Afinal o que tanto preocupa as autoridades, o Governo e o Presidente em relação à meteorologia a partir de domingo e para a próxima semana? Não faltaram avisos e conselhos, desde o da ministra da Administração Interna ao do Presidente da Agência Portuguesa do Ambiente, acabando na Proteção Civil e no IPMA, em quem se baseiam todas as previsões, “para uma semana muito difícil” e para o agravamento do estado do tempo a partir da noite de dia 1. Assim vai ser, mas sem qualquer semelhança com a passagem e a destruição da Kristin. Ou sequer com a Joseph. Nem a Chandra.

Mas vai manter-se exatamente o mesmo padrão atmosférico das últimas semanas. O que leva a que a Península Ibérica seja afetada por uma comboio de tempestades e frentes, a maioria delas frias, algumas polares. Bem como por rios atmosféricos, carregados de vapor de água, vindos diretamente das Caraíbas. Ora a primeira dessas depressões chega já no final da tarde de domingo os seus efeitos far-se-ão sentir sobretudo na madrugada de segunda-feira.

E apesar da chuva forte e das trovoadas (com granizo) atingirem sobretudo o litoral norte, as zonas afetadas pela Kristin também vão ser afetadas. Aliás, depois de dois dias só com aguaceiros (esta sexta e sábado), domingo choverá de novo em todo o país. O IPMA já colocou sob aviso amarelo para precipitação forte seis distritos entre as 21h00 de domingo e as 6h00 da manhã de segunda-feira — e foram precisamente Leiria, Coimbra, Lisboa, Santarém, Castelo Branco e Guarda—; sendo que mais a norte, há outros sete distritos, —Viseu, Aveiro, Porto, Viana do Castelo, Braga, Vila Real e Bragança —, onde o mesmo aviso começa mais cedo, às 15h00 de domingo.

A grande preocupação não é por isso com a depressão, que provavelmente nem vai ter direito a nome (a próxima a ter, seja este domingo ou a que se aproximar durante a semana, chamar-se-á Leonardo), mas com a chuva que aí vem e, sobretudo com o que ela pode provocar. Por um lado, por atrasar o problema da limpeza e início de reconstrução das zonas atingidas. Por outra, o perigo de derrocadas e deslizamentos de terras em áreas completamente alagadas, saturadas de águas e que perderam árvores. E, sobretudo, pelo risco muito elevado de cheias, devido às descargas das barragens, quer as nacionais, quer as espanholas (já que Espanha também sofreu bastante com os efeitos da Kristin).

Até lá, e só para ficar a nota, este sábado há outros alertas. E ainda são os restos dos efeitos da Kristin, que arrastou uma massa de ar polar e deixou a metade norte do país debaixo de neve e sob aviso amarelo. A costa estará também sob alerta, laranja, até ao final da noite.

A próxima semana, que tanto preocupa, manterá as portas do Atlântico abertas na nossa direção. As tempestades e frentes não vão parar de chegar, no tal comboio que tem uma via de sentido único na direção de Portugal.

Portugal encontra-se sob a influência de uma circulação zonal intensa que, associada à corrente de jato, favorece a passagem sucessiva de sistemas depressionários. Ou seja, com a posição do jato polar, jet stream, oscilante sobre o Atlântico e em latitudes muito baixas, devido a um bloqueio entre as Islândia e os países nórdicos, forma-se uma espécie de corredor que canaliza várias depressões em direção à Península Ibérica. E também massas de ar frio.

Como este padrão atmosférico não mostra qualquer sinal de mudança de acordo com os modelos meteorológicos, é possível já dizer, com algum grau de certeza, que a próxima semana será muito chuvosa, devido à continuação da influência desta corrente de oeste e à passagem de sistemas frontais associados a depressões. Está prevista chuva para todo o país em todos os dias da semana, com maior incidência nas zonas norte e centro (pode ser superior a 115 mm nalguns locais), daí que se espere uma forte subida de água no sistema hidrológico. Devido ao estado de saturação dos solos em praticamente toda a região norte, centro e litoral sul, essa chuva que cair irá escorrer quase toda para os rios, que podem transbordar.

Depois da de domingo, a depressão que se segue deve atingir o continente entre terça-feira à noite e quarta-feira, novamente associada a um rio atmosférico que atravessa o Atlântico desde as Caraíbas. E embora quanto mais distantes, mais difíceis sejam as previsões, olham para os modelos já se pode antever uma nova tempestade, muito forte, para o fim de semana das eleições. Resta saber se no trajeto, desde o Atlântico Norte, se dirige mesmo até Portugal ou desvia para as ilhas britânicas.

E até meio de fevereiro, não deverá haver grandes alterações.

Para completar o quadro, também são esperados alguns episódios de trovoada ao longo da semana, que podem vir acompanhados de granizo. Neve, além da Serra da Estrela, pode cair e até acumular nalgumas serras do extremo norte, como o Gerês. E o vento irá soprar moderado a forte, com novos episódios de vento forte previstos, associados às horas de passagem das superfícies frontais.

Já a agitação marítima, depois de uma diminuição no fim de semana, irá voltar a aumentar tornando-se forte em toda a costa ocidental durante longos períodos da semana.

Já o frio, esse dá uma trégua. As temperaturas deverão estar acima dos valores para a época. As máximas devem variar entre 3 e 13°C no interior norte e centro, na região sul entre 11 e 17°C e nas zonas litorais entre 12 e 17°C. Quanto às mínimas, devem situar-se entre -1 e 9°C nas regiões do interior norte e centro, entre 6 e 12°C na região sul e nas zonas litorais entre 6 e 14°C.

[Esta é a história de como dezenas de portuguesas se juntaram a mulheres de vários outros países e se tornaram seguidoras de uma seita controlada por um guru manipulador. Recrutadas numa escola de yoga em Lisboa, muitas acabaram em casas de massagens eróticas ou a serem filmadas em cenas de sexo e orgias. “Os segredos da seita do yoga” é o novo Podcast Plus, do Observador. Uma série em seis episódios, narrada pela atriz Daniela Ruah, com banda sonora original de Benjamim. Ouça o primeiro episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music.]