O novo presidente da Câmara Municipal de Paris, Emmanuel Grégoire, anunciou, na semana passada, a suspensão de 78 monitores de atividades extracurriculares desde o início do ano, dos quais pelo menos 31 por suspeitas de violência sexual e pedofilia. Os números foram divulgados durante a apresentação de um plano, no valor de 20 milhões de euros, para combater os polémicos abusos que estão a marcar o setor da educação na capital francesa.

O autarca socialista reconheceu a gravidade da situação e admitiu “falhas” na forma como o problema foi tratado no passado. “Se houve um erro coletivo, foi considerar estes casos como incidentes isolados, quando refletem um risco sistémico“, afirmou em entrevista ao jornal Le Monde, sublinhando que assume agora a “responsabilidade total”.

O plano apresentado inclui a promessa de “transparência total” para com as famílias, a criação de uma “unidade de escuta e denúncia de violência em contexto educativo” e a abertura de um centro infantil de acolhimento para as vítimas. Está também prevista a divulgação regular de dados sobre suspensões e denúncias, assim como o reforço dos mecanismos de sinalização de abusos.

Os casos de abusos nas escolas ganhou uma grande dimensão nos últimos meses, com o aumento das denúncias em atividades extracurriculares, sobretudo em escolas do ensino pré-básico. Desde dezembro de 2025, a Provedora da Criança da cidade recebeu cerca de 150 queixas e no ano passado foram suspensos 30 monitores, 16 dos quais por suspeitas de má conduta sexual.

No 7.º bairro da cidade, por exemplo, nove responsáveis por atividades extracurriculares foram suspensos, levando a que mais de 770 pais e crianças enviassem uma carta ao novo presidente da câmara a exigir sanções e uma auditoria independente.

“Eu gostaria que a escola fosse um lugar onde pudéssemos respirar. Há muitos adultos gentis na escola, mas também alguns que são assustadores. Eu gostaria de ir para a escola e pensar: ‘Hoje vou desenhar’ ou ‘Hoje vou ver os meus amigos’ e não pensar: ‘E se eu tiver medo?‘”, escreveu uma criança de sete anos na carta.

O tema tornou-se central na campanha para as eleições autárquicas, com críticas dirigidas à anterior liderança municipal, chefiada por Anne Hidalgo. Grégoire, que foi seu primeiro adjunto, prometeu colocar o combate a este tipo de crimes no topo das prioridades do mandato.

Para o novo executivo municipal, a prioridade passa agora por restaurar a confiança das famílias e garantir um maior controlo e mais segurança nas atividades frequentadas pelas crianças fora do horário escolar. “Nenhuma forma de violência é aceitável. Alguns pais estão zangados connosco e não posso deixar de compreendê-los, pedir-lhes desculpa e prometer-lhes que vamos agir em prol da segurança dos seus filhos”, concluiu Emmanuel Grégoire.