A ministra da Educação do Reino Unido, Bridget Phillipson, foi, esta segunda-feira, bem clara quanto ao que pensa sobre a presença de Kanye West, famoso rapper norte-americano, no Wireless Festival, no próximo mês de julho: apesar de não querer comentar casos específicos individuais que serão analisados de acordo com as normas de imigração britânicas, a governante considera que este “não se deve apresentar” no concerto.

Para Phillipson, as declarações do artista agora conhecido como Ye sobre judeus ou Adolf Hitler são “completamente inaceitáveis e absolutamente repugnantes”. No Reino Unido, “não há lugar para esse tipo de ódio, intolerância ou antissemitismo”, defendeu a ministra, citada pelo The Guardian.

Um dos últimos apelos a um boicote ao norte-americano foi feito pela organização não governamental Campaign Against Antisemitism, que pressionou o Governo britânico a impedir um possível concerto de West.. Num post publicado na rede social X, a ONG diz que o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, “tem razão em estar profundamente preocupado com o facto de o Wireless Fest querer ter como cabeça de cartaz alguém cujo preconceito antissemita chegou ao ponto de gravar uma faixa intitulada ‘Heil Hitler’  há menos de um ano”.

O artista norte-americano não atua no Reino Unido há 11 anos e o seu regresso é “profundamente preocupante”, disse o primeiro-ministro britânico no último sábado. Starmer justifica a sua profunda preocupação lembran do também as “declarações antissemitas” do rapper, além “da sua homenagem ao nazismo”.

Perante esta opinião, a organização lembrou que “o primeiro-ministro não é um mero espetador”. “O Governo pode proibir a entrada no Reino Unido de qualquer pessoa que não seja cidadã e cuja presença ‘não seja benéfica para o bem público’. Este é, sem dúvida, um caso claro””, defendeu a ONG.

Também Chris Philp, deputado conservador do parlamento britânico, enviou um pedido por escrito à ministra do Interior do Reino Unido, Shabana Mahmood, para a tutela que impedisse o rapper norte-americano de viajar para o Reino Unido, tendo em conta “os seus repetidos comentários antissemitas, incluindo declarações a demonstrar simpatia pela ideologia Nazi”. O deputado escreveu na rede social X que “Kanye West é culpado de comentários antissemitas e pró-nazistas repugnantes”. Philp escreveu ainda estar atento à reação da secretária: “Ela [Shabana Mahmood] afirma que quer combater o antissemitismo. Agora vamos descobrir até que ponto está realmente empenhada nisso”.

Com o deputado do Partido Conservador concordam outras figuras da democracia britânica, dos mais diversos espectros políticos, recorda o The Guardian. Como por exemplo, Ed Davey, líder do Partido Liberal Democrata, que também não quer Ye em território britânico de Ye. Rachael Maskell, deputada do Partido Trabalhista, defendeu que o cantor não deve ter o espaço mediático de que dispõe e que a sua entrada no Reino Unido deveria ser impedida. O presidente do Conselho de Deputados dos Judeus Britânicos, Phil Rosenberg fala num “equívoco”, referindo-se à escolha da organização do Wireless Festival e defendeu a possibilidade de o rapper ser proibido de entrar no país.

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O Wireless Festival ainda não se manifestou sobre a polémica e, segundo a Sky News, Kanye West continua como principal estrela do evento.