Finalmente foi anunciado quando a Renault vai introduzir no mercado o seu primeiro veículo eléctrico abaixo dos 20 mil euros, qual a sua autonomia homologada e qual o equipamento que oferece de origem, bem como o preço dos opcionais, alguns dos quais são imprescindíveis. Falamos do Twingo, um modelo que foi prometido em 2023 e que tem como base a plataforma também utilizada pelos R5 E-Tech e R4 E-Tech, que surgiu com a denominação CMF-BEV (de Common Module Family para Battery Electric Vehicles) e que, depois, evoluiu para AmpR Small (de Ampere Small, sendo que Ampere é a divisão de veículos eléctricos do Grupo Renault). Agora, esta arquitectura designa-se RGEV Small, de Renault Group Electric Vehicle Small.

O Twingo E-Tech chegará a Portugal em Maio, primeiro com a versão mais equipada, a Techno, que será proposta por 21.090€ (com IVA), para no mês seguinte, em Junho, ser a vez do Twingo Evolution começar a ser entregue aos condutores nacionais, com um pouco menos equipamento e um preço de 19.490€. Ambas as versões estão equipadas com um motor com 82 cv, alimentado por uma bateria com química LFP e uma capacidade de 27,5 kWh, o que permite anunciar 263 km de autonomia entre recargas na Evolution (que monta pneus em jantes de 16”) e 251 km na Techo, que recorre a jantes 18”, mais atraentes mas piores para o consumo.

Como é o Twingo por dentro?

O Twingo é 13,3 cm mais curto do que o R5 E-Tech, além de ser 5,4 cm mais estreito e com menos 4,7 cm na distância entre eixos, mas se estas medidas dão uma clara vantagem ao R5, a realidade é que o Twingo permite um acesso mais fácil ao habitáculo, sobretudo para os que se sentam atrás. Isto além de oferecer um banco posterior mais versátil, dada a sua capacidade de deslizar 17 cm para a frente e para trás.

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Este deslizar do banco posterior não é uma novidade — já existia no Twingo original de 1992 —, mas é algo que faz muito sentido em veículos mais pequenos, ao permitir aos utilizadores favorecerem o espaço para as pernas de quem se senta atrás ou o volume da bagageira, consoante as necessidades do momento. Como já mostrámos no Observador anteriormente, isto confere maior versatilidade ao novo eléctrico francês, dotando-o com um espaço de 50 litros para arrumar cabos sob o piso, além de uma mala com capacidade entre 260 e 360 litros (consoante a posição do assento posterior), superior mesmo à do R5 E-Tech que anuncia 277 litros.

Homologado para quatro adultos, o Twingo oferece bancos confortáveis, com as suas quatro portas a facilitar o acesso ao habitáculo, tanto à frente como atrás, batendo aqui o R5. A altura ao tejadilho — cujo revestimento interior é, no mínimo, curioso — permite acolher mesmo indivíduos de maior estatura, sendo de lamentar que a necessidade de cortar nos custos tenha levado à troca do vidro de abrir tradicional (descendo) nas portas posteriores por vidros de abrir em compasso.

À frente há um ecrã de 7” que faz de painel de instrumentos, em frente ao condutor, que além da indicação digital da velocidade e do nível de carga, afixa ainda o consumo e a autonomia, entre outros, com o ecrã central (com 10”) a recorrer ao Android Automotive da Google, de longe um dos melhores do mercado, pois usufrui dos mapas e do sistema de reconhecimento de voz do gigante norte-americano, bem como a maioria das aplicações da Google. As patilhas junto ao volante controlam o sistema de regeneração, com quatro níveis, que no mais elevado funciona como One Pedal, uma solução criada pela Nissan, mas de eficácia duvidosa.

Como é por fora?

Esteticamente, o novo Twingo eléctrico retoma as linhas do modelo original, de 1992, modernizando-as mas sem impedir a associação imediata, tornando este modelo do segmento A (bem abaixo dos 4 metros de comprimento) numa proposta atraente que mistura saudosismo com modernidade. Com uma frente muito curta — tanto que o capot frontal nem sequer pode ser aberto pelo proprietário, existindo uma tampa (de um conjunto de três) que permite abastecer a água no limpa vidros —, o Twingo favorece o habitáculo, que parece ser mais comprido, embora este modelo seja 4,7 cm mais curto entre eixos do que o R5 E-Tech.

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O respeito pelo design rétro não impediu a Renault de conceber um veículo mais aerodinâmico, com um S.Cx de 0,656, o que deixa para trás o R5 E-Tech (0,75), valor que foi conseguido em parte à custa do cuidado colocado na concepção do óculo posterior, bem como do pequeno apêndice sobre os farolins traseiros. Além da aerodinâmica, para tornar o Twingo E-Tech o campeão de economia, o construtor francês trabalhou igualmente no campo do peso, que é de apenas 1200 kg, cerca de 228 kg inferior ao R5 equivalente em performance, para o que contribui um novo eixo semi-rígido (similar aos que equipam o Clio e o Megane), em vez do multilink dos R5 e R4. A montagem de uma bateria com menor capacidade também permite reforçar a dieta, apesar da mudança da química de NCM (níquel, cobalto e manganês, a solução com maior densidade energética) para LFP (fosfato de ferro-lítio, combinação que resulta em baterias mais seguras, mais baratas e com maior vida útil) levar o acumulador do modelo a ser mais pesado para a mesma capacidade.

O conforto é bom? E o comportamento?

Conduzimos o novo Twingo E-Tech nas estradas de Ibiza, o que nos permitiu colocar à prova a agilidade do modelo. O pequeno Renault eléctrico começou por aceitar com à vontade um ritmo calmo de passeio, com as constantes subidas e descidas a não impedirem um consumo médio de 12,4 kWh/100 km, não muito longe dos 12,2 anunciados pelo construtor (valor ainda em fase de homologação) para a versão que conduzimos, a Techno (a mais equipada), que monta pneus 205/45 em jantes de 18”. A versão mais acessível do Twingo E-Tech, a Evolution, com pneus 195/60 R16, que sinceramente preferiríamos por reforçar o conforto, irá anunciar um pouco menos (12,1 kWh/100km), todo um recorde para veículos eléctricos e que permite “esticar” a autonomia.

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A um andamento mais vivo, este Renault eléctrico acompanhou sem problemas e até de forma surpreendente. Embora monte um eixo traseiro semi-rígido, o Twingo revela uma boa agilidade, similar à que reconhecemos no Clio, ou até ligeiramente melhor, uma vez que o peso das baterias favorece um centro de gravidade mais baixo. E apesar de circularmos com os pneus de perfil mais baixo (45 com jantes 18”, em vez de 60 com jantes 16”), o eléctrico não se mostrou desconfortável, em comparação com o R5 E-Tech com suspensões independentes à frente e atrás e pneus 195/55 R18.

Trunfos face à concorrência, mesmo a interna?

O novo Renault Twingo eléctrico é uma das melhores propostas do mercado nesta bitola, pois apesar de ser um segmento A, a sua versatilidade permite-lhe bater-se com modelos do segmento B, como o R5. A bateria LFP de origem chinesa, associada à pequena capacidade, facilitou atingir a meta dos 19.490€ (com IVA) na versão Evolution, para a versão Techno ser proposta a partir de 21.090€, preços que vão contribuir para a democratização dos veículos eléctricos.

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O Twingo anuncia 263 km de autonomia com jantes de 16” e menos 12 km entre recargas se optar pelas jantes 18” (251 km), valores que inclusivamente ultrapassou durante o breve ensaio durante a apresentação internacional do modelo. Menos interessante é o facto de a Renault ter apenas visado clientes com necessidade de um eléctrico urbano ou semi-urbano, privilegiando o carregamento em casa (em corrente alternada, AC), em vez de um modelo mais versátil e capaz de recarregar rapidamente a bateria em corrente contínua (DC).

De origem, o Twingo E-Tech apenas recarrega em AC a 6,6 kW. Só se o cliente investir uns adicionais 500€ no pack Advanced Charge é que poderá usufruir do carregamento em AC a 11 kW e em DC a 50 kW, o que alivia o modelo de uma série de limitações, com a aquisição deste equipamento opcional a ser praticamente uma obrigação. No segmento A, o Twingo promete ser um osso duro de roer e, internamente na marca, deverá fazer mossa na versão mais acessível do R5 E-Tech, proposto por 25.000€ e com uma bateria de 40 kWh que reclama 313 km de autonomia. E o mais curioso – e preocupante para a concorrência – é que sobre a base deste Twingo E-Tech vai nascer um eléctrico para a Dacia, muito provavelmente o sucessor do Spring, que deverá ser comercializado por menos de 18.000€.