A partir do próximo ano, a Renault vai oferecer um SUV com aspecto “puro e duro” denominado Bridger, com linhas angulosas a reforçarem-lhe as formas, como se se tratasse de uma versão moderna do Suzuki Jimny, o popular pequeno jipe com eixos rígidos, chassi de longarinas e travessas, a solução mais robusta para um modelo vocacionado para o todo-o-terreno. A confirmação veio do próprio Fabrice Cambolive, o gestor que além de CEO da marca Renault é igualmente director de Crescimento do Grupo Renault.
A marca francesa está consciente que não só os condutores revelam uma grande preferência pelos SUV, veículos mais altos e volumosos, como muitos são ainda atraídos pelas versões deste tipo de modelos que mais apelam à aventura, às incursões mais radicais pelo todo-o-terreno e, sobretudo, pelos veículos que conferem aos seus utilizadores um posicionamento mais ousado e aventureiro. Simultaneamente, a Renault está apostada em crescer na Índia, onde o Bridger será produzido, numas instalações que construiu em 2008 em parceria com a Nissan, cuja participação a marca francesa recentemente adquiriu para chamar a si a totalidade do capital.
Entre as novidades introduzidas por este protótipo, destaque para a frente vertical, grandes grupos ópticos e o nome do construtor na grelha, em vez do losango
O novo Bridger foi concebido sobre a plataforma que gerou os Renault Clio e Captur, além do Dacia Duster. Exibe linhas muito verticais, frente e traseira muito direitas e uma grelha imponente, onde sobressai o nome da marca em vez do habitual losango, ladeada por grandes faróis e com uma assinatura luminosa marcante. De acordo com Cambolive, o pequeno SUV usufrui das vantagens da plataforma RGMP Small (de Renault Group Modular Platform, que antes era denominada CMF-B), mas que agora passa a estar equipada com o Sweet400, uma tecnologia de software e de electrónica que lhe permite aceitar mecânicas a combustão, híbridas e até eléctricas.
As formas angulosas e o portão traseiro a abrir para o lado são pormenores pouco frequentes num SUV acessível e com 4 metros
O Bridger é concebido e fabricado na Índia para ser vendido no país, além de África e do Médio Oriente, com motores a gasolina e híbridos. Contudo, o CEO da Renault admitiu que “se a sua exportação para a Europa não esteve inicialmente prevista, não há nada que a impeça, caso exista aceitação para este tipo de veículo”, inclusivamente a bateria. Caso seja tomada a decisão de avançar, terá de ser ponderada a vantagem de produzir na Índia em matéria de custos, sendo que há várias fábricas europeias que poderão assumir esta responsabilidade, avançou o gestor.
Apesar de anunciar um comprimento ligeiramente inferior a 4 metros (abaixo dos 4,1 m do R4 E-Tech e dos 4,2 m do Captur), o Bridger promete 400 litros de bagageira e 200 mm de espaço para as pernas de quem se senta atrás. Pelas reacções positivas dos presentes no momento da revelação do pequeno SUV, em Paris, a que podemos associar a promessa de um preço competitivo, o Bridger tem tudo para ser um sucesso no mercado indiano, onde surgirá como o “irmão mais pequeno” dos Duster e Bigster, modelos que, naquele mercado, são comercializados com emblema Renault.