A Comissão Portuguesa do Voluntariado (CPV) considerou nesta quarta-feira que a legislação para o setor é muito restritiva e reduz a dimensão real dos voluntários em Portugal.
“Nós calculamos que existem 1,5 milhões de voluntários em Portugal no quadro legislativo atual, mas se ele for ampliado serão muito mais”, afirmou à Lusa o presidente da CPV, Eugénio Fonseca, à margem da apresentação do programa do Ano Internacional dos Voluntários em Portugal.
A última contabilidade oficial de trabalho voluntário feita pelo Instituto Nacional de Estatística apontava para 660 mil, mas só a CPV, a maior estrutura do setor que representa meia centena de entidades, considera que representa mais de 700 mil pessoas.
“Os dados estão todos subdimensionados”, afirmou Eugénio Fonseca, salientando que é urgente a revisão da lei-quadro do voluntariado.
“Há muitos voluntariados que não são mapeados, principalmente aqueles que não têm uma ação tão regular”, como os estudantes que só fazem voluntariado em férias, ou estão incluídos em organizações que não estão inscritas como plataformas de voluntariado, como associações de beneficência, recreativas ou desportivas.
Por isso, “queremos que se abra o conceito de voluntariado, mantendo a matriz que é a gratuidade do tempo doado, sem esperar nada de material em troca”, explicou.
Os rankings internacionais referem que Portugal está na cauda da Europa nesta matéria, mas isso tem a ver com a contabilização dos números, salientou.
Carla Ventura, uma das autoras de um estudo da Cooperativa António Sérgio para a Economia Social (CASES) sobre trabalho voluntário, salientou que falta organização às estruturas que gerem o voluntariado em Portugal, de modo a que os números sejam efetivamente contabilizados, como sucede, no norte da Europa.
“Não é magia nórdica, é organização administrativa”, disse, salientando que essa falta de estruturação também tem efeitos na sistematização da oferta.
Em Portugal, “há muitos voluntários e poucas oportunidades de exercer“, disse Carla Ventura, que comentou também a importância dos jovens no voluntariado, que exige uma mudança do sistema.
“Os jovens são mais convocados por causas e não por organizações“, explicou a responsável.