O Novo Banco, que está prestes a consumar a passagem para as mãos dos franceses do BPCE, anunciou nesta sexta-feira que os lucros anuais subiram 11%, para 828 milhões de euros, superando as previsões e representando o resultado anual maior de sempre na instituição que nasceu com a resolução do Banco Espírito Santo. O aumento de quase 10% nas comissões cobradas permitiu mitigar o impacto da descida da margem financeira.
Em comunicado difundido através do site da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, o banco comentou que no ano passado “consolidou uma trajetória de crescimento sustentável, refletida no aumento do resultado líquido e na solidez do modelo de negócio”. “A execução da estratégia comercial e o foco na eficiência reforçaram a capacidade do banco para apoiar famílias e empresas portuguesas, mantendo níveis robustos de capitalização e qualidade dos ativos”, acrescenta-se no comunicado.
Os resultados de 828,1 milhões de euros, que comparam com os 744,6 milhões do ano anterior, correspondem a uma rentabilidade dos capitais próprios de 21,6%, um valor que supera até os 20% que eram a orientação que o banco tinha dado anteriormente ao mercado relativamente às expectativas para este ano de 2025.
Como aconteceu em alguns outros bancos, a margem financeira baixou – no caso do Novo Banco, esta caiu 7% para 1.097 milhões, fruto da descida das taxas de juro em relação ao período comparável. Este é o indicador que compara os custos que o banco suporta para se financiar (depósitos dos clientes, BCE, etc) com os juros cobrados nos créditos que concede.
A compensar, parcialmente, o banco obteve 354 milhões de euros com comissões (“serviços a clientes”), um aumento de quase 10% em relação ao ano anterior.
Os serviços a clientes totalizaram 353,6 milhões de euros, registando um aumento de 9,5%, reflexo das iniciativas implementadas durante 2024. Este aumento foi transversal a todas as linhas de produto, com destaque para as comissões de gestão das contas serviço e meios de pagamento que atingiram 184,6 milhões de euros (+6,1% vs 2024) e comissões sobre empréstimos com um valor de 85,9 milhões (+19,3% vs 2024), e que têm crescido de forma consistente ao longo dos trimestres”, diz o Novo Banco.
Por outro lado, a conta de resultados anual beneficiou da tomada de menos provisões: apenas 130 milhões de euros, menos 31% do que no ano anterior. E, ainda, houve um aumento do resultado com operações financeiras, incluindo venda de títulos de dívida pública – uma rubrica que melhorou de 21 para 42 milhões de euros neste exercício.
“O ano ficou igualmente marcado pelo avanço decisivo no processo de venda do Banco, um passo estruturante para o nosso futuro, que permitirá potenciar escala, acelerar a inovação e reforçar o apoio ao tecido económico nacional”, afirma Mark Bourke, o presidente da comissão executiva, no comunicado difundido nesta sexta-feira.