A China foi, durante anos, a grande aposta para os construtores alemães, que investiram imenso neste mercado asiático onde chegaram a vender cerca de 30% do seu volume total. A crise financeira chinesa afastou os clientes locais dos modelos mais luxuosos, desportivos ou pura e simplesmente mais dispendiosos, levando-os a adquirir, em alternativa, veículos similares chineses — similares em potencial, mas incomparavelmente mais em conta.
Esmagados entre a crise e a concorrência mais barata, tanto mais que é ajudada por um Estado que protege com unhas e dentes a indústria local sem ter de cumprir as regras do Ocidente, os construtores alemães, com a Porsche à cabeça, passaram a ter uma fonte de problemas no país que em tempos viram como um novo El Dorado. E a prova está no facto de, depois de ter comercializado na China 95.671 unidades em 2021 e 93.286 em 2022, a marca alemã viu o volume de vendas cair em 2023 para 79.283 veículos, em 2024 para 56.887 e, em 2025, para 41.938. Isto significa uma queda de 56,1% em apenas cinco anos (e sem fim à vista).
A vender menos de metade dos veículos para os quais estava calculada a sua operação na China, bem como a sua estrutura comercial, a Porsche viu-se obrigada a realizar cortes para estancar ou, pelo menos, diminuir a sangria de liquidez. Tanto mais que as decisões da administração deste construtor, que tem 75% nas mãos do Grupo Volkswagen, não se têm propriamente pautado pelo sucesso, como prova o facto de transaccionar as acções na Bolsa de Frankfurt em Abril de 2023 a 118,90€, para hoje, passados menos de três anos, os títulos da marca valerem somente 40,79€. Isto significa que a Porsche possuía um valor de mercado de 109 mil milhões em 2023, mas hoje fica-se pelos 18 mil milhões.
Para minimizar as perdas na China, a marca alemã encerrou cerca de 30% dos seus concessionários locais, que rondavam os 150 em 2024 e agora passam a estar limitados a apenas 80. Acontece que a diminuição das vendas na China não é o único problema do construtor, na medida em que, de 2024 para 2025, este mercado foi apenas responsável por menos 15 mil unidades vendidas. Porém, globalmente, as vendas da Porsche caíram 31.300 unidades em 2025 (de 310.700 para 279.400), ou seja, cerca do dobro do que perdeu só na China.
De acordo com a imprensa chinesa, um dos responsáveis pelos maus resultados da Porsche naquele mercado asiático é o Taycan, não por ser eléctrico, uma vez que a China é o maior mercado para este tipo de tecnologia, mas porque os potenciais clientes têm fugido para propostas como o Xiaomi SU7. De recordar que este modelo já se revelou mais rápido do que o Taycan no circuito alemão de Nürburgring.