Andrea Carlucci é filho de Frank Carlucci, o embaixador dos EUA em Portugal entre 1975 e 1978, que apostou na capacidade de Mário Soares e dos portugueses para evoluir rumo à democracia, apesar da oposição do PCP apoiado pela União Soviética. Hoje, Andrea Carlucci é vice-presidente da Toyota Europa, cargo que desempenha desde 2021, sendo responsável por temas como o produto, os veículos para vender aos europeus, além do marketing e da expansão do plano eléctrico para o Velho Continente. No Salão Automóvel de Bruxelas, onde a Toyota apresentou o novo C-HR+ eléctrico, o bZ4X Touring e duas pick-ups Hilux 100% eléctricas, Andrea Carlucci abriu o jogo quanto ao que podemos esperar da Toyota para os próximos anos.

A principal novidade, entre as várias que a marca japonesa deslocou até à Bélgica, foi a pick-up Hilux eléctrica, prometendo versões a bateria e a fuel cells a hidrogénio, uma tecnologia com muitos trunfos, mas que ainda acusa alguma falta de maturidade. Ao Observador, o vice-presidente da Toyota Europa admitiu que ainda “não há procura em massa por este tipo de veículos eléctricos na Europa, mas há países, como a Holanda, e áreas específicas como aeroportos ou outras onde os clientes buscam veículos não poluentes”. Andrea Carlucci aproveitou para acrescentar que “a Toyota está a criar apetência para as pick-ups a bateria, avançando com um veículo que o consumidor necessite, com uma autonomia funcional e, no caso da versão a hidrogénio, que garanta uma solução mais versátil e mais rápida de recarregar”.

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A Toyota é o construtor que mais investiu no hidrogénio como combustível para as fuel cells, capazes de produzir a bordo a eletricidade para alimentar os veículos. Mas, apesar dos avanços e das promessas, esta solução tecnológica tem evoluído menos do que as baterias. Questionado sobre a viabilidade actual das células de combustível, em termos de longevidade e custos, o nosso interlocutor assegurou que “os constrangimentos são cada vez menores para a tecnologia do hidrogénio”. A ponto de dizer estar “confiante com a evolução das fuel cells”, sem deixar de realçar que “é importante que o futuro seja atingido em conjunto”, com isso recordando a superior quantidade de construtores que investem nas baterias, por comparação com o hidrogénio.

Em termos logísticos, a Toyota produz a Hilux a bateria na Tailândia, muito longe de mercados potenciais como a Europa ou os EUA. Carlucci reconhece que “exportar uma Hilux a bateria da Tailândia para o Ocidente é caro e todos sabemos que é importante localizar a produção próximo dos mercados a que se destina”, o que não o impede de defender que esta solução “faz sentido a curto prazo, não sendo propriamente a ideal a longo prazo”. Ficou assim no ar o indício que a fabricação tão longe de alguns dos mercados de destino servirá para o arranque, mas não para quando o mercado estiver mais maduro.

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Conduzindo a conversa para a competição e para as vantagens que esta aporta em termos de imagem e de avanço tecnológico, uma vez que a Toyota participa actualmente nos Campeonatos do Mundo de Resistência (WEC), de Ralis (WRC) e de Rally-raid (W2RC), Andrea Carlucci confessa que é “um profundo amante da competição” e encara-a “como um desafio, ajudando-nos a construir melhores carros e apurar as tecnologias, fazendo parte do ADN da Toyota”.  Se, com tudo isto, “ainda conseguimos atrair mais clientes e, sobretudo, clientes mais jovens, então ainda melhor”, remata.

A Toyota apresentou em Bruxelas dois novos automóveis eléctricos, nomeadamente o C-HR+ e o bZ4X Touring, que anunciam bons valores de eficiência e de autonomia. Mas a questão persiste: até onde poderiam ir estes dois modelos caso a marca japonesa recorresse a plataformas específicas para veículos eléctricos, em vez de optar por uma plataforma multi-energia? Em resposta, Carlucci admite que a Toyota possui “uma plataforma onde é possível instalar mecânicas híbridas, híbridas plug-in e 100% eléctricas a bateria, mas adaptamos a tecnologia para produzir sempre a melhor solução para cada cliente”. Segundo o vice-presidente, “é como cozinhar um belo almoço tipicamente português: além dos ingredientes, o que é absolutamente essencial é o equilíbrio entre eles”.

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Uma boa “dose” de autonomia é cada vez mais determinante para as ponderações de compra, mas o mesmo acontece com o software, área em que a Toyota não se tem imposto como uma referência. “Para o consumidor, o software é muito importante e nós estávamos um pouco atrasados”, assume Carlucci. “Temos vindo a realizar uma notória recuperação nos modelos mais recentes e estaremos em breve entre os mais competitivos”, promete. Com um “é sempre um prazer falar com os amigos portugueses”, separámo-nos até ao próximo salão automóvel, para descobrir o que mais a Toyota tem para oferecer aos condutores europeus (e portugueses).