Um avião da Força Aérea Colombiana, com 114 passageiros a bordo e 11 tripulantes, caiu esta segunda-feira perto de Puerto Leguízamo, em Putumayo, no sudoeste da Colômbia, noticiou o El País e confirmou a Força Aeroespacial Colombiana nas redes sociais.
De acordo com o balanço mais recente das autoridades, citado pela Noticias Caracol, o acidente terá provocado 69 mortos e dezenas de feridos, e as buscas continuam por um desaparecido. Anteriormente, o exército colombiano tinha avançado que havia registo de 80 mortos e cerca de 4o feridos resgatados.
#ComunicaciónOficial | La #Fuerza Aeroespacial???????? se permite informar que una aeronave C-130 Hércules se accidentó hoy 23 de marzo en Puerto Leguízamo, las @FuerzasMilCol se encuentran desplegadas en el lugar atendiendo la emergencia. Información en desarrollo.
— Fuerza Aeroespacial Colombiana (@FuerzaAereaCol) March 23, 2026
A aeronave levava a bordo não só militares e tripulação, mas também viaturas — incluindo um veículo blindado Toyota e uma carrinha pick up Nissan Frontier — além de armamento, equipamentos de comunicações e peças de reposição. Segundo fontes oficiais citadas pelo El País, entre os cenários sob investigação para as causas do acidente estão uma possível sobrecarga, limitações da pista ou uma eventual avaria técnica.
O ministro da Defesa colombiano, Pedro Arnulfo Sánchez, recebeu os militares feridos — que estão agora a ser tratados no Hospital Militar Central e no Batalhão de Saúde — no aeroporto de Catam. “A dor e o desamparo perante a perda inesperada dos nossos heróis e heroína neste trágico acidente aéreo são imensos”, escreveu Sánchez no X. O responsável sublinhou ainda que, com base na informação recolhida até ao momento, “não há indícios de um ataque por agentes ilegais”, acrescentando ainda que tanto a aeronave como a tripulação se encontravam em perfeitas condições operacionais.
Pedro Arnulfo Sanchez avançou ainda, na rede social X, que o acidente com a aeronave C-130 Hércules ocorreu após a descolagem e que os militares que estavam a bordo pertencem à 27.ª Brigada da Selva e estavam a viajar para Puerto de Asís. “O avião apresentou um problema e caiu a cerca de dois quilómetros do aeroporto”, afirmou mais tarde à AP o comandante da Força Aérea da Colômbia, Carlos Fernando Silva.
“Todos os protocolos de assistência às vítimas e aos seus familiares foram ativados, assim como a investigação correspondente. Este é um acontecimento profundamente doloroso para o país”, escreveu ainda.
Acabamos de realizar una reunión con la cúpula militar y policial sobre el trágico accidente del avión C-130 Hércules de nuestra @FuerzaAereaCol:
1. El avión cubría la ruta Puerto Leguízamo – Puerto Asís, en el departamento del Putumayo.
2. La aeronave se encontraba en… https://t.co/Sl1nGrOEWC— Pedro Arnulfo Sanchez S. Orgullosamente Colombiano (@PedroSanchezCol) March 23, 2026
O Hospital Militar informou na manhã de 24 de março que recebeu já 24 militares feridos na sequência do acidente, noticiou o El Tiempo. Segundo o boletim clínico, 21 estão internados em enfermaria, um encontra-se nos cuidados intensivos e dois permanecem em observação no serviço de urgência. O estado de saúde dos feridos será atualizado nas próximas horas.
Na rede social X, o general Hugo Alejandro López Barreto, comandante das Forças Armadas da Colômbia, partilhou imagens da visita que realizou aos militares que permanecem internados no Hospital Militar Central, em Bogotá.
Anoche estuve en el Batallón de Sanidad Militar y en el Hospital Militar Central visitando a nuestros soldados heridos. Compartí con sus familias y escuché los difíciles momentos que vivieron durante esta tragedia.
En cada uno de ellos reconozco su valentía, su entereza y su… pic.twitter.com/htIjZqsVCl
— Comandante General de las Fuerzas Militares (@COMANDANTE_FFMM) March 24, 2026
Também Gustavo Petro, o Presidente da Colômbia, reagiu à queda do avião. “Sinto profunda tristeza pelos filhos perdidos, 34 jovens mortos por defenderem a Colômbia. Em 2020, compraram uma sucata e ela caiu”, escreveu Petro no X. O chefe de Estado criticou ainda a compra da aeronave durante o Governo de Iván Duque: “Por que não compraram um avião novo, como compram os seus carros e apartamentos? Compram miséria porque sabem que são os jovens pobres que acabam por usar esse metal para defender o país”, atirou.
Siento mucho dolor por los hijos perdidos, 34 jóvenes muertos por defender a Colombia. En el año 2020 compraron una chatarra y se cayó, vamos a ver ¿por qué?
Gobiernos que hinchan el pecho con puras plumas y lentejuelas. Disparan balas en las palabras pero compran pura chatarra…
— Gustavo Petro (@petrogustavo) March 24, 2026
Petro já havia lamentado a falta de renovação do material das Forças Armadas devido a “dificuldades burocráticas”, noutra publicação. “Se os responsáveis administrativos civis ou militares não estiverem à altura deste desafio, devem ser removidos”, afirmou, avisando que não dará “mais tempo”, porque “é a vida dos jovens que está em jogo”. Assim, anunciou que pediu “a compra imediata de helicópteros e aviões de carga e de tropa para aumentar a capacidade de transporte e mobilidade de tropas”.
83 militares jóvenes vivos hasta ahora, es el pueblo del Putumayo quienes los salvaron de la muerte, pasaron hasta la pista del aeropuerto y llevaron agua y amor a los muchachos. Así es como se construye una patria, agradezco a los padres y a las madres que cruzaron corriendo…
— Gustavo Petro (@petrogustavo) March 23, 2026
Um dos principais meios de assistência às vítimas foi o município de Puerto Leguízamo e a sua população, que prestou assistência às vítimas. Uns tentaram retirar soldados nas suas motas, enquanto outros tentavam apagar as chamas que o acidente tinha provocado numa zona de densa vegetação, refere a mesma agência. Numa mensagem partilhada nas redes sociais, a autarquia agradeceu as diferentes setores da cidade no auxílio face a uma situação que a Câmara classifica como “lamentável”.
De acordo com a informação consultada pelo jornal El Tiempo, o avião estava a ser pilotado pelo major Jaime Alexánder Fernández Camargo. A tripulação incluía, ainda, o primeiro copiloto, tenente Jhonier Albeiro Rodríguez Jiménez, e o copiloto subtenente Julián David González Herrera. A bordo seguiam vários outros elementos da Força Aérea: Natalia Rojas Velandia, Jhonathan Stid Pinzón Reyes, Javier Fernando Méndez Torres, Carlos Augusto Villa Sánchez, Valentina Lozano Castañeda, Albeiro Malaver Rivero, Juan Pablo Amador Pinilla e Melqui Alejandro Rodríguez Pulecio.
Aeronave foi submetida a um grande processo de manutenção em 2023
O C-130 em causa foi adquirido pela Colômbia em 2018, através do programa norte-americano de excedentes de defesa. A aeronave foi posteriormente integrada na frota militar colombiana em 2020.
Tinha regressado às operações em 2023 após ter sido submetido a um processo de manutenção maior, uma vez que a aeronave está sujeita a elevados níveis de esforço devido às suas missões regulares de transporte de pessoal e carga.
“Foi realizada a desmontagem completa da estrutura, incluindo motores e trem de aterragem, com o objetivo de inspecionar e substituir todos os componentes necessários antes de voltar ao serviço”, afirmou uma fonte das Forças Armadas ao El Tiempo.
O trabalho de manutenção foi conduzido pela Corporación de la Industria Aeronáutica Colombiana, nas instalações do Comando Aéreo de Mantenimiento.