“A CP vai dar lucro em 2025”. A garantia foi deixada por Miguel Pinto Luz, ministro das Infraestruturas, numa audição parlamentar nesta quarta-feira. Não concretizou mas indicou que não será dois, três ou quatro milhões. “Vai dar mais”. Mais à frente, a secretária de Estado da Mobilidade, Cristina Pinto Dias, garantiu que os resultados da CP ainda não estão totalmente fechados, mas “a informação que temos é que iremos fechar com um resultado líquido bastante positivo, acima dos 4 milhões”.
Aliás, foi a propósito da CP que Pinto Luz mediu forças com alguns deputados, nomeadamente da bancada socialista, acusando-os de “destratarem” a CP: “Dizem que não vai dar lucro. [Mas] a CP vai dar lucro. Comigo não se ataca a CP, defende-se a CP”. A CP “tem de ser acarinhada e empoderada”, defende, e por isso diz que fica triste quando vê deputados criticarem a CP.
“A CP hoje ganha prémios, está robusta, está a oferecer serviço como nunca ofereceu. Não vão ter vídeos meus a brincar com a CP”.
Numa recente notícia, o jornal Público deu conta que a informação de que a CP não teria lucros foi dada pela administração da empresa aos sindicatos. Segundo o Público, teria sido numa reunião plenária com os sindicatos que a administradora financeira, Ana Maria Horta, tinha informado que no ano passado a transportadora voltara a ter prejuízos.
A CP foi um dos temas da audição desta quarta-feira, sendo o Governo questionado sobre as subconcessões que serão lançadas. A CP contratou a Deloitte para elaborar o estudo e o PS quis saber porquê esta consultora e porque tinha falado apenas com a Barraqueiro e a Transdev. O Governo realçou que não interfere na gestão da CP. “O Governo atento à moldura legal mandatou a CP a fazer o estudo das subconcessões, estamos a aguardar conclusões. É um tema apaixonante, acreditamos convictamente que as subconcessões são a melhor coisa que pode acontecer à CP e ao país. A CP vai ficar gestora de contratos sem perder o hub de rede que tem hoje”, salientou Cristina Pinto Dias.
A marca CP vai manter-se mesmo com as subconcessões, acrescentaram.
Mas a discussão subiu de tom porque Pinto Luz não gostou do que diz terem sido insinuações do deputado socialista José Carlos Barbosa de que as subconcessões tinham o objetivo de ir parar a empresas francesas e inglesas.
Na audição parlamentar, Miguel Pinto Luz atirou: “O senhor deputado pode ser tão sério como eu, mas não é mais sério” e criticou as “atoardas de que vamos adjudicar a empresas francesas, inglesas, comigo não. Não admito que faça juízos de valor se vou entregar a A ou a B. Eu respeito a lei e tenho respeito pelos portugueses”. Volta a criticar o deputado, que é quadro da CP, pelos vídeos que faz nas redes sociais que, segundo o ministro, criticam a própria empresa pública. “Esconde-se atrás dos vídeos”.
Mas até deixa a ameaça de que pondo em causa a seriedade e honra do ministro, o deputado terá de dar respostas noutra sede. “Não lhe admito. É a minha seriedade e a minha honra que está em causa. Não é aqui que responderá. Repete num vídeo e vai responder. [Pôr em causa] a minha seriedade e bom nome não lhe admito”. E mesmo no final da audição volta ao tema.
Os deputados socialistas “apontaram ou deixaram laivos de suspeição sobre o meu nome que não vou admitir. Podemos ter os apartes todos, podem fazer as perguntas que quiserem e ir embora, não ficou uma [pergunta] por responder. Mas sempre que levantarem suspeições que estou a fazer joguinhos para uma empresa francesa ou para isto ou para aquilo… Vou manter esta relação cordata com todos. Hoje quem deteriorou o debate, a apontar os dedos, foi o PS. Sempre que isto acontecer não vou abdicar de defender o meu nome intransigentemente. Sairei sempre de cabeça erguida e espinha direita. Defenderei sempre o meu bom nome, em quaisquer circunstâncias”.
Fertagus pediu carruagens, Governo procura disponibilidade mas só chegarão em 2027
Miguel Pinto Luz indica que foi recebido em fevereiro o pedido “formal” da Fertagus, que faz a travessia ferroviária da Ponte 25 de abril, na área de Lisboa, para conseguir cinco carruagens adicionais. Mais concretamente o pedido fundamentado feito pela Fertagus ao IMT foi recebido a 9 de fevereiro.
O ministro das Infraestruturas indica que o Governo está, em conjunto com a Sagesecur, empresa da Parpública, “a trabalhar no sentido de dar uma resposta rápida à necessidade identificada”.
A secretária de Estado da Mobilidade acrescenta que se está a tentar “encontrar rapidamente e no mercado carruagens disponíveis” para que no primeiro quadrimestre de 2027 já estejam ao serviço da Fertagus que, ao abrigo do contrato de concessão, não é dona dos comboios.