Podia começar-se este texto com o arranque de quase todos os escritos sobre meteorologia do último mês: vem aí mais uma tempestade. Porque vem. E de grande impacto. A diferença é que esta passará entre as ilhas britânicas e a Península Ibérica, dirigindo-se para França, com o Metéo France a batizá-la, é a Pedro, a 15.ª da temporada. É verdade que ainda deixará chuva — por vezes forte no norte e centro, mais fraca a sul —, algum vento — com rajadas até 80 km/h —, e que arrastará uma frente fria — daí as previsões de queda de neve, entre os 800 a mil metros, e de baixa das temperaturas mínimas. Mas o melhor mesmo é começar a ler só a partir daqui se estiver farto de tanta chuva: a partir de sexta-feira entramos mesmo numa fase de estabilidade, com o sol instalado para ficar uns dias, e temperaturas de primavera, que podem chegar aos 22/23ºC.

Tudo isto parece um pouco contraditório, mas na verdade são apenas as peças do novo padrão meteorológico a encaixarem-se. A nova depressão, que está formada ao largo da Gronelândia, já não tem a autoestrada, a zona depressionária, para se dirigir à Península Ibéria como as últimas, que nos bateram de frente. Com o anticiclone dos Açores a posicionar-se mais perto do continente, e o fluxo polar (jet stream) também a subir mais para norte, a Pedro está em latitudes mais altas, atravessando França antes de se dirigir para a Europa central.

O que nos atinge é uma frente desta tempestade, que trará ainda chuva e vento, mas nada de semelhante ao que aconteceu desde o início do ano. Depois virá neve, geada e noites geladas, resultado da massa de ar frio que arrasta.

A chuva volta assim esta quarta-feira de manhã e mantêm-se ainda na quinta. Começa por ser persistente no Minho e Douro Litoral, estendendo-se gradualmente à região sul e passando a aguaceiros a partir da tarde. A neve começará por cair nos pontos mais altos da Serra da Estrela a partir da tarde, descendo gradualmente a cota para os 800/1000 metros de altitude nas regiões norte e centro. As mínimas já começarão a descer.

Quinta descem também as máximas, mas já estaremos apenas perante períodos de céu muito nublado e, quando muito, uns chuviscos, mais prováveis no norte e centro até ao meio da tarde, podendo ainda nevar acima de 800/1000 metros no norte e centro, e à noite apenas no topo da Serra da Estrela.

Há ainda avisos amarelos para o estado do mar, na costa a partir de Leiria e até Viana do Castelo.

Até que chega o fim da semana e uma brusca alteração da situação que temos vivido. As temperaturas começam a subir, o sol instala-se e antecipa um fim-de-semana primaveril em que todo o país terá máximas entre os 17ºC e os 22ºC. Podem entretanto vir a verificar-se algumas subidas maiores, que levem os termómetros aos 25ºC.

Para dar três exemplos em locais onde mais se precisa de sol, Leiria tem previsões de 21ºC no sábado e 22ºC no domingo e segunda; Santarém estará com 20ºC no sábado e também 22ºC no domingo e segunda (sendo que em Almeirim e Coruche se chegará aos 23ºC). Coimbra terá 19ºC e 21ºC nesses dias tal como Setúbal (onde Alcácer chegará aos 21ºC e aos 22ºC). A temperatura máxima mais baixa será na Guarda, com 15ºC.

Já sobre as mínimas, a conversa é outra. Vão continuar baixas, que é o mesmo que dizer noites muito frias, com uma grande amplitude térmica. Estaremos entre os 2ºC da Guarda e os 10ºC de Faro.

É agradecer ao anticiclone dos Açores e ao seu papel de protetor e mediador dos padrões meteorológicos da Península (e de parte da Europa): que não enfraqueça mais e que não passeie demais pelo Atlântico. Dele depende muito voltarmos a ter estações do ano. E equilibradas.

Mas parece que ainda não é desta. Os modelos já disponíveis apontam para que no início de março o jet stream volte a descer, empurre também para baixo o anticiclone açoriano, um outro anticiclone cause um bloqueio a norte e as tempestades, presas entre tudo isto, voltem a irromper Portugal adentro.

Texto atualizado após a nova tempestade ter sido nomeada, é a Pedro, que nos atinge esta quarta-feira com chuva, vento e neve

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