Acompanhe aqui o nosso artigo em direto sobre a guerra no Médio Oriente
Um relatório confidencial da Central Intelligence Agency (CIA) entregue à Casa Branca na semana passada terá referido que o Irão pode resistir economicamente às pressões navais norte-americanas no Estreito de Ormuz durante três a quatro meses, noticiou o Washington Post (WP) na quinta-feira. As informações, recolhidas junto de quatro fontes do jornal norte-americano conhecedoras do documento, contrariam diretamente algumas declarações de Donald Trump e da sua administração.
Por exemplo, a porta-voz da Casa Branca, Anna Kelly, declarou que “o regime iraniano sabe muito bem que a sua realidade atual não é sustentável.” Contudo, as quatro fontes do WP referem que “a liderança [iraniana] se tornou mais radical, determinada e cada vez mais confiante de que pode sobreviver à vontade política dos EUA.” Segundo o documento, os factos existentes apontam “que o Irão poderá sobreviver entre 90 e 120 dias — e talvez mais — antes de enfrentar dificuldades económicas mais severas.” Um dado que vai no mesmo sentido do avançado pelo The Independent a meio de abril: o regime teria reservas de crude (através de várias alternativas) para cerca de 120 dias.
Do ponto de vista militar, Donald Trump chegou a dizer, na véspera de ser conhecido o relatório da CIA, que “os mísseis iranianos estão na sua maioria dizimados, provavelmente têm 18, 19%, mas não muitos em comparação com o que tinham.” No entanto, a CIA indica que não só preservam “70% dos seus stocks de mísseis pré-guerra,” mas também 75% dos lançadores móveis que tinham nessa altura. Para além disso, têm revelado grande adaptabilidade na área do armamento ao manterem “instalações de armazenamento subterrâneas, repararem alguns mísseis danificados e até mesmo montarem alguns novos mísseis” que não o estavam antes da atual crise.
Por outro lado, essa flexibilidade também se estende aos próprios recursos energéticos. Entre as soluções encontradas pelo Irão, uma das fontes do WP destaca a do amarzenamento das reservas de petróleo em navios-tanque e redução do fluxo nos campos petrolíferos, conseguindo assim manter os seus poços continuamente operacionais. Outra estratégia será também a de contrabandear o petróleo através de rotas terrestres por via de camiões e comboios. Deste modo, ser-lhes-ia possível “começar a transportar petróleo por via férrea através da Ásia Central”, referiu outra das fontes. Porém, umas das fontes frisa que o bloqueio está ainda assim a causar “danos reais e cumulativos — interrompendo o comércio, esmagando as receitas e acelerando o colapso económico sistémico.”
Texto editado por Dulce Neto