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Após tentativa de ataque a sua casa, Sam Altman aproveitou noite para refletir: "Peço desculpa a quem magoei", mas a OpenAI "mudou o mundo"

Este artigo tem mais de 6 meses

O CEO da OpenAI ficou acordado após terem tentado atacar a sua casa com um cocktail molotov. Aproveitou, por isso, para refletir sobre a IA e a necessidade de a democratizar — e pediu desculpa.

epa11872436 OpenAI CEO Sam Altman attends a talk session with SoftBank Group Corp. chairman and CEO during the event 'Transforming Business through AI' in Tokyo, Japan, 03 February 2025. SoftBank Group CEO Masayoshi Son announced that he had reached an agreement with OpenAI CEO Sam Altman to establish a joint venture in Japan aimed at providing artificial intelligence services to businesses.  EPA/FRANCK ROBICHON
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FRANCK ROBICHON/EPA

FRANCK ROBICHON/EPA

Durante a madrugada de sexta-feira (pelas 23h45 de quinta-feira em Lisboa), um homem atirou um cocktail molotov contra a casa do CEO da OpenAI, dona do ChatGPT. “Acordado” e “frustrado”, conforme escreveu, Sam Altman aproveitou a noite para refletir. Num longo comunicado da sua autoria, reconheceu que tem cometido erros ao longo do seu percurso profissional e assumiu que “o medo e a ansiedade relativamente à inteligência artificial (IA) são justificados”, mas reiterou que a sua empresa tem mudado o mundo e que “o progresso tecnológico” pode torná-lo “inacreditavelmente bom”. Mas há um fator essencial para que tal aconteça: “democratizar” a IA.

Sam Altman escreveu que habitualmente tenta ser “bastante reservado” no que toca à vida privada, mas depois de alguém tentar atacar a sua casa e magoar a sua família (o que não chegou a acontecer) decidiu “partilhar uma foto na esperança de que possa dissuadir a próxima pessoa que queira atirar um cocktail molotov” contra a sua habitação. Na imagem divulgada vê-se o CEO da OpenAI a sorrir ao lado do filho. “Aqui está uma foto da minha família. Amo-os mais que tudo”, escreveu.

▲ A fotografia partilhada por Sam Altman no seu blog a acompanhar o comunicado

Blog de Sam Altman

O empresário começa por mencionar um “artigo incendiário” que foi publicado nos últimos dias, nomeadamente uma reportagem da revista New Yorker escrito com base nos testemunhos de mais de 100 pessoas ouvidas por dois jornalistas e na análise de vários documentos. O texto partia da premissa: “Sam Altman pode controlar o nosso futuro — será que podemos confiar nele?”.

“Alguém disse que achava que este artigo chegava numa altura de grande ansiedade em relação à IA e que isso tornava as coisas mais perigosas para mim. Não dei importância ao assunto. Agora estou acordado a meio da noite, irritado, e a pensar que subestimei o poder das palavras e das narrativas”, escreveu. E logo abordou alguns aspetos do seu trabalho e da área em que tem investido nos últimos anos.

“Não se deixa limitar pela verdade”, “sociopata” e “com truques de Jedi”. O retrato de Sam Altman, descrito como o “problema” da OpenAI

Assumindo que é sua “obrigação moral” trabalhar “em prol da prosperidade, capacitar as pessoas e promover o avanço da ciência e da tecnologia”, Sam Altman quis esclarecer que a IA “será a ferramenta mais poderosa de sempre”, capaz de “expandir as capacidades e o potencial humano”. Considera que o Homem “fará coisas incríveis” com esta ferramenta tecnológica, sendo que “o mundo merece uma IA em grande escala e é preciso descobrir como tornar isso realidade”.

No entanto, reconheceu em comunicado, “nem tudo correrá bem” neste processo. “O medo e a ansiedade em relação à IA são justificados; estamos a testemunhar a maior mudança na sociedade em muito tempo. Temos de garantir a segurança. Isto inclui medidas como definir políticas para ajudar a enfrentar uma transição económica difícil, a fim de alcançarmos um futuro muito melhor.”

Homem detido por atirar cocktail molotov contra a casa de Sam Altman, CEO da OpenAI

E, com esse objetivo em mente, o primeiro passo terá de ser “democratizar” a IA, escreveu: “O poder não pode estar demasiado concentrado. O controlo do futuro pertence a todas as pessoas e às suas instituições. A IA precisa de capacitar as pessoas individualmente.” E, acima de tudo, “é importante que o processo democrático continue a ser mais poderoso do que as empresas”.

“As leis e as normas vão mudar, mas temos de trabalhar no âmbito do processo democrático, mesmo que seja confuso e mais lento do que gostaríamos”, afirmou, detalhando que, depois de a IA se tornar acessível e aberta a todos, é necessário que as pessoas consigam adaptar-se a uma nova realidade. E, nesse processo, “algumas das nossas convicções estarão certas e outras estarão erradas, e, por vezes, teremos de mudar de opinião rapidamente”.

Altman diz ser “uma pessoa imperfeita” que cometeu erros

O CEO da OpenAI elencou depois alguns daqueles que, na sua ótica, foram erros cometidos ao longo destes anos. Começou por salientar o facto de “ser avesso a conflitos, o que causou grande sofrimento” a si e à empresa. E admitiu que também não se orgulha “de ter lidado mal com um conflito com o nosso antigo conselho de administração, o que levou a uma enorme confusão para a empresa”.

Cinco dias para sair, regressar e garantir mudanças. O golpe que dá mais força a Altman e à Microsoft na OpenAI

No comunicado escrito de madrugada, Sam Altman reconheceu que é “uma pessoa imperfeita no centro de uma situação excecionalmente complexa, tentando melhorar um pouco a cada ano”. “Peço desculpa às pessoas que magoei e gostaria de ter aprendido mais e mais depressa. Também estou bem ciente de que a OpenAI é agora uma plataforma importante, não uma startup improvisada, e precisamos de operar de forma mais previsível agora.”

Ainda assim, Sam Altman diz estar “extremamente orgulhoso” de cumprir aquela que considera ser a sua missão. “Contra todas as expectativas, descobrimos como construir uma IA muito poderosa, descobrimos como reunir capital suficiente para construir a infraestrutura necessária para a disponibilizar, (…) descobrimos como fornecer serviços razoavelmente seguros e robusto. Muitas empresas dizem que vão mudar o mundo; nós mudámos mesmo.”

Por último, o empresário disse compreender “os sentimentos contrários à tecnologia”. “É evidente que a tecnologia nem sempre é benéfica para todos. Mas, no geral, acredito que o progresso tecnológico pode tornar o futuro incrivelmente bom, tanto para a sua família como para a minha.” Até lá, “devemos moderar a retórica e as táticas e tentar que haja menos explosões em menos lares, tanto em sentido figurado como literal”, rematou.

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