Foi um daqueles momentos em que todos caímos quando Lindsey Vonn caiu. Aos 41 anos, com o joelho já limitado depois de uma lesão grave há pouco mais de uma semana, a norte-americana não durou mais do que segundos no regresso aos Jogos Olímpicos de inverno e deixou Milão-Cortina em suspenso. Como não podia deixar de ser, porém, não tem qualquer arrependimento. 

Depois da queda no mítico percurso de Olimpia delle Tofane, segundos depois de se lançar na prova de downhill, Lindsey Vonn foi extraída de helicóptero após ser assistida durante cerca de dez minutos ainda na neve — com os gritos de dor a serem audíveis na transmissão televisiva. Foi transportada para o hospital de Treviso, já perto de Veneza, e diagnosticada com uma fratura complexa na perna que vai obrigar a várias cirurgias, tendo sido já operada à tíbia pela primeira vez.

Saiu da reforma, insistiu depois de romper os ligamentos, mas tudo correu mal: Lindsey Vonn retirada de helicóptero depois de queda

Entretanto, no Instagram e a acompanhar uma fotografia onde surge já em queda, a campeã olímpica de downhill em Vancouver 2010 reagiu pela primeira vez ao que aconteceu no domingo. “O meu sonho olímpico não acabou da maneira como sonhei. Não foi um final de livro ou de conto de fadas, foi apenas a vida. Ousei sonhar e trabalhei tanto para o alcançar. No ‘downhill’ a diferença entre uma linha estratégica e uma lesão catastrófica podem ser 12 centímetros. Passei 12 centímetros demasiado perto da minha linha e o meu braço direito ficou preso na portagem, o que me virou e resultou na minha queda”, começou por dizer, garantindo desde logo que a recente rotura do ligamento cruzado anterior do joelho, assim como as lesões que sofreu ao longo da carreira, “não tiveram nada que ver” com o acidente.

“Infelizmente, sofri uma lesão complexa na tíbia que está estável, mas que vai obrigar a várias cirurgias para ficar verdadeiramente tratada. Ainda que o dia de ontem não tenha terminado como esperei, e apesar da intensa dor física que causou, não tenho arrependimentos. Estar na zona de partida foi uma sensação incrível que nunca esquecerei. Saber que estava ali e com chances de ganhar foi uma vitória por si só. Sempre soube que estava a correr um risco. Este sempre foi e sempre será um desporto incrivelmente perigoso”, acrescentou.

Mais à frente, Lindsey Vonn manteve a ideia de que estava perfeitamente consciente dos riscos que estava a correr. “Assim como acontece no esqui, também corremos riscos na vida. Sonhamos. Amamos. Saltamos. E às vezes caímos. Às vezes partimos o coração. Às vezes não alcançamos os sonhos que tínhamos. Mas essa também é a beleza da vida, o facto de podermos tentar. Eu tentei. Eu sonhei. Eu saltei. Espero que o que seja retirado da minha jornada seja o facto de todos termos a coragem de ousar. A vida é demasiado curta para não apostarmos em nós. O único falhanço na vida é não tentar. Eu acredito em vocês, assim como vocês acreditaram em mim”, terminou a norte-americana.

De recordar que, para além do downhill, Lindsey Vonn também ia participar no super-G e na prova por equipas em Milão-Cortina. Aos 41 anos, a norte-americana termina a carreira com três medalhas olímpicas, incluindo um ouro no downhill em Vancouver 2010, e 84 vitórias na Taça do Mundo, um registo só superado pelas 108 de Mikaela Shiffrin e as 86 de Ingemar Stenmark. Retirou-se pela primeira vez em 2019, mas em novembro de 2024 surpreendeu tudo e todos ao anunciar que iria voltar à competição com o objetivo de estar nos Jogos Olímpicos que estão agora a decorrer.

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