Num mercado cada vez mais sensível ao preço e onde as versões 100% eléctricas começam a competir directamente com as que montam motores a combustão, mesmo entre os modelos desportivos, a BMW fez saber que passará a propor o M3 na versão híbrida a gasolina (para elevar a potência) pelo mesmo preço da versão eléctrica, apesar desta usufruir de uma clara vantagem em matéria de potência. A versão alimentada por bateria disponibilizará cerca de 1015 cv, contra apenas 560 cv da animada pelo tradicional motor a combustão.

O M3 é um dos modelos mais emblemáticos da BMW, conciliando como poucos o espaço mais que suficiente para a família, com uma mecânica possante e um chassi afinado para fazer as delícias dos apaixonados por uma condução mais ousada, não se furtando mesmo a algumas acrobacias em pista. O construtor alemão prepara-se agora para, pelo primeira vez desde que produziu o primeiro M3, em 1986, lançar quase em simultâneo uma versão 100% eléctrica do mesmo modelo, o que promete revolucionar a oferta e em diversas áreas.

Com base no anúncio da própria marca, a primeira novidade consiste em colocar no mercado, praticamente pelo mesmo preço, o M3 a gasolina e o seu “irmão” M3 eléctrico. Isto não só prova que a paridade de preços entre ambas as versões é possível, para além de desejável, como o facto de hoje ser bem mais fácil (e barato) produzir um desportivo eléctrico do que a combustão.

A versão a gasolina, que será mild hybrid para reduzir ligeiramente o consumo e aumentar (também ligeiramente) a potência, continuará a depender sobretudo do motor a gasolina com seis cilindros em linha, soprado por um um sistema Twin Turbo, fornecendo cerca de 560 cv. Porém, a versão eléctrica irá ainda mais longe, uma vez que está previsto montar quatro motores, um por roda, capazes de assegurar um total de aproximadamente 1015 cv. É quase o dobro de potência por um peso ligeiramente mais elevado, mas nada que impeça o M3 EV de ser substancialmente mais rápido nas acelerações.

Exteriormente, não será fácil distinguir o M3 EV do M3 ICE (de Internal Combustion Engine), com a BMW convencida de que é exactamente isto que os clientes pretendem, o que ainda está por provar. Já sob a carroçaria, o M3 ICE vai recorrer à plataforma antiga CLAR, a mesma utilizada pela actual geração do familiar desportivo da marca alemã, enquanto o M3 eléctrico utilizará a plataforma Neue Klasse, o mais recente dos chassis desenvolvido pela BMW que, contudo, continua a ser uma plataforma multi-energia, dado que também pode receber mecânicas a combustão. Isto obriga-o a possuir uma frente maior, para poder alojar também os mais volumosos motores a combustão, o que por sua vez leva a um peso mais elevado.

A responsável pelas vendas da divisão M, Sylvia Neubauer, avança que a BMW pretende sobretudo que ambos os modelos forneçam precisamente o que os seus potenciais clientes esperam deles, do prazer de condução à eficácia do comportamento, oferecendo gozo e performances impressionantes para quem está a bordo. Neubauer admitiu ainda que nem todos os clientes vão querer trocar o M3 ICE pelo M3 EV, o que leva a marca a propor ambas as motorizações em simultâneo durante mais uns anos.

Em declarações à Autocar, esta responsável pela estratégia do construtor alemão deixa claro que satisfazer os petrolhead será fundamental, proporcionando-lhes o melhor M3 a combustão da história da marca. Mas a intenção da BMW é “permitir que, caso o desejem, os clientes experimentem também o M3 eléctrico”. E, acredita Neubauer, a marca vai “conseguir convencer alguns dos clientes tradicionais do M3 a optar pela versão a bateria”.