Vários elementos do grupo neonazi 1143 organizaram-se numa angariação de fundos para apoiar os militantes detidos pela PJ na Operação Irmandade, em 20 de janeiro, que desmantelou uma boa parte da estrutura — mas a pessoa do grupo que ficou responsável por recolher os donativos pelo MB Way terá desaparecido sem deixar rasto, sem que o dinheiro chegasse aos destinatários.

A notícia sobre esta burla dentro do grupo 1143 foi avançada esta quarta-feira pelo Expresso, que teve acesso ao grupo da rede social Telegram onde a angariação de fundos foi discutida.

De acordo com o Expresso, a iniciativa partiu de um elemento dentro do grupo que apelou aos outros militantes do 1143 para que reunissem fundos destinados a apoiar os detidos na deslocação para casa e na compra de comida após a detenção. A iniciativa concretizou-se através do envio de dinheiro através da aplicação MB Way para uma outra pessoa do grupo, identificada como “alexandra1143”, que ficaria responsável por fazer chegar os fundos aos destinatários.

A recolha de fundos realizou-se com vários militantes do grupo a enviarem dinheiro para a conta daquele elemento, diz ainda o semanário. No entanto, algum tempo depois, a pessoa responsável por recolher o dinheiro desapareceu do mapa: deixou de atender telefonemas e levou consigo o dinheiro, que nunca chegou aos destinatários.

Ao Expresso, o elemento do grupo que promoveu a recolha de fundos disse apenas que o assunto “já foi tratado dentro do grupo”. Ainda assim, as mensagens internas citadas pelo Expresso dão conta de grande descontentamento dentro do grupo 1143, com elementos a chamar “cobardes” àqueles que traíram a “família” e com alertas para a burla.