Acompanhe o nosso liveblog sobre a guerra no Médio Oriente e a invasão russa da Ucrânia
O chanceler alemão Friedrich Merz parece já não se querer esforçar mais para conquistar a simpatia do Presidente dos EUA, Donald Trump. Numa postura pouco habitual, o chefe do Governo alemão lançou duras críticas a Washington esta segunda-feira, alertando que a administração Trump está a ser manipulada e “humilhada” pelo regime de Teerão e que carece de uma estratégia clara para resolver a guerra no Médio Oriente.
Em declarações proferidas numa escola em Marsberg, na sua região natal de Sauerland, Merz não poupou nas palavras ao analisar o atual xadrez geopolítico. “Os iranianos são claramente mais fortes do que o esperado e os americanos também não têm uma estratégia realmente convincente nas negociações”, afirmou o chanceler, segundo as agências Reuters, dpa e AFP, citadas pela Deutsche Welle. “Há uma nação inteira que está a ser humilhada pela liderança iraniana, particularmente pela chamada Guarda Revolucionária”, atirou.
O chanceler reforçou o seu ceticismo quanto à capacidade de manobra de Washington face à diplomacia de Teerão: “Neste momento, não vejo que saída estratégica é que os americanos vão escolher, especialmente porque os iranianos estão claramente a negociar com muita habilidade — ou a evitar negociar com muita habilidade”. Merz concluiu este ponto afirmando que os EUA “obviamente entraram nessa guerra sem qualquer estratégia”, antecipando o risco de um novo “atoleiro”.
Para Friedrich Merz, o perigo reside na ausência de um plano de saída, comparando a situação atual a intervenções militares passadas que marcaram negativamente a política externa norte-americana. “O problema com conflitos destes é sempre o mesmo: não se entra só, também é preciso sair. Vimos isso de forma muito dolorosa com o Afeganistão, há 20 anos. Vimo-lo no Iraque”, recordou.
A par das críticas aos EUA, Merz abordou também o futuro da guerra na Ucrânia, quebrando um tabu diplomático ao sugerir que Kiev poderá ter de aceitar perdas territoriais definitivas para garantir a paz e a integração europeia.
“A certa altura, a Ucrânia assinará um acordo de cessar-fogo e, esperemos, um tratado de paz com a Rússia. Então, poderá acontecer que parte do território da Ucrânia deixe de ser ucraniano”, admitiu o chanceler citado pela Reuters. Merz sugeriu que esta “moeda de troca” deve ser o argumento de Zelensky perante os seus cidadãos: “Se o Presidente Zelensky quiser comunicar isto à sua própria população e obter uma maioria favorável — caso precise de realizar um referendo sobre o assunto — então deve, ao mesmo tempo, dizer ao povo: ‘Abri-vos o caminho para a Europa’”.
No entanto, o chanceler alemão deixou ainda um aviso pragmático sobre o calendário de adesão à União Europeia, travando o otimismo de Kiev. Merz sublinhou que a entrada nos 27 exige o fim das hostilidades e reformas rigorosas no combate à corrupção e no Estado de direito. “Zelensky tinha a ideia de aderir à UE a 1 de janeiro de 2027. Isso não vai funcionar. Mesmo 1 de janeiro de 2028 não é realista”, rematou, de acordo com a agência Reuters.
[As fotografias da câmara de Carlos Castro são apenas um dos elementos de prova a que o Observador teve acesso. Os ficheiros da investigação permitem reconstituir como a relação com Renato Seabra se começou a deteriorar, dias antes do homicídio num hotel de luxo em Nova Iorque. Ouça o quarto episódio de “Os ficheiros do caso Carlos Castro”, o novo Podcast Plus do Observador, narrado pela atriz Joana Santos, com banda sonora original de Júlio Resende. Pode ouvir aqui, no site do Observador, e também na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E pode ouvir também aqui o primeiro episódio, aqui o segundo e aqui o terceiro episódio]