Era proibido perder pontos. No grande jogo do fim de semana, Tottenham e Manchester City enfrentaram-se no Tottenham Hotspur Stadium, num duelo em que era imperativo chegar aos três pontos, com vista a não voltar a complicar a sua situação no Campeonato inglês. À partida para a 24.ª jornada da Premier League, os cityzens entraram em campo a sete pontos do líder Arsenal que, no sábado, goleou o Leeds (fora, 4-0). Desta forma, o conjunto de Pep Guardiola, que vinha de duas vitórias seguidas pelo mesmo resultado (2-0), pretendia voltar a aproximar-se da dianteira, mas para isto tinha que vencer um dos adversários que foi ao Ettihad buscar os três pontos na primeira volta (0-2). Apesar dessa vitória no arranque da época, os spurs não encontraram a boa forma e continuam a pairar na segunda metade da tabela classificativa, ainda que tivessem uma vantagem de oito pontos para os lugares de despromoção. No que respeita à Premier League, a turma de Thomas Frank ainda não tinha vencido no novo ano e não ganhava em casa há quase dois meses.

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“O clube trabalha incessantemente para melhorar o plantel. Não devemos ficar obcecados em encontrar soluções a curto prazo, pois isso pode limitar-nos no futuro. Era claro que queríamos contratar Semenyo [reforço do Man. City]. Os donos do clube fizeram tudo o que estava ao alcance. Penso que este é um sinal claro de que a família Lewis está empenhada no clube. Os adeptos querem o melhor para o clube, assim como nós, os proprietários e todos no clube. A janela de transferências não é como no Football Manager. Provavelmente seria mais aborrecido se houvesse menos coisas para falar. O Pep é o melhor treinador do mundo. Acho que o que ele fez ao longo dos anos foi ser extremamente inovador. Ele está sempre a mudar. Acho que a equipa do Man. City, quando está em plena forma, representa uma grande ameaça que precisamos estar atentos, mas também vejo algumas zonas que esperamos poder explorar”, revelou o dinamarquês.

“Mercado? Acho que fizemos excelentes negócios. Adicionámos força [ao plantel]. Tottenham? Têm um plano bastante claro. O Thomas organiza-os de forma clara para que possam ligar-se no interior para atacar e também podem jogar a partir de trás. É uma equipa que pressiona alto, marca individualmente e, acima de tudo, é boa em jogadas ensaiadas, por isso estamos realmente ansiosos por este jogo. Temos de nos concentrar realmente na forma como queremos jogar durante 95 minutos, para mostrar a nossa mentalidade e o nosso estilo. Título? É sobre nós. Já participei em algumas lutas pelo título e o importante é focar sempre no próximo jogo. Temos de ganhar os nossos jogos, criar o nosso próprio caminho e fazer o que está ao nosso alcance e, com isso, temos de pressionar, perseguir e ir atrás deles [Arsenal]. Eles têm de nos sentir e isso só é possível ganhando jogos”, perspetivou Pep Lijnders, principal adjunto do catalão, que não compareceu na conferência de imprensa por motivos “pessoais”.

O Tottenham chegou a este jogo em condições atípicas, contando com a ausência de 12 jogadores, entre eles James Maddison, Richarlison, o ex-Sporting Pedro Porro e, mais recentemente, Micky van de Ven, que falhou o jogo a meio da semana, na Liga dos Campeões, foi dado como apto por Thomas Frank, mas acabou por não integrar a ficha de jogo. Assim, João Palhinha foi titular e Radu Dragusin juntou-se a Cristian Romero no centro da defesa. No ataque, Dominic Solanke, que reencontrou o caminho do golo, foi o escolhido para jogar como referência, com Randal Kolo Muani a atuar no lado direito. Sem Jérémy Doku, Rayan Aït-Nouri e Semenyo foram os escolhidos para os corredores laterais, com Rodri Hernández e Marc Guéhi a voltarem à equipa depois de terem falhado o jogo da Champions. Matheus Nunes e Bernardo Silva foram titulares.

Os cityzens entraram melhor na partida e, logo no arranque, quase inauguraram o marcador, com Semenyo a finalizar para defesa apertada de Guglielmo Vicario (2′). Com os spurs a entrarem condicionarem o adversário na construção, o primeiro golo nasceu num roubo de Bernardo, que lançou o contra-ataque e entregou em Erling Haaland. O norueguês abriu à direita em Rayan Cherki que, já dentro da área, inaugurou o marcador com um remate cruzado de pé direito (11′). Pouco depois, o goleador tentou faturar, mas o seu chapéu saiu muito por cima (17′), seguindo-se mais uma grande jogada do francês, que terminou com mais uma intervenção decisiva de Vicario (24′). A fechar a primeira parte, e numa fase em que o ritmo já estava mais baixo, Rodri recuperou em zona subida, Bernardo Silva recebeu à entrada da área e tocou ao meio para Semenyo que, só com o italiano pela frente, não vacilou (44′).

Thomas Frank mexeu na sua equipa ao intervalo e trocou Cristian Romero por Pape Sarr, com o Tottenham a mostrar uma nova cara, sufocado o Man. City desde o início. A primeira ocasião saiu dos pés de Conor Gallagher que, em zona privilegiado, falhou o alvo (50′). Logo a seguir, Destiny Udogie apareceu com espaço dentro da área e rematou forte, mas Gigi Donnarumma impediu o golo com uma grande defesa (51′). O golo acabou mesmo por aparecer, com Xavi Simons a isolar Dominic Solanke com um passe de trivela, o avançado recebeu, tirou Abdukodir Khusanov e, a meias com Marc Guéhi, atirou por cima do italiano (53′). Com os cityzens completamente perdidos e a verem jogar, Pep Guardiola aproveitou a quebra de Cherki para falar com os seus jogadores. Nessa fase, Tijjani Reijnders rendeu o francês, com Nico González a substituir Rayan Aït-Nouri. Nos lilywhites, Mathys Tel e Wilson Odobert foram chamados para os lugares de Randal Kolo Muani e Yves Bissouma.

Apesar da paragem, o Man. City continuou a meter água e, depois de mais uma mau alívio da defesa, Gallagher recebeu na direita, cruzou para a área e, com espaço, Solanke ganhou as costas a Rodri e fez o empate com um grande remate de calcanhar (70′). O jogo continuou de sentido único, seguindo-se um remate de Odobert, quase sem ângulo, para defesa com a perna de Donnarumma (74′). O italiano continuou a segurar a sua equipa no jogo impedindo, de seguida, o golo de Xavi Simons com mais um belo voo (75′). Essas duas oportunidades acabaram por trazer à tona uma nova versão dos cityzens, que começaram a ter a bola e a aproximar-se da área adversária. Num lance de transição rápida, Reijnders cruzou da esquerda e, de cabeça, Bernardo Silva rematou ao lado (78′). Pouco depois, Nico cruzou para a área, Haaland ganhou no jogo aéreo e, vindo de trás, Reijnders antecipou-se, só que a finalização voltou a sair para fora (84′).

Com os jogo completamente partido no aproximar ao minuto 90, o Man. City continuou a crescer e a encostar o Tottenham à sua área. Já sem Bernardo Silva, que foi rendido por Phil Foden, e Solanke, que cedeu o seu lugar ao “menino” Jun’ai Byfield, que se estreou na Premier League, os cityzens tentaram furar o bloco da formação da casa pelo meio, mas sem sucesso. Nesse sentido, Guardiola abdicou de Rodri e colocou Omar Marmoush, lateralizando o seu jogo ofensivo, mas o resultado não sofreu mais alterações e deixa o Arsenal cada vez mais líder (2-2). Assim, o Man. City termina a jornada a seis pontos dos gunners e isolado no segundo lugar, aproveitando, nessa condição, a derrota caseira do Aston Villa frente ao Brentford (0-1). Por seu turno, o Tottenham não ganha há seis jornadas e está em 14.º, com 29 pontos.