Três jogos, cinco pontos. Depois da vitória em Alvalade que garantiu a subida ao segundo lugar da Primeira Liga, o Benfica só venceu uma vez e empatou outras duas, caindo novamente para a terceira posição, colocando o apuramento para a Liga dos Campeões novamente em risco e deixando novamente de precisar apenas dos próprios resultados.

Ele sempre disse que preferia precisar dos nove pontos (a crónica do Benfica-Sp. Braga)

Mais de uma semana depois do empate em Famalicão, os encarnados não foram além de um novo empate na Luz com o Sp. Braga, que garantiu o quarto lugar com o ponto conquistado — e acabaram ainda mais prejudicados pela vitória do Sporting, que à mesma hora goleou o Rio Ave em Vila do Conde. A equipa de José Mourinho tem agora menos dois pontos do que os leões, ou seja, tem de vencer o Estoril na Amoreira na última jornada e esperar que o conjunto de Rui Borges não vença o Gil Vicente em Alvalade.

De forma expectável, as bancadas do Estádio da Luz foram implacáveis. Centenas de adeptos abandonaram o estádio depois do segundo golo do Sp. Braga, falhando o empate de Pavlidis de grande penalidade, e uma larga mancha pediu a demissão de Rui Costa, ouvindo-se ainda “vergonha” de forma repetida. Depois do apito final, porém, José Mourinho elogiou a exibição.

“Um grande jogo do Benfica contra uma equipa que é difícil, que esconde bem a bola. Que sem criar muitas oportunidades foi muito eficaz, devem ter feito três ou quatro remates. O Benfica fez um ótimo jogo com períodos de altíssima qualidade, a criar tanto temos de fazer mais golos. Quando se sofre o segundo golo, só um grupo de rapazes é que depois consegue encontrar forças para igualar e trazer esperança para os últimos minutos. Se perdemos o segundo lugar e o controlo do nosso destino não foi por um mau jogo, seja coletivo ou individual”, explicou na zona de entrevistas rápidas.

Mais à frente, Mourinho voltou a criticar a arbitragem. “Acho que não vale a pena. Falta um jogo para acabar, pior penso que é impossível. Não me quero alongar. O Benfica vem jogando bem, diria que fizemos um péssimo jogo contra o Casa Pia, mas foi uma situação isolada. A equipa cresceu muito, dominámos jogos, fizemos alguns jogos excelentes como aquele de Alvalade. O Sp. Braga faz um golo na primeira vez em que chega à baliza, faz o segundo na segunda vez em que chega à baliza”, sublinhou depois de os encarnados terem chegado ao 11.º no Campeonato, embora continuem sem perder.

Já na conferência de imprensa, questionado sobre se mantém o que disse a 1 de março sobre assinar a renovação de contrato com o Benfica sem pensar duas vezes, foi peremptório na resposta: “Não”. Mas explicou. “Porque 1 de março é 1 de março e porque a última semana do Campeonato não é para se pensar em futuro, em contratos, é para pensar na missão que tínhamos, que era de fazer um milagre. Acho que percebem o que quero dizer com milagre. A partir do momento em que entrámos nesta última fase decidi que não queria ouvir ninguém, que queria estar ‘isolado’ no meu espaço de trabalho. Como já disse há um par de semanas, há um jogo com o Estoril e a partir de segunda-feira já poderei responder sobre o que será o meu futuro enquanto treinador e o futuro do Benfica”, atirou, voltando ao tema pouco depois.

“Claro que me cabe a mim dar a resposta. Já me viu esconder das minhas decisões? Agora que ninguém me obrigue a comunicar decisões porque sou eu que decido os momentos. Não estou em condições de lhe responder. Na minha cabeça, desde que se começou a falar de hipóteses, só havia o ganhar e fazer o melhor. O respeito que o Benfica merece, que a minha profissão merece. Que ninguém toque aí, a não ser que seja algum idiota que o faça. Que ninguém toque por aí. Tenho o direito de me ter isolado. Não falei com ninguém de outro clube. Não falei com ninguém de nenhum clube. Não fazia sentido fazer outra coisa que não fosse concentrar-me. Não soa a despedida, soa ao respeito que tenho por eles, soa a uma defesa antecipada. O futebol tem estas coisas, eles serem criticados hoje parece-me de uma injustiça… Quando os critiquei depois do Casa Pia saiu-me da alma. Hoje quando é o dia em que se pensa que o Benfica terminará em terceiro é o dia em que tenho de os defender porque acho que o merecem”, terminou.

Já António Silva, que usou a braçadeira de capitão na ausência de Otamendi, mostrou-se naturalmente desiludido. “Fizemos tudo para ganhar o jogo. Uma primeira parte equilibrada, uma segunda parte em que entrámos bem, a fazer o golo, e acabámos por sofrer logo dois, três minutos a seguir. Tentámos ir ao 2-1, os golos foram sempre anulados. A equipa tentou até ao fim, mas fica aquém porque não ganhou o jogo”, começou por dizer.

“Sim, foi um choque um bocadinho grande porque tínhamos acabado de marcar. Acho que íamos ficar um bocadinho confortáveis no jogo. O Sp. Braga ia ter de saltar mais e eles vinham de um jogo na quinta-feira… Iam saltar mais, iam acabar por abrir mais espaços… Infelizmente acabámos por receber um golo logo de seguida e depois fomos atrás. Acabam por marcar o 2-1. Fomos atrás do resultado até ao fim, mas não foi possível”, acrescentou o internacional português.

[Renato Seabra matou Carlos Castro, isso ninguém contesta. A pergunta a que os jurados têm de responder é outra: o jovem modelo português pode ou não ser responsabilizado pelo crime? Sentiu raiva ou estava mentalmente perturbado? Ouça o sexto e último episódio de “Os ficheiros do caso Carlos Castro”, o Podcast Plus do Observador narrado pela atriz Joana Santos, com banda sonora original de Júlio Resende. Pode ouvir aqui, no site do Observador, e também na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E pode ouvir também aqui o primeiro episódio, aqui o segundo, aqui o terceiro episódio, aqui o quarto episódio e aqui o quinto episódio]