O presidente da Câmara de Leiria revelou esta segunda-feira que vai contrair um empréstimo para fazer face aos prejuízos provocados pela depressão Kristin, que ainda estão por contabilizar na totalidade, mas ascendem a 792 milhões de euros.

Gonçalo Lopes adiantou que vai reunir esta segunda-feira com o Banco Português de Fomento para avaliar se “existe ou não alguma linha específica para os municípios e em que condições”.

“A partir daí iremos verificar qual é o montante que terão disponível para os municípios e perceber como é que podemos negociar. É sempre um empréstimo que pode viabilizar a rapidez na execução e pagamento de obras, uma vez que não podemos estar a aguardar que haja um PTRR ou que possam existir outras linhas de apoio, porque podem demorar alguns meses e não podemos paralisar as finanças do município“, explicou o autarca, à margem da reunião desta segunda-feira do executivo.

Sem adiantar um valor do empréstimo, Gonçalo Lopes afirmou que “quanto mais, melhor”, mas vai depender da verba disponível e dos valores que a Câmara de Leiria irá receber das seguradoras e das candidaturas que serão lançadas.

Na quarta-feira, o Município de Leiria estimou que os prejuízos provocados pela depressão Kristin, à data, ascendiam a 792,8 milhões de euros, sem contabilizar os custos com infraestruturas municipais e do Estado e na floresta.

Leiria estima prejuízos superiores a 792,8 milhões de euros até ao momento

O presidente da Câmara reforçou esta segunda-feira que os danos em edifícios e vias municipais são “muito grandes”.

“Não temos um levantamento exaustivo, tanto mais que o primeiro trabalho foi feito pelos peritos do seguro, mas estamos a falar de mais de 100 edifícios. Na área escolar, as escolas de Marrazes e da Maceira foram muito afetadas. A dúvida é se fazemos requalificação ou reconstrução”, adiantou.

Os estragos no Castelo de Leiria, no m|i|m|o e no Agromuseu Dona Julinha ainda não estão estimados.

“O maior prejuízo é no Castelo, com implicações na Casa da Guarda, muralhas e Igreja da Pena“.

“Depois temos os equipamentos desportivos, à cabeça o estádio, mas logo a seguir temos o pavilhão da Gândara, a piscina, o centro de lançamentos… Só o ténis estima-se [prejuízo] perto de 400 mil euros“, exemplificou.

Repor a sinalética rodoviária requer um investimento de “quase um milhão de euros“, sublinhou.

“A partir do cálculo de todas estas necessidades e elencar de prejuízos vamos tentar perceber até onde é que é possível obter um financiamento para podermos iniciar o processo”, concretizou.

Gonçalo Lopes adiantou que ainda faltam energizar cerca de 850 habitações no concelho, número à data de domingo.

Dezoito pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas.

A situação de calamidade que abrangia os 68 concelhos mais afetados terminou no domingo.

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