Acompanhe o liveblog sobre os efeitos da depressão Kristin
As autoridades alertam para uma próxima semana “muito difícil”, que continuará a ser de chuva, por vezes intensa. É esta uma das conclusões da conferência de imprensa desta sexta-feira, que juntou a Proteção Civil, o Instituto Português do Mar e Atmosfera (IPMA) e a Agência Portuguesa do Ambiente (APA). E, já no fim da conferência, também as primeiras declarações públicas de Maria Lúcia Amaral, ministra da Administração Interna, dias depois da depressão Kristin atingir Portugal Continental.
Nuno Lopes, do IPMA, explicou que a “tempestade Kristin poderá ter sido provavelmente a tempestade mais forte desde que temos registo em Portugal Continental”. Os próximos dias também serão de chuva, mas não com a mesma força que a depressão Kristin, explicou. “Não estamos à espera de nada, nada que tenha a ver com essa situação. Não há impossíveis, mas a probabilidade é quase zero”, afirmou.
“Aquilo que esperamos ao longo da semana é muita precipitação. Recordemos que estamos no inverno, quase no pico. Janeiro e fevereiro são os meses em que há mais precipitação no continente. E os modelos estão a dar-nos uma anomalia em cima desta precipitação de inverno”, contextualizou.
“Esperamos um tempo invernoso”, mas que chegará a um “território que já de si apresenta fragilidades, que teve o sétimo dezembro mais chuvoso desde o início do século”, contextualizou o meteorologista. “O vento será pontualmente forte, são avisos tipicamente de nível amarelo.”
A precipitação deverá regressar de forma intensa no domingo, a partir da tarde, nas regiões Centro e Norte do país, “onde já tem chovido muito”. “Vamos ter um período prolongado de precipitação, já tivemos e vamos continuar a ter.”
A continuidade de chuva é preocupante para solos que estão já saturados, alertou também José Pimenta Machado, presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA). A queda de neve e o degelo consequente gera risco, especialmente para solos praticamente sem vegetação, após os incêndios que atingiram neste verão a região Centro.
O presidente da APA afirmou que tem os próximos dois dias para preparar as albufeiras para a próxima semana, que será “muito complicada” face à previsão de chuva em todo o território continental.
“Vamos ter uma semana muito complicada e temos dois dias, que é a nossa janela de tempo, para nos prepararmos para esta semana muito difícil”, avisou. Nesse sentido, a APA irá “provocar pequenas cheias” para evitar uma “cheia descontrolada”.
Já Mário Silvestre, comandante nacional de emergência e proteção civil alertou as populações para salvaguardarem bens e animais que estejam em zonas sujeitas a inundações, face à previsão de chuva constante na próxima semana. “O que se pede aos cidadãos é que, de alguma forma, nas zonas do Mondego e do Tejo, retirem todos os bens e todos os animais que estejam em zonas potencialmente inundáveis”, apelou.
Segundo referiu, trata-se de “antecipar um problema” através da adoção de medidas preventivas nas áreas que estão sujeitas a ser inundadas, apontando o exemplo de vários parques de estacionamentos que estão em leitos de cheia.
O comandante nacional da Proteção Civil salientou que estas recomendações se aplicam também às populações dos meios urbanos, tendo em conta que, com base nas previsões de chuva para a próxima semana, não está excluída a possibilidade de inundações rápidas em zonas urbanas.
“Estamos preparados para a eventualidade de alguma situação que corra menos bem”, assegurou Mário Silvestre, adiantando que está a ser aprontado um conjunto de meios, como embarcações e bombas de alta capacidade, para que possam ser movimentados em caso de necessidade.
“Há muito, muito trabalho que se faz em contexto de invisibilidade”
A Comissão Nacional de Emergência e Proteção e Civil vai reunir-se no domingo, anunciou a ministra da Administração Interna, que falou pela primeira vez desde a passagem da depressão Kristin por Portugal continental.
Aos jornalistas, Maria Lúcia Amaral explicou que a reunião vai acontecer às 17h30 na sede da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC).
“Precisamente para nos prepararmos para a situação que vamos viver depois de domingo à noite quando a severidade meteorológica voltar a fustigar-nos”, acrescentou.
A Comissão Nacional de Emergência e Proteção e Civil é um órgão interministerial responsável pela coordenação política de proteção civil em Portugal, que reúne extraordinariamente e que vai reunir pela primeira vez desde que a depressão Kristin atingiu Portugal continental.
Questionada pelos jornalistas sobre a ausência, Maria Lúcia Amaral afirmou que “há muito, muito trabalho que se faz em contexto de invisibilidade, no gabinete de trabalho, de informação”.
Em relação à próxima semana, a ministra afirma que “o que nos vai acontecer exige grande prevenção”. “Temos de nos prevenir para uma semana difícil e, por isso, por favor prestem atenção a todas as recomendações que acabámos de ouvir.”
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