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Escolas, comboios e eletricidade. Um dia depois, efeitos da depressão Kristin ainda se fazem sentir (sobretudo em Leiria)

Este artigo tem mais de 6 meses

Um dia depois de a depressão Kristin ter deixado um rasto de destruição, ainda se sentem grandes impactos do mau tempo. Há escolas que continuam encerradas, casas sem eletricidade e comboios parados.

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JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Alguns municípios agiram preventivamente, outros reagiram a uma noite de tempestade para também fechar as escolas. A depressão Kristin afetou muitos serviços — desde os transportes à Saúde — e obrigou os autarcas a agir em dois sentidos: proteger os alunos e, por consequência, reduzir significativamente o movimento nas ruas (em estradas debilitadas pelo temporal).

Se na semana passada foi no Norte que mais escolas encerraram, fruto da queda de neve com a depressão Ingrid, desta vez foi no Centro que mais escolas encerraram. Esta quinta-feira, já no rescaldo de um temporal que fez seis mortos (quatro deles na região de Leiria) alguns estabelecimentos de ensino foram reabrindo, como aconteceu em Coimbra.

Ana Abrunhosa, Presidente da Câmara Municipal de Coimbra, disse que reabriram praticamente todas as escolas do município. A única que continua encerrada, revelou a autarca à Rádio Observador, foi a Escola EB 2,3 Martim de Freitas, “porque houve uma queda de árvore no recinto”.

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A antiga ministra da Coesão Territorial (em dois governos de António Costa) defendeu na manhã desta quinta-feira a realização de um “levantamento exaustivo dos danos” em todas as autarquias, para o Governo avaliar a hipótese de estado de calamidade — que entretanto já foi decretado para as áreas mais afetadas. “Deve haver um levantamento exaustivo dos danos para que o Governo tenha elementos objetivos para tomar decisões. (…) O Governo tem estado em contacto permanente connosco. Desde a Proteção Civil ao ministério da coesão territorial”, disse.

Todavia, e apesar das quedas de muitas árvores e postes, a autarca disse que Coimbra já acordou mais “limpa”. “Temos muito pouco desalojados”. “Temos tido um reforço dos bombeiros e da Proteção Civil de municípios vizinhos”. Apesar do impacto na Educação, os efeitos da depressão fazem-se notar, também, na rede elétrica (mais de 24 horas depois da passagem da depressão Kristin, ainda há 450 mil casas sem eletricidade) e nos transportes, com muitas linhas afetadas.

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Sertã

Ao contrário de Coimbra, no concelho da Sertã, no distrito de Castelo Branco, continuam fechadas as escolas por questões de segurança, anunciou a autarquia. “Após a situação vivida na madrugada de 28 de janeiro, registaram-se inúmeras ocorrências por todo o concelho, nomeadamente a queda de árvores, de postes de eletricidade de baixa e média tensão, e o destelhamento de diversos edifícios”, referiu, em comunicado, o município da Sertã.

A autarquia explicou ainda que, apesar da normalidade se estar a restabelecer, por questões de segurança todos os estabelecimentos de ensino do concelho estarão encerrados esta quinta-feira. O município da Sertã ativou o Plano Municipal de Emergência e Proteção Civil às primeiras horas da manhã de quarta-feira, em virtude da passagem da depressão Kristin pelo concelho.

Atendendo ao elevado número de ocorrências registadas, as corporações de bombeiros voluntários da Sertã e de Cernache do Bonjardim, forças de segurança e o Serviço Municipal de Proteção Civil têm respondido às diversas situações com a brevidade possível.

Castelo Branco

Também no concelho de Castelo Branco continuam encerradas cinco escolas por falta de condições de funcionamento, nomeadamente falta de energia elétrica, informou a Câmara Municipal. “Após avaliação técnica efetuada no terreno, não se encontram reunidas as condições necessárias para a reabertura de alguns estabelecimentos de ensino no concelho”.

Apesar de todos os esforços desenvolvidos para repor a normalidade, os estabelecimentos de ensino e jardins de infância em Sarzedas, Cebolais de Cima e Retaxo, Alcains, Malpica do Tejo e Salgueiro do Campo encontram-se fechados. A autarquia explicou ainda que, em relação ao estabelecimento escolar de Salgueiro do Campo, irá ainda avaliar a situação durante a manhã desta quinta-feira. “A situação está a ser acompanhada de perto, em articulação com as entidades responsáveis, estando a reabertura dependente da reposição dos serviços de eletricidade e comunicações”.

O município salientou ainda que as equipas municipais, em colaboração com as direções escolares e restantes entidades competentes, “procederam às verificações das infraestruturas, acessos e condições de funcionamento, confirmando a possibilidade do regresso das atividades letivas”.

Apesar da aparente normalização da situação, a Câmara de Castelo Branco recomenda a adoção de comportamentos preventivos, nomeadamente atenção a eventuais ocorrências relacionadas com as condições meteorológicas recentes. “O Serviço Municipal de Proteção Civil continuará a acompanhar a evolução da situação e apela à colaboração de todos, solicitando que qualquer ocorrência relevante seja comunicada às autoridades competentes”.

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Vila Real (distrito)

Os alunos dos concelhos de Alijó, Montalegre e Vila Pouca de Aguiar regressaram esta quinta-feira às aulas depois de, na quarta-feira, as escolas terem ficado fechadas por precaução por causa da queda de neve. A depressão Kristin levou a neve e a chuva ao distrito de Vila Real, com impacto na atividade letiva e nos transportes escolares.

Em consequência, as escolas de Alijó, Montalegre e Vila Pouca de Aguiar não abriram e os transportes escolares não se realizaram e, em Boticas, devido à intensidade da queda de neve nas zonas altas do concelho, não foi possível fazer os transportes escolares.

Um dia depois, segundo informações recolhidas pela Lusa localmente, as escolas reabriram e estão esta quinta-feira a funcionar com normalidade.

Leiria (distrito)

As escolas dos concelhos de Ansião, Marinha Grande, Pedrógão Grande e Pombal continuam fechadas esta quinta-feira devido ao mau tempo, de acordo com informação das respetivas Câmaras nas redes sociais.

“Não havendo previsão do restabelecimento das condições para o normal funcionamento das escolas do concelho, informa-se que todos os estabelecimentos de ensino se mantêm encerrados esta quinta-feira [hoje]”, revelou o Município de Pombal. No caso do concelho da Marinha Grande, a situação é a mesma, desconhecendo-se a data de reabertura dos estabelecimentos de ensino.

Já em Pedrógão Grande, a Câmara divulgou que, “face aos efeitos da depressão Kristin, a escola estará encerrada” esta quinta-feira, enquanto no concelho de Ansião, as escolas vão estar fechadas até domingo. Devido às dificuldades nas comunicações, a Lusa não conseguiu contactar outras Câmaras, sendo que em Leiria decorre uma pausa letiva do calendário escolar semestral.

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Um dia depois do temporal, 450 mil casas continuam sem eletricidade (a grande maioria em Leiria)

Na manhã desta quinta-feira, a E-Redes fez um novo ponto de situação e descreveu um cenário ainda problemático. Pelas 8h00, mais de 24 horas depois da passagem da depressão Kristin, ainda há 45o mil casas sem eletricidade; uma grande fatia dessas habitações (300 mil) estão no distrito de Leiria.

Os restantes 150 mil clientes sem luz estão nos distritos de Coimbra, Santarém e Castelo Branco. Apesar de os número revelados pela empresa que gere as redes elétricas de distribuição indicar uma evolução positiva (no anterior ponto de situação, feito às 15 horas de quarta-feira, estavam sem serviço 485 mil pessoas), não há qualquer previsão para a reposição do serviço.

Na zona de Leiria a rede “foi muito afetada pela Depressão Kristin, tendo havido a queda de postes e linhas de Alta Tensão, que demoram mais tempo a reparar, e que limitam o restabelecimento do abastecimento na Média e Baixa Tensão”. O prolongamento desta situação está a provocar falhas em outros serviços essenciais na região, como comunicações e abastecimento de água.

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“As condições meteorológicas mantêm-se adversas, o que motiva o aparecimento de avarias em outras zonas do país para além de Leiria”.

Algumas freguesias do concelho de Coimbra continuam sem eletricidade, depois de se ter registado uma quebra em 38 linhas de média tensão, revelou esta quinta-feira o vereador da Câmara Municipal de Coimbra com o pelouro da proteção Civil. “Há aqui uma situação que nos está a preocupar em especial e que tem a ver com a reposição da eletricidade. Fruto da quebra de 38 linhas de média tensão, só no município de Coimbra, passado mais de 24 horas, algumas freguesias continuam sem eletricidade, o que provoca sempre alguns constrangimentos às famílias”, referiu Ricardo Lino.

Em declarações à agência Lusa, o autarca sublinhou que se trata de “uma situação excecional” e que nunca aconteceu no concelho.

DIOGO VENTURA/OBSERVADOR

Várias linhas de comboio condicionadas. “Ocorrências estão a afetar a normal exploração ferroviária”

Às 9h desta quinta-feira, a circulação em vários troços das Linhas do Norte, da Beira Baixa, do Oeste e no Ramal de Alfarelos, em Coimbra, ainda estava suspensa devido a problemas causados pelo mau tempo, segundo a Infraestruturas de Portugal (IP).

Em comunicado, a IP informa que está suspensa a circulação de comboios na Linha do Norte entre Fátima e Alfarelos, na Linha da Beira Baixa entre Ródão e Castelo Novo (Castelo Branco) e na Linha do Oeste entre Mafra e Amieira e entre Louriçal e Figueira da Foz.

Está igualmente suspensa a circulação no Ramal de Alfarelos entre Alfarelos e a Figueira da Foz. O Ramal de Alfarelos une as estações de Alfarelos, na Linha do Norte, e a Bifurcação de Lares, na Linha do Oeste. “Estas ocorrências estão a afetar a normal exploração ferroviária em vários troços, exigindo intervenções técnicas das equipas no terreno para a reposição das condições de segurança e da regularidade do serviço”, refere ainda a IP.

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Estradas foram reabrindo durante a noite de quarta-feira

A Estrada Nacional 15 (EN 15) na zona do Alto de Espinho, serra do Marão, entre Vila Real e Amarante, encontra-se cortada devido à queda de neve, adiantou à Lusa fonte da GNR. Num balanço pelas 23h30 desta quarta-feira sobre as estradas condicionadas devido ao mau tempo, fonte oficial da GNR referiu que esta era a situação com maior impacto nas principais vias.

Na zona do Marão, o Itinerário Principal 4 (IP4) mantinha-se transitável, sendo também alternativa a Autoestrada 4 (A4), frisou. Ao longo do dia a circulação na Autoestrada 1 (A1) na zona de Leiria esteve condicionada, situação que ficou normalizada, nos dois sentidos, pelas 21h30. Antes, fonte da GNR tinha adiantado que, depois de várias horas cortado, entre os nós da Campeã (Vila Real) e Aboadela (Amarante), o IP4 reabriu pouco depois das 16h00 e depois da retirada da neve da faixa de rodagem. Até ao momento não há novos dados sobre outras estradas condicionadas devido ao mau tempo.

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