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O Irão pode resistir ao bloqueio do Estreito de Ormuz pelos EUA durante meses, diz relatório da CIA

Relatório confidencial revela que Teerão armazena petróleo em navios-tanque e a outras estratégias para manter a economia. Documento estima que resista entre 90 e 120 dias às pressões dos EUA.

epa12887701 US President Donald Trump speaks to members of the media outside the Oval Office of the White House in Washington, DC, USA, 13 April 2026.  EPA/SALWAN GEORGES / POOL
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▲Donald Trump chegou a dizer que Teerão não teria mais do que 18 ou 19% dos mísseis desde antes do conflito

SALWAN GEORGES / POOL/EPA

▲Donald Trump chegou a dizer que Teerão não teria mais do que 18 ou 19% dos mísseis desde antes do conflito

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Acompanhe aqui o nosso artigo em direto sobre a guerra no Médio Oriente

Um relatório confidencial da Central Intelligence Agency (CIA) entregue à Casa Branca na semana passada terá referido que o Irão pode resistir economicamente às pressões navais norte-americanas no Estreito de Ormuz durante três a quatro meses, noticiou o Washington Post (WP) na quinta-feira. As informações, recolhidas junto de quatro fontes do jornal norte-americano conhecedoras do documento, contrariam diretamente algumas declarações de Donald Trump e da sua administração.

Por exemplo, a porta-voz da Casa Branca, Anna Kelly, declarou que “o regime iraniano sabe muito bem que a sua realidade atual não é sustentável.” Contudo, as quatro fontes do WP referem que “a liderança [iraniana] se tornou mais radical, determinada e cada vez mais confiante de que pode sobreviver à vontade política dos EUA.” Segundo o documento, os factos existentes apontam  “que o Irão poderá sobreviver entre 90 e 120 dias — e talvez mais — antes de enfrentar dificuldades económicas mais severas.” Um dado que vai no mesmo sentido do avançado pelo  The Independent a meio de abril: o regime teria reservas de crude (através de várias alternativas) para cerca de 120 dias.

Do ponto de vista militar, Donald Trump chegou a dizer, na véspera de ser conhecido o relatório da CIA, que “os mísseis iranianos estão na sua maioria dizimados, provavelmente têm 18, 19%, mas não muitos em comparação com o que tinham.” No entanto, a CIA indica que não só preservam “70% dos seus stocks de mísseis pré-guerra,” mas também 75% dos lançadores móveis que tinham nessa altura. Para além disso, têm revelado grande adaptabilidade na área do armamento ao manterem “instalações de armazenamento subterrâneas, repararem alguns mísseis danificados e até mesmo montarem alguns novos mísseis” que não o estavam antes da atual crise.

Por outro lado, essa flexibilidade também se estende aos próprios recursos energéticos. Entre as soluções encontradas pelo Irão, uma das fontes do WP destaca a do amarzenamento das reservas de petróleo em navios-tanque e redução do fluxo nos campos petrolíferos, conseguindo assim manter os seus poços continuamente operacionais. Outra estratégia será também a de contrabandear o petróleo através de rotas terrestres por via de camiões e comboios. Deste modo, ser-lhes-ia possível “começar a transportar petróleo por via férrea através da Ásia Central”, referiu outra das fontes. Porém, umas das fontes frisa que o bloqueio está ainda assim a causar “danos reais e cumulativos — interrompendo o comércio, esmagando as receitas e acelerando o colapso económico sistémico.”

Texto editado por Dulce Neto

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