“Não se pode ter uma economia com nove milhões de pessoas a receber subsídios e um grande número de imigrantes a entrar. Quero dizer, o Reino Unido foi colonizado. Está a custar demasiado dinheiro. O Reino Unido foi colonizado por imigrantes, não é verdade? Quero dizer, a população do Reino Unido era de 58 milhões em 2020, agora é de 70 milhões. São 12 milhões de pessoas a mais”. As palavras de Sir Jim Ratcliffe, uma das pessoas mais ricas do Reino Unido, detentor do grupo INEOS e dono do Manchester United e emigrante britânico no Reino Unido, numa entrevista à Sky News geraram polémica e originaram reações governamentais e do próprio clube que detém.

O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, exigiu um pedido de desculpas, defendendo que as declarações foram “ofensivas e erradas” e que a “Grã-Bretanha é um país orgulhoso, tolerante e de diversidade”.

Na mesma entrevista, Ratcliffe disse que “Keir é um homem simpático” e que gosta dele. “Mas é um trabalho difícil e acho que é preciso fazer algumas coisas difíceis com o Reino Unido para o colocar de volta nos eixos, porque, neste momento, não acho que a economia esteja em bom estado”, contrapôs. Falou também de Nigel Farage, líder do Partido Reformista, “um homem simpático” e “com boas intenções”. Porém, “de certa forma, poderia dizer-se o mesmo sobre Keir Starmer”. “Acho que é necessário alguém que esteja preparado para ser impopular por um grande período de tempo, para resolver os grandes problemas”, defendeu.

Esta posição fê-lo lembrar do clube que detém: o Manchester United. “Já vi isso acontecer várias vezes no clube de futebol. Se fazemos coisas difíceis, que achamos que precisamos fazer no Manchester United… achamos que são as coisas certas a fazer. Mas ficamos muito impopulares durante um tempo”, afirmou. “Temos os mesmos problemas com o país”, disso Ratcliffe. “Se realmente queremos lidar com as principais questões da imigração, com as pessoas que optam por receber benefícios em vez de trabalhar para ganhar a vida, se quer lidar com isso, então terá de fazer algumas coisas que são impopulares e mostrar alguma coragem“, defendeu.

No meio da polémica, o Manchester United, em comunicado, o Manchester United, sem referir a entrevista ou o co-proprietário, veio defender os valores do clube, descrevendo-se como uma instituição que representa “inclusão, diversidade e equidade”. Atualmente, pouco mais de um terço do plantel é britânico: os estrangeiros, onde se inserem os portugueses Bruno Fernandes e Diogo Dalot, representam 64,5% da equipa.

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