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Em Miragaia, a água chegou mais cedo do que o esperado e teme-se o que vier nas próximas horas

Este artigo tem mais de 6 meses

Bombeiros Sapadores do Porto colocaram um barco junto ao bairro histórico do Porto para retirar moradores das suas casas. Restaurante inundado ainda conseguiu servir almoços, mas teme o fim da tarde.

Água do Douro chegou a um metro de altura em Miragaia, Porto
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▲Água do Douro chegou a um metro de altura em Miragaia, Porto

▲Água do Douro chegou a um metro de altura em Miragaia, Porto

Às três da manhã, tocou o telefone de Manuel Santos. Do outro lado, um responsável da Proteção Civil local deu-lhe o aviso: a água do Douro chegava já perto do seu restaurante, o Flor da Alfândega, em Miragaia.

“Quando saí de casa já vim com água até ao joelho”, relata, horas mais tarde, ao Observador. “Foi o que estávamos a prever que acontecesse, só que aconteceu mais rápido do que estava previsto. As previsões eram de que a cheia fosse por volta das quatro, cinco, e antes das três da manhã, já estava assim.”

Igor Martins/Observador

Neste bairro histórico do Porto, a água do rio subiu até à altura de um metro e pelo menos duas pessoas foram retiradas de casa durante a noite. Não foi o caso de Fernanda Seixas, de 75 anos, que tudo observa da janela ao lado do marido. Segundo a moradora de longa data do bairro de Miragaia, o rio subiu cerca das 19 horas desta quinta-feira, para pouco depois dar a sensação de que daria tréguas. Mas pelas 4 horas, “o fusível ficou com água” e Fernanda ficou sem luz, como vários clientes da zona. Manuel Mendes, um seu vizinho do bairro, guardou roupas dentro de caixas numa tentativa de as salvar, em vão. Com baldes, tenta esvaziar de água a sua casa e quando vê Nuno Cruz, o presidente da União de Freguesias de Cedofeita, Santo Ildefonso, Sé, Miragaia, São Nicolau e Vitória passar, o idoso chama-o sem sucesso. Como Fernanda, diz que as cheias se repetem, e revolta-o que não haja uma solução.

“Estamos numa fase um pouco mais serena do que na última madrugada”, frisa por sua vez Pedro Duarte, presidente da Câmara Municipal do Porto, ao mesmo tempo que assegura ter sido possível “controlar a situação dentro de uma circunstância que é desfavorável”, com a ajuda dos 50 operacionais em permanência. Entre eles, figuram os Bombeiros Sapadores do Porto que disponibilizaram um barco para a retirada de moradores. “A zona de Miragaia e a da Ribeira preocupam-nos mais”, assume o autarca, numa altura em que se teme que a situação agrave ao final da tarde.

Igor Martins/Observador

Manuel Santos também receia o mesmo. De madrugada, “a água veio até aqui ao estabelecimento, entrou um bocado lá dentro, mas felizmente não foi grande coisa”, afirma. “Acho que pela tarde, a coisa pode ser pior ainda.” Entretanto, tenta servir alguns almoços no Flor da Alfândega, apesar de metade das mesas destinadas a clientes estarem agora a suportar máquinas e até arcas frigoríficas. “Algumas casas ficaram sem luz, mas aqui não. Muita gente nem veio trabalhar. São meia dúzia de clientes que a gente tenta aproveitar.”

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