O Tribunal da Relação de Lisboa confirmou a condenação da jornalista Joana Emídio Marques no processo de difamação apresentado por Manuel Alberto Valente. Em 2021, a jornalista denunciou o então editor no grupo Porto Editora de assédio sexual, mas Valente negou a acusação e apresentou queixa-crime.
Em maio de 2025, o Juízo Local Criminal de Lisboa condenou Joana Emídio Marques pelo crime de difamação com publicidade por ter acusado, nas redes sociais e na imprensa, o antigo editor de assédio sexual e impôs uma pena de multa de 6.540 euros (a pagar ao visado). A jornalista recorreu da decisão de primeira instância, agora confirmada pelo Tribunal da Relação no passado dia 23 de janeiro.
No acórdão, a que o Observador teve acesso, pode ler-se que os juízes desembargadores da Relação de Lisboa acordaram em “julgar improcedente o recurso interposto pela arguida Maria Joana Emídio Marques confirmando a decisão recorrida”, quer em relação à matéria de facto, quer na medida da pena, que a defesa da jornalista tinha considerado excessiva.
O caso remonta a 2021, quando Joana Emídio Marques acusou, numa publicação na rede social Facebook e depois num artigo publicado na revista Sábado, o editor Manuel Alberto Valente de um comportamento abusivo durante e após um jantar de trabalho em 2011, quando Valente era editor da Porto Editora — cargo que abandonou, para reforma, em 2020 — e a queixosa trabalhava como repórter no Diário de Notícias.
Valente negou sempre as acusações, que classificou como “extremamente graves e, acima de tudo, falsas”, e prometeu agir judicialmente, apresentando uma queixa-crime contra a jornalista, que resultou nesta sentença agora confirmada.
O Observador tentou contactar Joana Emídio Marques, jornalista e colaboradora do Observador, sem sucesso. Já Manuel Alberto Valente diz não ter “nada a acrescentar”. “O Tribunal da Relação confirmou a sentença da 1ª instância. Não fui ouvido nem achado. É a justiça a funcionar. Sempre estive sereno com este caso”, remata.
Notícia atualizada com a declaração de Manuel Alberto Valente.