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Presidente da República moçambicano exige esclarecimento de atentado contra jornalista

Este artigo tem mais de 6 meses

O jornalista Carlitos Cadangue, viu a sua viatura a ser alvejada por vários disparos de arma de fogo na quarta-feira à noite. Presidente Daniel Chapo existe explicações das autoridades.

Mozambique´s President Daniel Chapo attends a press conference during the VI Portugal-Mozambique Bilateral Summit under the slogan “Portugal-Mozambique: partnership and prosperity” in Porto, Portugal, 09 December 2025. ESTELA SILVA/LUSA
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▲Moçambique é um país onde a liberdade de imprensa deve prevalecer, prometendo assim continuar a lutar "firmemente" contra o crime organizado, que, assegura, não tem como triunfar, segundo Daniel Chapo

ESTELA SILVA/LUSA

▲Moçambique é um país onde a liberdade de imprensa deve prevalecer, prometendo assim continuar a lutar "firmemente" contra o crime organizado, que, assegura, não tem como triunfar, segundo Daniel Chapo

ESTELA SILVA/LUSA

O Presidente moçambicano exigiu na quinta-feira o esclarecimento do atentado realizado contra um jornalista do canal privado STV, correspondente em Manica, apontando o medo e a insegurança como inimigos da liberdade.

Em comunicado, a Presidência moçambicana avança que o chefe de Estado, Daniel Chapo, condena, “em termos firmes e veementes”, o atentado contra o jornalista Carlitos Cadangue, na quarta-feira à noite, em Chimoio, com a sua viatura a ser alvejada por vários disparos de arma de fogo.

“O Presidente da República exige, das autoridades competentes, esclarecimento deste atentado, devendo os seus perpetradores serem levados à Justiça”, lê-se no documento.

Para Chapo, Moçambique é um país onde a liberdade de imprensa deve prevalecer, prometendo assim continuar a lutar “firmemente” contra o crime organizado, que, assegura, não tem como triunfar.

“O medo e a insegurança são inimigos da liberdade, da democracia e do desenvolvimento”, afirmou.

Ainda na quinta-feira, o porta-voz da Polícia da República de Moçambique (PRM) em Manica, Mouzinho Manasse, afirmou que as autoridades já avançaram com os procedimentos legais, tendo o caso sido encaminhado para o Serviço Nacional de Investigação Criminal (Sernic).

“A polícia já instaurou um processo de crime contra indivíduos desconhecidos e submeteu ao Sernic para posteriores investigações”, avançou, acrescentando que as autoridades não ignoram a informação de que os homens que dispararam contra o jornalista estariam trajados com fardamento semelhante ao da corporação.

“Nós, como polícia, trabalhamos na base de informações, não vamos desprezar esta informação. (…) Esta é a informação que consta dos autos, trata-se de matéria processual e após as investigações poderemos contactar os agentes de comunicação social para ver a verdadeira veracidade dos factos”, explicou.

O Sindicato Nacional dos Jornalistas moçambicano também exigiu uma investigação célere, independente e transparente ao atentado contra o profissional, ameaçando, entretanto, não cobrir alguns eventos oficiais caso não haja resposta clara.

“Nós, como SNJ, condenamos este atentado ao colega jornalista Carlitos Cadangue, porque representa um atentado à liberdade de imprensa, um direito constitucional”, disse o representante do sindicato em Manica.

Nelson Benjamin acrescentou que o atentado ocorre numa altura em que o profissional tem divulgado reportagens sobre a atividade de mineração ilegal, envolvendo alegadamente pessoas influentes daquela província, e que foi suspensa em setembro de 2025 pelo Governo.

Nelson Benjamin reiterou que a SNJ exige uma investigação célere e independente, e, acima de tudo, transparente, “porque não se pode prevalecer o estado de ditadura, não se pode prevalecer cenários em que as balas devem imperar”.

“Se não ocorrer uma investigação responsável, transparente, nós como a SNJ, em coordenação com os órgãos de comunicação social, ponderamos até a não cobertura de certos eventos do Governo para que haja resposta clara e eficiente, porque não se pode tolerar cenários de agir-se acima da lei”, afirmou o representante.

O Conselho Superior da Comunicação Social (CSCS) de Moçambique também repudiou o atentado contra o jornalista, classificando-o inadmissível e intolerável numa sociedade democrática.

O canal privado moçambicano STV considerou tratar-se de uma tentativa de intimidar a comunicação social, exigindo a realização de uma investigação célere.

Cadangue relatou que, quando conduzia a caminho de casa, dois indivíduos intercetaram-no numa viatura e a seguir dispararam contra a parte traseira do automóvel.

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