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Governo britânico proíbe Kanye West de entrar no Reino Unido devido a atos de anti-semitismo. Festival Wireless foi cancelado

Este artigo tem mais de 6 meses

O rapper mostrou-se disposto a reunir com membros da comunidade judaica britânica antes dos concertos para sanar anteriores atos anti-semitas. Starmer diz que Kanye "nunca devia ter sido convidado".

epa08528688 (FILE) - US rapper Kanye West performs as a surprise guest of Kid Cudi during the Coachella Valley Music and Arts Festival in Indio near Palm Spring, California, USA, late 20 April 2019 (reissued 05 July 2020). West announced on twitter that he was 'running for president of the United States'. The US will hold presidential elections on November 3, 2020.  EPA/ETIENNE LAURENT *** Local Caption *** 55139036
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ETIENNE LAURENT/EPA

ETIENNE LAURENT/EPA

O rapper norte-americano Kanye West foi proibido pelo Governo britânico de entrar no Reino Unido devido a declarações anti-semitas que fez nos últimos anos, noticiou a BBC. Perante a proibição da entrada do ‘rapper’, agora conhecido como Ye, o Festival Wireless — no qual tinha três atuações marcadas — foi cancelado, anunciou por seu lado a organização.

“O Ministério do Interior revogou a Autorização Eletrónica de Viagem (ETA) de Ye, negando-lhe a entrada no Reino Unido”, diz o comunicado da promotora Festival Republic. “Como resultado, o Festival Wireless foi cancelado e serão emitidos reembolsos para todos os portadores de bilhetes”.

Kanye West, de 48 anos, que tem um concerto marcado para o Estádio do Algarve, em agosto, pediu na segunda-feira uma Autorização Eletrónica de Viagem para entrar no Reino Unido, mas o pedido foi negado porque “a sua presença não é de interesse público”, noticiou hoje a BBC, citando o ministério britânico do Interior.

Kanye West anuncia concerto no Estádio do Algarve a 7 de agosto

O rapper estava anunciado como cabeça de cartaz para as três noites do Wireless, marcado para os dias 10 a 12 de julho, no Finsbury Park, em Londres. Hoje, a Festival Republic, no comunicado sobre o cancelamento do Wireless, adianta que “foram consultadas várias partes interessadas antes da contratação de Ye e não foram levantadas preocupações na ocasião” e que “o anti-semitismo em todas as suas formas é abominável e reconhecemos o impacto real e pessoal que estas questões tiveram”.

O primeiro-ministro britânico já reagiu à decisão da proibição da entrada do artista, afirmando que “Kanye West nunca deveria ter sido convidado para ser a atração principal do Wireless”. “Este governo está firmemente ao lado da comunidade judaica e não vamos parar na nossa luta para enfrentar e derrotar o veneno do anti-semitismo. Tomaremos sempre as medidas necessárias para proteger o público e defender os nossos valores”, escreveu Keir Starmer na rede social X.

A polémica com a confirmação de West neste festival deve-se ao facto de, nos últimos anos, ter não só feito várias declarações incendiárias e de conteúdo anti-semita como até ter lançado músicas como Heil Hitler em 2025 e ter tentado vender t-shirts com simbologia nazi num site entretanto removido.

Em janeiro, o rapper pediu desculpa num anúncio no Wall Street Journal, afirmando que “não era nazi nem anti-semita” e que o seu comportamento se devia a um episódio bipolar. “Lamento e fico aterrorizado pelas minhas ações nesse estado, e estou comprometido com responsabilização, tratamento e mudança significativa. Ainda assim, isso não perdoa o que fiz. Não sou um nazi ou um antissemita. Adoro pessoas judias. À comunidade negra — que me segurou por todos os altos e baixos e durante os tempos mais tenebrosos. A comunidade negra é, sem dúvida, a fundação de quem sou. Lamento imenso ter-vos deixado ficar mal. Adoro-vos”, escreveu.

“Não sou um nazi ou um antissemita”. Kanye West faz pedido público de desculpa por ações que “destruíram a sua vida”

Num novo ato de contrição, West divulgou hoje um comunicado em que afirmava estar ciente da polémica. “O meu único objetivo é ir a Londres e fazer um concerto que promova a mudança, trazendo união, paz e amor através da minha música”, lia-se no comunicado publicado na comunicação social britânica. “Gostaria de ter a oportunidade de me encontrar pessoalmente com membros da comunidade judaica do Reino Unido para a ouvir. Sei que as palavras não são suficientes. Terei de demonstrar a mudança através das minhas ações”, escreveu.

A reação de Starmer não foi a primeira em relação a este caso. O primeiro-ministro já tinha condenado o convite ao rapper num artigo publicado no jornal The Sun, no fim de semana, considerando “profundamente preocupante” que West tivesse sido contratado, “apesar das declarações anti-semitas e dos elogios ao nazismo no passado”.

A ministra da Educação britânica, Bridget Phillipson, alinhou pela mesma mensagem esta segunda-feira, citando as declarações “completamente inaceitáveis e absolutamente repugnantes” que o artista fez sobre judeus. O presidente da Câmara de Londres, Sadiq Khan, criticou igualmente as declarações do músico e salientou que a autarquia não estava envolvida no festival.

A recusa à vinda de West recolheu apoio generalizado dos vários quadrantes políticos do país, à exceção da extrema-direita, com o líder do Reform, Nigel Farage, a afirmar que o Governo não deveria proibir Kanye West de entrar no Reino Unido. “Se começarmos a proibir pessoas de entrar no país só porque não gostamos do que dizem, receio saber onde isso vai parar… é um caminho perigoso a seguir”, afirmou.

Várias organizações judaicas também já tinham pedido ao governo britânico que proibisse a entrada do rapper no Reino Unido. Em resposta à confirmação de Kanye West como cabeça de cartaz do Wireless, dois dos patrocinadores, a Pepsi e Diageo, retiraram os seus apoios ao festival.

A Festival Republic, que organiza o Wireless, faz parte da Live Nation Entertainment, que se apresenta como “a maior empresa de entretenimento ao vivo do mundo” e opera em várias frentes nesta indústria, em diferentes países, incluindo Portugal.

O concerto de West em Portugal, anunciado pela BOL, está marcado para 7 de agosto, no Estádio do Algarve, em Loulé, e acontece no âmbito da digressão mundial do rapper, com várias datas na Europa, na sequência da edição do seu novo álbum, Bully.

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