A ministra da Educação do Reino Unido, Bridget Phillipson, foi, esta segunda-feira, bem clara quanto ao que pensa sobre a presença de Kanye West, famoso rapper norte-americano, no Wireless Festival, no próximo mês de julho: apesar de não querer comentar casos específicos individuais que serão analisados de acordo com as normas de imigração britânicas, a governante considera que este “não se deve apresentar” no concerto.
Para Phillipson, as declarações do artista agora conhecido como Ye sobre judeus ou Adolf Hitler são “completamente inaceitáveis e absolutamente repugnantes”. No Reino Unido, “não há lugar para esse tipo de ódio, intolerância ou antissemitismo”, defendeu a ministra, citada pelo The Guardian.
Um dos últimos apelos a um boicote ao norte-americano foi feito pela organização não governamental Campaign Against Antisemitism, que pressionou o Governo britânico a impedir um possível concerto de West.. Num post publicado na rede social X, a ONG diz que o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, “tem razão em estar profundamente preocupado com o facto de o Wireless Fest querer ter como cabeça de cartaz alguém cujo preconceito antissemita chegou ao ponto de gravar uma faixa intitulada ‘Heil Hitler’ há menos de um ano”.
The Prime Minister is right to be deeply concerned that @WirelessFest wants to headline someone whose anti-Jewish bigotry has gone as far as recording a track titled ‘Heil Hitler’ less than a year ago.
But the Prime Minister is not a bystander.
The Government can ban anyone… https://t.co/cBgzcE4TEU
— Campaign Against Antisemitism (@antisemitism) April 5, 2026
O artista norte-americano não atua no Reino Unido há 11 anos e o seu regresso é “profundamente preocupante”, disse o primeiro-ministro britânico no último sábado. Starmer justifica a sua profunda preocupação lembran do também as “declarações antissemitas” do rapper, além “da sua homenagem ao nazismo”.
Perante esta opinião, a organização lembrou que “o primeiro-ministro não é um mero espetador”. “O Governo pode proibir a entrada no Reino Unido de qualquer pessoa que não seja cidadã e cuja presença ‘não seja benéfica para o bem público’. Este é, sem dúvida, um caso claro””, defendeu a ONG.
Também Chris Philp, deputado conservador do parlamento britânico, enviou um pedido por escrito à ministra do Interior do Reino Unido, Shabana Mahmood, para a tutela que impedisse o rapper norte-americano de viajar para o Reino Unido, tendo em conta “os seus repetidos comentários antissemitas, incluindo declarações a demonstrar simpatia pela ideologia Nazi”. O deputado escreveu na rede social X que “Kanye West é culpado de comentários antissemitas e pró-nazistas repugnantes”. Philp escreveu ainda estar atento à reação da secretária: “Ela [Shabana Mahmood] afirma que quer combater o antissemitismo. Agora vamos descobrir até que ponto está realmente empenhada nisso”.
Kanye West is guilty of appalling antisemitic and pro Nazi comments
Below I have written to the Home Secretary asking her to use her powers to ban West from travelling to the UK to appear at the Wireless concert
She used this power recently to ban an anti-immigration campaigner… pic.twitter.com/Cso9TYpTht
— Chris Philp MP (@CPhilpOfficial) April 6, 2026
Com o deputado do Partido Conservador concordam outras figuras da democracia britânica, dos mais diversos espectros políticos, recorda o The Guardian. Como por exemplo, Ed Davey, líder do Partido Liberal Democrata, que também não quer Ye em território britânico de Ye. Rachael Maskell, deputada do Partido Trabalhista, defendeu que o cantor não deve ter o espaço mediático de que dispõe e que a sua entrada no Reino Unido deveria ser impedida. O presidente do Conselho de Deputados dos Judeus Britânicos, Phil Rosenberg fala num “equívoco”, referindo-se à escolha da organização do Wireless Festival e defendeu a possibilidade de o rapper ser proibido de entrar no país.
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O Wireless Festival ainda não se manifestou sobre a polémica e, segundo a Sky News, Kanye West continua como principal estrela do evento.