A Embaixada de Portugal em Cabo Verde não recebeu qualquer pedido de apoio de cidadãos portugueses com sintomas gastrointestinais, semelhantes aos que, ao longo dos últimos meses, afetaram vários cidadãos britânicos que visitaram aquele país — e que levaram o Reino Unido a emitir um aviso relativo a viagens para Cabo Verde devido aos casos de infeções no estômago provocadas por shigelose e salmonela.

Em resposta ao Observador, a Secção Consular da Embaixada de Portugal em Cabo Verde esclarece que “não chegou nenhum pedido de apoio consular de nenhum cidadão nacional por nenhuma das razões descritas”.

Na última segunda-feira, a Agência de Segurança Sanitária do Reino Unido emitiu um aviso relativo a viagens para Cabo Verde devido aos casos de infeções no estômago provocadas por shigelose e salmonela e na sequência da morte de quatro turistas britânicos que visitaram a ilha do Sal nos últimos meses. Aquela entidade disse ter identificado, desde o dia 1 de outubro do ano passado, 112 casos de shigelose, uma doença também conhecida por disenteria bacteriana que causa diarreia sanguinosa.

Reino Unido emite alerta para quem for viajar para Cabo Verde devido aos casos de shigelose e salmonela

Os britânicos que viagem para a ilha são aconselhados a “comer comida preparada de fresco, cozinhada totalmente e servida a escaldar”. Também só se deve comer fruta descascada pelos próprios viajantes e evitar saladas que não tenham sido “lavadas em água limpa“. Sobre o consumo de bebidas, é recomendado que a água bebida seja engarrafada ou fervida, evitando que se ponha gelo nas bebidas. O mesmo aviso serve para a água que se usa quando se está a lavar os dentes.

As famílias dos quatro britânicos que morreram — Elena Walsh, de 64 anos; Mark Ashley, de 55 anos; Karen Pooley, de 64 anos; e um homem de 56 anos, não identificado — anunciaram que iriam processar a companhia de viagens TUI, que organizou a visita a Cabo Verde.

Famílias de turistas britânicos que morreram em Cabo Verde avançam para tribunal. Ministro da Saúde fala em “perceções alarmistas”

No entanto, as autoridades caboverdianas negam a existência de qualquer surte de shigelose no país e falam em “perceções alarmistas injustificadas” sobre a situação sanitária no país. “Não existem evidências epidemiológicas públicas que confirmem um surto ativo de shigelose em Cabo Verde e os dados disponíveis não sustentam a interpretação apresentada na notícia”, sublinhou o ministro da Saúde do país, Jorge Figueiredo, em conferência de imprensa citada pela Agência Lusa.

Cabo Verde recebeu, em 2024, cerca de 981 mil hóspedes, o valor mais elevado desde que se iniciaram os registos. O Reino Unido manteve-se como principal mercado emissor, com 36,3% do total, seguido da Alemanha (11,5%), Bélgica e Holanda (10,1%) e Portugal (9,8%). A ilha do Sal — onde se registaram os casos de infeção que terão levado à morte de cidadãos britânicos — recebe cerca de 60% dos turistas que, anualmente, visitam o país.