A empresa de inteligência artificial (IA) Anthropic recorreu aos tribunais para impedir que o Pentágono a adicione à ‘lista negra’ de riscos para a segurança nacional. É mais um degrau na escalada de tensão entre a dona do Claude e o Departamento de Defesa norte-americano.

A Reuters e o New York Times avançam que os processos — um na Califórnia e outro em Washington D.C — foram apresentados esta segunda-feira. A companhia acusa o Pentágono de usar a classificação de “risco para a cadeia de abastecimento” de forma inapropriada.

“Estas ações não têm precedentes e são ilegais. A Constituição não permite que o governo exerça o seu enorme poder para punir uma empresa pela sua liberdade de expressão protegida”, declarou a Anthropic no processo, citada pela Reuters. A empresa referiu ainda que considera que o Pentágono terá usado motivações “ideológicas” para a aplicação desta categoria.

Na Truth Social, Donald Trump referiu-se à empresa como uma companhia “de esquerda radical, woke”, que fez “um erro desastroso ao tentar fazer um braço de ferro com o Departamento de Guerra”.

A Anthropic tinha um contrato de 200 milhões de dólares para fornecer a sua tecnologia de IA ao Pentágono. A relação azedou quando a empresa liderada por Dario Amodei exigiu limites no uso que o exército dos EUA faz da tecnologia. A empresa defendeu que os seus sistemas não sejam usados para vigilância massiva doméstica ou em operações de armamento autónomo, em que não existam humanos envolvidos na tomada de decisão.

Negociações falhadas, insultos e temido risco de segurança nacional. IA abriu fosso entre Anthropic e Pentágono mas foi usada no Irão

O Pentágono fez um ultimato à empresa: ou cedia na exigência ou enfrentaria as consequências de ser designada como uma empresa que representa um “risco para a cadeia de abastecimento”. A Anthropic não cedeu e, na quinta-feira, foi formalmente notificada da aplicação desta categoria. É a primeira vez que esta designação, que implica limitações ao negócio, é aplicada a uma empresa norte-americana.

“Este é um passo necessário para proteger o nosso negócio, os nossos clientes e os nossos parceiros”, declarou a Anthropic, citada pelo New York Times. “Vamos continuar a explorar todos os caminhos para a resolução, incluindo o diálogo com o governo.”

O Departamento da Defesa ainda não reagiu ao processo. Apesar da tensão com a companhia, a tecnologia da empresa foi usada no ataque ao Irão, um dia depois do secretário Pete Hegseth atacar publicamente a empresa.

Depois de o Pentágono deixar cair o contrato com a Anthropic, com Trump a ordenar que a tecnologia da empresa fosse retirada gradualmente nos sistemas governamentais, a OpenAI assumiu o contrato.