fora, 2-3), Al Qadisiyah (casa, 1-2) e Al Hilal (fora, 1-3). Apesar de ter reagido na última semana, na receção ao Al Shabab (3-2), o cenário continua negro para o Al Nassr, que entrou em campo na 17.ª jornada da Saudi Pro League no terceiro lugar, em igualdade pontual com o Al Taawon, a três pontos do Al Ahli, que entretanto já tinha jogado, e a sete do Al Hilal.

Jesus tem mesmo muitas razões para estar preocupado, mas já pode dormir melhor: Al Nassr regressa às vitórias

“Neste momento sou treinador do Al Nassr. Tenho uma responsabilidade muito grande porque queremos que o Al Nassr tenha capacidade para discutir o título e os primeiros lugares. Não me esqueço que estive três ano no Al Hilal. Ajudei a ganhar tudo o que havia para ganhar. Não sou ingrato, não quis desvalorizar nada do Al Hilal e gosto muito de estar na Arábia Saudita. Desde que cheguei, em 2018/19, o futebol saudita tem estado sempre a crescer. É um campeonato que, cada vez mais, vai estar no topo do mundo. Não ponham frases na minha boca que eu não disse. Agradeço ao Al Hilal a oportunidade que me deu. Agora estou num contexto diferente. Peço que me respeitem. Estamos a tentar competir com o nosso grande rival. Agora estamos em segundo, mas queremos chegar ao fim com a hipótese de discutir o primeiro lugar. Vamos fazer para que isso seja possível. Não vamos desistir”, explicou Jorge Jesus na antevisão ao jogo frente ao Damac, de Armando Evangelista, aludindo ainda ao alegado processo interposto pelo seu antigo clube.

No onze inicial, Jesus voltou a contar com João Félix e Cristiano Ronaldo no centro do ataque, com a dupla a chegar a este jogo com um contributo de 67% no que toca ao golos dos cavaleiros de Najd. A equipa forasteira entrou no jogo da melhor forma e, logo aos cinco minutos, adiantou-se no marcador, com Kingsley Coman a romper pela direita e a cruzar atrasado para o remate certeiro de Abdulrahman Ghareeb, depois de uma simulação e de um desvio num defesa (5′). A partir daí, a dupla portuguesa começou a aparecer e, depois de um cruzamento de trivela de Félix, Ronaldo cabeceou para defesa do ex-Moreirense Kewin (10′). Já na parte final do primeiro tempo, o Damac chegou ao golo por Riyadh Sharahili, mas o lance foi anulado por fora de jogo (31′). Félix respondeu com três remates perigosos, o último à trave (41′), mas o resultado manteve-se para a etapa complementar (0-1).

Em sentido com o que aconteceu nos primeiros 45 minutos, o arranque da segunda etapa voltou a ser bastante produtivo para o Al Nassr que, numa jogada de envolvimento, dobrou a vantagem, com João Félix a receber de Sultan Al-Ghannam e a colocar de pronto em Cristiano Ronaldo que, isolado, picou sobre Kewin e anotou o golo 960 da sua carreira, passando ainda a ser o melhor marcador estrangeiro de sempre da sua equipa, com 116 tentos, mais um que Abderrazak Hamdallah (50′). Jorge Jesus procedeu a retirar Coman e, num canto cobrado por Abdullah Al-Qahtani, Jamal Harkass elevou-se ao primeiro poste e descontou a desvantagem da turma de Armado Evangelista (68′). Já com Nawaf Boushal no lugar de Saad Al-Nasser, Ronaldo chegou ao bis, mas o lance acabou anulado por fora de jogo do avançado no momento do cruzamento Ângelo (83′).

Apesar do aperto final do Damac, o Al Nassr saiu Abha com mais três pontos no bolso, que lhe permitem voltar ao segundo lugar, com os mesmos 37 pontos de Al Ahli e mais três que o Al Taawon, que ainda não jogou nesta jornada. Na dianteira está o Al Hilal, com mais quatro pontos, que também entra em campo esta quinta-feira.