Ronaldo diz que tem muito mais qualidade do que as pessoas pensam, Jorge Jesus fala numa prova sempre a crescer, a opinião está longe de ser unânime no futebol mundial. A Liga da Arábia Saudita ainda é muito vista à luz de quem fala sobre ela: quem lá está elogia, quem não está relativiza, quem não está mas já esteve fala em coisas boas e más, quem não está mas quer estar faz questão de nunca fechar as portas. Percebe-se, sob todos os ângulos. Mas há um aspeto que ninguém lhe pode retirar: mais por cima ou mais por baixo, é uma prova que consegue ser competitiva e a atual temporada é um exemplo paradigmático disso mesmo.

O melhor reforço de Jesus é o regresso de Sadio Mané: Al Nassr vence e aproxima-se do Al Hilal com Ronaldo e Félix de início

Como em tantos outros pontos, Ronaldo simboliza essa veia competitiva. No último encontro frente ao Al-Taawoun, o Al Nassr conseguiu ganhar pela diferença mínima mas o avançado acabou a celebrar como se tivesse acabado de ganhar um daqueles jogos históricos europeus na Champions. Antes, num duelo que foi sempre duro com os adversários diretos, perguntou a um defesa se queria subir para as suas cavalitas, disse a outro para “baixar a bola” e ainda quis oferecer a camisola a um terceiro que não lhe dava um milímetro nas bolas paradas. Ficar um jogo em branco é uma “seca” que não aceita nem aos 40 anos mas, no final, aquilo que sobrou foi esse passo para recuperar a desvantagem pontual para a liderança em busca do título.

Esse duelo, que trouxe a terceira vitória seguida, foi importante porque o Al Hilal tinha perdido pontos, a deslocação ao campo do Al-Kholood tinha o mesmo “peso” depois de mais um deslize do rival de Riade, que na véspera empatara diante do Al Quadisiyah, outro dos conjuntos na corrida ao primeiro lugar. Assim, e em jornadas consecutivas, o Al Nassr podia reduzir a desvantagem para três pontos quando tudo parecia perdido depois de uma sequência de um empate e três derrotas que se seguiram a dez triunfos consecutivos. Podia e não falhou: com o regresso de Ronaldo aos golos (17 em 18 jogos na Liga, apenas atrás de Ivan Toney) e mais uma exibição a todo o gás de João Félix, que passou a ter nove assistências e 19 golos em 28 partidas, o Al Nassr somou a quarta vitória seguida, colou-se ao Al Ahli em segundo e está a três pontos do Al Hilal.

Essa importância do encontro frente a um adversário que também precisava de pontos ficou bem patente no minutos, sempre com João Félix em destaque. Primeiro teve uma grande receção após passe longe e deixou para Ronaldo ver o remate cortado em cima da linha (5′), depois viu um desvio na área ficar num defesa contrário na sequência de uma grande jogada entre Sadio Mané e Ângelo (25′), de seguida teve um bom cabeceamento desviado por Juan Pablo Cozzani para canto (27′), ainda teve mais um cabeceamento que passou perto do poste (32′), assistiu Simakan para um remate na área que Cozzani voltou a defender (37′), isolou Sadio Mané para o golo após jogada de Coman mas o lance foi invalidado por fora de jogo. (45+4′).

Entre alguns erros defensivos que o Al-Kholood nunca conseguiu aproveitar da melhor forma falhando quase sempre no último passe, o Al Nassr mantinha o nulo ao intervalo mas tudo acabaria por ficar definido no início da segunda parte, mais uma vez com o internacional em foco a assistir Ronaldo para o 1-0 depois de uma boa desmarcação na área descaído sobre a esquerda (47′) e a fazer novo passe para golo na sequência de um canto com desvio de cabeça de Simakan (53′). A jogar em posições mais centrais atrás de Ronaldo, o que nem sempre acontecia quando Sadio Mané estava na CAN, João Félix recuperava os melhores tempos e, entre uma bola na trave (47′) e um remate de letra na área defendido por Cozzani para canto (63′), só faltava mesmo o golo do português entre um domínio mais acentuado com a expulsão de Hattan Bahebri (72′), com Coman a assumir um penálti já sem Ronaldo em campo que fez o 3-0 final já perto do minuto 90.

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