O favoritismo voltou a imperar. Frente ao Moreirense, o Benfica voltou a entrar forte e, aos 94 segundos, já estava em vantagem, com golo de Leandro Barreiro. Ainda assim, os cónegos não precisaram de muito para responder e empataram o jogo quando Diogo Travassos aproveitou da melhor forma um erro clamoroso de Samuel Dahl. Os papéis inverteram-se e, três minutos depois, Richard Ríos recolocou as águias na frente do marcador, depois de ter sido servido pelo médio luxemburguês. Na reta final do jogo, Franjo Ivanovic voltou a “mostrar-se” a José Mourinho numa altura em que Vangelis Pavlidis continua em seca, bisando no final do tempo regulamentar e na compensação. Desta forma, o Benfica chegou aos 14 jogos seguidos sem perder frente ao Moreirense, levando agora cinco vitórias nos últimos cinco jogos (4-1).

Leandro ainda conhece a partitura quando a música é outra e falta um maestro (a crónica do Benfica-Moreirense)

Por entre a tarde de festa e de animação no anfiteatro encarnado, que voltou a brindar a equipa com a hola mexicana, Dodi Lukebakio foi substituído aos 58 minutos por Gianluca Prestianni e, no momento em que se dirigia para o banco, mostrou-se bastante insatisfeito, gerando um curto momento de confusão junto ao relvado. Já depois do apito final de Iancu Vasilica, o belga foi o último jogador das águias a sair do banco para ir agradecer aos adeptos. Esse momento, que acabou por passar em claro na flash-interview da BTV, foi comentado por José Mourinho na conferência de imprensa. “Não gostou de ser substituído. A poltrona do banco não tem culpa da frustração de um jogador que não gosta de ser substituído e tivemos um bate-boca que eu gosto. Honestamente, gosto. Foi substituído e [disse] que não merecia ser substituído. A minha resposta foi um pouco mais violenta, mas não se passou nada. Segue”, relativizou o treinador, antes de fazer uma análise mais extensa.

“Acho que o maior culpado da pouca utilização dele é o Prestianni. O Prestianni é o maior responsável. Os jogadores têm as suas características e os treinadores as suas. Não sou daquele tipo que diz que o treinador tem de ter as mesmas ideias do jogador, mas não sou daqueles que dizem que o treinador tem de mudar a sua própria natureza, porque o jogador tem aquelas caraterísticas. Temos de ir ao encontro. Eu e o Schjelderup estivemos muito longe um do outro e, neste momento, não podíamos estar mais perto. Lukebakio tem vertentes do seu jogo das quais não sou um apaixonado e tem de se aproximar. Às vezes penso que, se calhar, o Diamantino Miranda, se estiver bem dos joelhos, também rebenta com isto com a bola no pé. Agora correr para trás e dar ao pedal… precisas de ter capacidade física e, fundamentalmente, precisas de o querer fazer. Vês o golo sofrido e percebes o que estou a dizer”, acrescentou.

Este sábado, o Benfica chegou, pela primeira vez na história do Campeonato, aos 31 jogos de invencibilidade, e voltou a marcar quatro golos, algo que não acontecia desde o jogo com o Real Madrid na fase de liga, no final de janeiro. Apesar de o Slavia Praga ter perdido recentemente, o Benfica ainda não é a única equipa invicta nos campeonatos europeus, registo que partilha com o Klaksvík, das Ilhas Faroé, que tem 23 vitórias e quatro empates durante o período que corresponde à temporada 2025/26. Em termos individuais, Ivanovic anotou o bis mais rápido das águias em jogos da Primeira Liga disputados no novo Estádio da Luz, superando Óscar Cardozo frente ao Everton, em 2009.

“Foi uogo estranho, no sentido em que não podíamos começar melhor. Depois entrámos numa zona cinzenta de controlo, mas com um jogo pouco fluído. Fizeram o empate, numa situação aberta a crítica e à análise interna, porque é uma transição em que temos superioridade numérica, mas há um jogador que abandona a corrida defensiva e deixa o Dahl sozinho. Depois há o erro. Na segunda parte estivemos sempre no controlo. Mesmo que tenham [Moreirense] tido bola, não criaram perigo. Mexi e sabia que com aqueles jogadores ia trazer mais intensidade, profundidade e mais velocidade. Na parte final acho que o Vasco [Botelho da Costa] fez o que qualquer treinador faria: arriscou para chegar ao empate e nós, em velocidade, fizemos dois golos e com mais tempo faríamos mais”, disse Mourinho à BTV.

“Costumo ser um treinador frio, que não olha muito a situações emocionais e esta semana fui diferente. Pensei que, jogando um jogo por semana, com muito pouca rotatividade, com jogadores que andavam a trabalhar bem e a jogar pouco, com jogadores que saíam bem do banco, como em Alvalade, e fui emocional, no sentido de que há gente que merece jogar, correndo o risco de perder dinâmicas. Sabia que tinha no banco os jogadores que têm jogado mais, principalmente os dois alas que estão muito identificados com as nossas dinâmicas. O Dahl cresceu com o Schjelderup, mas não me arrependo, porque premiei gente que trabalha bem. Treinadores com bancos ricos são treinadores privilegiados”, concluiu.